Vilania ou a vontade de ser atendido?
Postado em Mãe com filhos no dia 14/04/2011 |
[Post originalmente publicado no Mãe com filhos em 05/04/2009.]
Uma discussão se formou há uns meses sobre a vilania infantil. A grande motivadora é uma personagem infantil de novela, que levou o Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro a “conversar” a maior emissora de TV do Brasil. Eu, que há tempos discuto o trabalho infantil no entretenimento, estou de olho nos desdobramentos do tema, mas, como não acompanho a novela, demorei para entender a gravidade do envolvimento da atriz Klara Castanho com a personagem Rafaela em “Viver a Vida”.
O Ministério Público existe para representar legalmente a sociedade. Neste sentido, é de sua competência observar e notificar situações desconfortáveis, como o trabalho infantil artístico. Ele “deve ser comedido, observando não só os aspectos legais mas, principalmente, eventuais reflexos que determinado personagem pode provocar no desenvolvimento da criança”.
Os reflexos é que estão em questão nesta semana. A revista Época traz uma reportagem sobre a maldade infantil, tipificada na TV pela menina Rafaela, que manipula a mãe e pessoas próximas graças à sua inteligência arguta, não raro conseguindo alcançar seus objetivos. No caso dela, pelo que entendi consultando amigas que são “telespectadoras 2.0″ (como @srtabia, gente que assiste novela e compartilham no Twitter suas opiniões!) e especialistas em TV (como @alerocha, autor do livro Poltrona e colunista de TV do Yahoo), a menina não é exatamente má, apenas usa sua esperteza para ser atendida em suas vontades ou necessidades – me contaram que um dos motivadores dela é voltar para a cidade onde está seu “pai” postiço e onde vivia com a mãe.
A reportagem de Martha Mendonça, no entanto, nos mostra que a maldade ou o egoísmo infantis podem ter um componente mais grave do que a vontade de ser atendido: e aí entra a vilania, a perversidade infantil. Segundo especialistas entrevistados, um conjunto de atitudes pode caracterizar um comportamento perverso e devem ser vistos com atenção pelos pais e educadores:
- mentiras cada vez mais elaboradas
- tentativas constantes de manipulação pela via emocional ou por chantagens
- roubos frequentes e prática de vandalismo
- maldades sistemáticas (com irmãos, amigos, empregados domésticos) sem sinais de culpa ou arrependimento
- gosto por experiências mórbidas com animais
- nenhuma tolerância à frustração (crianças demonstram pouca tolerência à frustração, é diferente de “nenhuma tolerância)
- explosão exacerbada ao ser contrariado
- mania de culpar os outros por seus erros (sem assumir parcela alguma da culpa)
- egocentrismo muito exacerbado (na idade em que já deveriam ter capacidade de se identificar e solidarizar com os outros)
- pouca ou nenhuma mostra de solidariedade
- arrogância extrema, até mesmo com os pais, professores, avós
- demonstração de prazer ao ferir e humilhar o próximo
Não quer dizer que a imaturidade ou o desejo de ser atendido em suas vontades seja vilania infantil. Todos nós quando pequenos temos curiosidade mórbida, momentos egoistas e, até os 4 ou 5 anos, vivemos num mundo egocêntrico, ainda sem a percepção do outro bem definida. O que acontece com o ser humano que chamamos de “perverso”, que tem transtorno de conduta, é que ele não consegue desenvolver a percepção do outro e a falta de limites e de acompanhamento dos pais – duas constantes nas famílias atuais – favorece o desenvolvimento do transtorno.
O filho mimado não será um psicopata, mas qualquer criança que não é repreendida pelos pais sobre seus erros tende a crescer pouco civilizada, não é mesmo? Por isso, vale a pena ficarmos de olho nestes comportamentos equivocados e corrigir o que acharmos que está longe do ideal enquanto há tempo, afinal, como diziam nossas avós, “é de pequenino que se torce o pepino!’.
P.S. Se o trabalho artístico infantil lhe interessa também, vale ler Meu filho é uma estrela e Crianças não são crianças para sempre.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





Outro dia qdo toquei nesse assunto uma leitora disse uma coisa que concordei plenamente: “o homem nasce mau. Ele se torna bom. Ou não”.
É bem por aí. Na minha opinião crainças são um HD vazio que vão computando e armazenando as coisas que vivem, vêem, sentem de acordo com o ambiente familiar. Pais carinhosos e atenciosos, cranças carinhosas. pais imapcientes e agressivos, cranças agresisvas. Simples assim.
Bjão!
Achei que esse texto tem tudo a ver: A indisciplina e a agressividade são defesas legítimas e necessárias para o aluno em um sistema opressor
Como saber se o coleguinha do nosso filho está sendo mimado, é um bully ou está além, partindo para vilania? http://bit.ly/hdygv2
RT @avidaquer: Como saber se a criança é mimada, é um bully ou está além, partindo para vilania?… http://bit.ly/dHIIfw
RT @samegui: Como saber se o coleguinha do nosso filho está sendo mimado, é um bully ou está partindo para vilania? http://bit.ly/hdygv2
RT @samegui: Como saber se o coleguinha do nosso filho está sendo mimado, é um bully ou está partindo para vilania? http://bit.ly/hdygv2
RT @avidaquer: Vilania ou a vontade de ser atendido? http://bit.ly/hdygv2 Existe criança má??
RT @Graffeeti_BR: RT @avidaquer: Como saber se a criança é mimada, é um bully ou está além, partindo para vilania?… http://bit.ly/dHIIfw
[...] (matéria de Thais Lazzeri), Mimo – O vilão ou o mocinho da educação (post de Cybele Meyer), Vilania ou vontade de ser atendido? e Limites e respeito (posts meus já escritos aqui sobre o tema). Share on Facebook Sem [...]