What women want

Mais uma da série “amo trilhas sonoras”, porque, afinal, é final de semana e nestes dias “il fault écouter la musique”. Tem graça final de semana sem musica? E tem que ser música alta, claro.

Na preguiça matinal de ontem revi o filme What women want (Do que as mulheres gostam, 2000) com Mel Gibson e Helen Hunt. Divertido na medida, mesmo tratando do velho tema batido dos filmes de metrópoles norte-americanas da década de 1990 que tem um homem e uma mulher solteiros (divorciados, não-casados, always single) que trabalham horrores (geralmente em alguma mega-corporação ligada ao mundo da comunicação social), ela sofrendo por ser muito focada no trabalho, o cara precisando de um susto da vida para deixar de ser um son of a bitch com as mulheres ao seu redor. Faltou apenas o amigo gay da mocinha da história, outro clichê deste tipo de filme.

(sou muito crítica quando vejo filmes, eu sei, @mariacarol e @gnsbrasil que me aguentam diriamente já me falaram isso)

O detalhe do filme é que conseguiu casar uma fotografia simpática, um bom roteiro, uma idéia interessante e uma ótima trilha sonora. Os cenários são bonitos, sem exagerar no luxo, e vendem a idéia da agência antiquada (onde Mel Gibson reina até Helen Hunt trazer o fresh air focado no crescimento do público consumidor feminino) e da personalidade dos personagens cujos lares são mostrados. E a fotografia abusa disto, da chuva frequente, do hábito de ficar até tarde no trabalho. O roteiro é criativo ao mostrar vários tipos de mulher da virada do século e seus impasses (filha de 15 anos pressionada pelo namorado a iniciar a vida sexual, a mulher de 40 que decide ter uma casa própria sozinha, a crise dos 30 que nos pergunta se estamos na carreira que realmente desejamos).

*

*

E a trilha sonora, que sonho. Mistura Frank Sinatra (Too marvelous for words , I won’t dance e I’ve got you under my skin) e Sammy Davis Jr (Something’s gotta give) com Meredith Brooks (I’m a bitch). A letra era perfeita para a cena do Mel experimentando produtos femininos, depilação com cera, esmaltes e batom, usando meia fina e provando sutiã.

I’m a little bit of everything
All rolled into one
I’m a bitch, i’m a lover
I’m a child, i’m a mother
I’m a sinner, i’m a saint
I do not feel ashamed
I’m your hell, i’m your dream
I’m nothing in between
You know you wouldn’t want it any other way
So take me as i am
This may mean
You’ll have to be a stronger man

Aliás, esta música tem uma estorinha. No filme o personagem pega uns CDs da mochila da filha e um deles é da Alanis Morissete, na época um fenômeno adolescente, mas ao final, coloca para tocar um CD com a música da Meredith. Envolvida na história, demorei muito para notar que não era Alanis (shame on me!), que, por sinal, faz turnê no Brasil por estes dias e, segundo me contou @cler, é antenada na web 2.0.

P.S. As mulheres ainda vivem impasses como o que vi ontem Andréa Beltrão citar em entrevista no Jornal Hoje, ao fazer mea culpa porque não sabe costurar ou cozinhar. Para quê uma mulher talentosa daquelas precisa saber costurar ou cozinhar? Só para caber no esteriótipo que lhe foi incutido pela sociedade na mais tenra infância, não é?

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5 Comentários

  1. Dani Doduti Disse:

    Essa é a música que está no meu perfil do orkut =)

    e o bios do twitter: “I’m a little bit of everything”

    ;-)

  2. Andréa Disse:

    Adoro a música da Meredith, Sá. É realmente muito boa! E o filme também, gostoso, divertido, perfeito pra descontrair, relaxar.

    Gostei do PS. Realmente, pra quê Andréa Beltrão precisa saber cozinhar e costurar? Até quando as mulheres vão ficar se preocupando em se encaixar neste estereótipo de mulher perfeita, que além de ser mãe e dona-de-casa exemplar, ainda trabalha fora, faz supermercado, é amante voluptosa para o marido e está sempre linda, maravilhosa e perfumada em um altíssimo salto alto?

    Já falei uma vez, repito: sou muito mais feliz sendo eu mesma, tentando fazer as coisas bem feitas, mas sabendo que sou cheia de defeitos e limitações…

  3. Mauren Disse:

    Seu blog tem um texto lindo, Sam, adorei!!
    abraços!

  4. Lunna Disse:

    Olha, não sei, não vi a entrevista. Embora acho que quando existe o mea culpa por não saber cozinhar ou costurar não é por imposição social. Eu adoro cozinhar e passo momentos fantásticos na cozinha por conta disso – não sei costurar e lembro daquele filme Colcha de Retalhos e toda aquela tradição saborosa passado de geração pra geração e penso nisso: que droga, não sei costurar. Não sei se é o caso da Andréa Beltrão.
    É que nem sempre o social está em jogo, nem sempre importa, nem sempre é a questão. As vezes é simplesmente não saber. Porque ter talento sempre faz com que você queira mais.
    Abraços daqui

  5. Top 5 - Os melhores momentos musicais de filmes não-musicais II | Hit Na Rede Disse:

    [...] a vida quer, me fez relembrar de um filme que eu já tinha assistido, mas que vale sempre rever – Do que as mulheres gostam. Assisti novamente neste final de semana e confesso que sempre me derreto toda ao ver Mel Gibson [...]

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