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Oct
17

Vida de Equilibrista (ou 24 horas é pouco!)

Às terças eu escrevo no Desabafo de Mãe, o blog e ontem escrevi sobre um tema que decidi replicar aqui, pois gostei da resposta nos comentários, mas sei que o “Desabafo” acaba sendo muito feminino e o tema não deveria ser discutido só por este nicho. Aproveito para fazer um ajuste: não era uma reclamação ao meu amor, pois Gui está entre a minoria que realmente participa da vida dos filhos e compartilha a vida em família.  Foi uma discussão da nossa sociedade mesmo e do papel da mulher, dois temas que sempre me interessam.

Ontem a Ceila contou que passou o Dia das Crianças trabalhando. Eu também. Não no batente como jornalista, mas em casa, porque feriado com a familia toda em casa (no meu caso, com dia das crianças + marido de cama), é uma maratona que dá saudade da segunda-feira. Como diz o título de uma matéria da Época nesta semana, 24 horas é pouco para ser mulher.
Pesquisas recentes comprovam aquilo que já sabemos - que a mulher brasileira assume tarefas que as deixam sobrecarregadas: desde acordar os filhos até levar ao médico e ir à reunião da escola, tudo é tarefa da mãe. Destas atividades, em média apenas 6% são assumidas pelo pai e não a mãe. Apesar de conheceremos na pele esta realidade, o resultado surpreende: 91,3% das brasileiras trabalhadoras dedicam em média 22 horas por semana aos afazeres domésticos, ou seja, a tarefas que não são o trabalho remunerado nem o cuidado com os filhos. Segundo o estudo, publicado no livro Vida de Equilibrista - Dores e Delícias da Mãe que trabalha, de Cecília Russo Troiano, da Editora Cultrix, das 850 mulheres das classes A e B entrevistadas, 50% delas já pensaram ao menos uma vez em abandonar a carreira. Pudera: dividir o tempo com trabalho (8h), filhos (4,5h) e quase não sobrar nada para si (1h), é sufocante.
Do outro lado, no dia 03/10 o Ibope divulgou o levantamento Novo Homem: Comportamento e Escolhas, revelando que 95% dos homens brasileiros acima de 25 anos sentem-se satisfeitos com a vida. O novo homem é comparado aos heróis Peter Parker (Homem Aranha) e Neo (The Matrix) por sua sensibilidade, tolerância e fragilidade. O novo homem trocou o mundo externo pela família e na pesquisa se diz bom companheiro e bom pai. Cerca de 90% afirmam ser tão atuantes na educação dos filhos quanto as mães e 93% dizem que a companheira pode contar com eles em qualquer situação.
Cá estou eu, ainda me recuperando do cansaço do final de semana, me perguntando: será que a falha é nossa por não delegar as tarefas com estes incríveis 93%? Segundo algumas dicas da revista para as mamães superocupadas, delegar é uma das alternativas para sair da rotina sufocante. Tenho minhas dúvidas e você?

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