Tudo por laranjas

Nesta semana dois vídeos me fizeram pensar no conceito de família. É um tema que eu frequentemente levanto aqui no blog e que não me canso de tratar porque acredito que precisa ser revista considerando as novas configurações de família que o Ibope nos traz – com mulheres cada vez mais chefiando financeiramente as famílias, com homens e mulheres criando seus filhos como “single parents” e com muita diversidade de cultura que resulta da nossa população que descende de imigrantes e  de um país continental como o nosso.

Um dos vídeos foi dica do Gui que, como eu, vive ainda muito antenado na realidade dos nipo-brasileiros. Vi de perto a realidade retratada no filme Tudo por Laranjas, que mostra o abandono em que vivem boa pare dos filhos de dekasseguis brasileiros no arquipélago japonês. É muito triste, são crianças e adolescentes que, como muitos dos filhos de trabalhadores das periferias brasileiras, são carentes. Aqui a carência é de estrutura material, lá de estrutura emocional. Mas, infelizmente, creio que o resultado não será tão diferente e que, breve (a crise econômica mundial acelera este processo a olhos vistos), a sociedade brasileira vai pagar um preço alto pelos dekasseguis, como já paga por seus filhos carentes em território nacional. Estas crianças não se ajustarão à sociedade e não têm estrutura para se inserir na sociedade produtiva, o que pode levá-los para caminhos marginais (veja, não falo marginalidade, mas o que está à margem da sociedade formal).


Mais informações sobre o filme, que estréia no Japão em 30 de novembro, estão no site da produtora OZ Films.

O outro vídeo, que está rolando pela rede e que, sei, replico aqui sabendo que estou sendo repetitiva, mas faço questão de endossar as palavras de Keith Olbermann, da rede de Tv americana MSNBC, que emociona ao comentar a aprovação da Proposta 8, que baniu o casamento entre homossexuais na Califórnia. Quem me indicou foi @lilianeferrari. Mesmo sem vínculo familiar com a “causa” não devemos nos calar diante da falta de respeito pela privacidade e o livre-arbítrio (sim, este conceito até meus filhos que são crianças já conhecem). Se preferir ler ao invés de ouvir, o Pablo, do blog Diário de Bordo, fez uma tradução livre muito boa.

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Um Comentário

  1. Quando as crianças saírem de férias | A vida como a vida quer Disse:

    [...] porque avançamos muito em termos sociais. O conceito de família mudou e tratei disso outro dia aqui. Acredito que grande parte dos que hoje têm filhos pequenos teve mães trabalhadoras na sua [...]

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