Tolerância? Precisamos mesmo é exercitar a igualdade!

Postado em Mãe com filhos, preconceito no dia 14/01/2010 |

Nesta quarta eu fiz minha estreia num blog do qual eu era colaboradora há tempos, mas trabalhando nos bastidores, apenas indicando pautas. Em No Ghetto, meu amigo @maxreinert trata da homossexualidade. E, mesmo sem um vínculo maior com a causa, eu sou uma simpatizante da igualdade.

[Meu texto lá tratava de um presídio italiano para transexuais e lembrava da experiência que minha mãe teve como defensora pública no sistema carcerário do meu estado ;) ]

Mas minha militância não é pela aceitação dos gays, lésbicas, transexuais. É por um mundo mais igualitário, no qual detalhes e escolhas não nos marquem ou nos classifiquem, no qual alcancemos o direito de ser quem somos e conviver com respeito com o que o outro é. Sem criticar, segregar, tampouco tolerar ou fingir que não vê – às vezes, quem finge que não vê magoa mais do que quem agride abertamente!

No post Para pais e crianças exercitarem a tolerância, publicado no Mãe com filhos na semana pós-Parada do Orgulho Gay (na qual vimos, infelizmente, cenas e consequências tristes da falta de tolerância) tratei do tema. Convidei os pais a pensar em formas de apresentar a diversidade às novas gerações. Não se trata apenas de ensinar a não “estranhar” gays e lésbicas, mas sim a criar uma nova “tribo” que aceite o diferente sem rechaça-lo, sem puni-lo por suas escolhas e sem desrepeitar suas características.

Lendo este texto, me apercebi que a ideia é compartilhada por outros, como o médico psiquiatra Jairo Bouer:

“Quem sabe uma geração de crianças que aprenda a lidar com o outro, com o diferente, de uma forma respeitosa não poderá ajudar na construção de um mundo mais junto e mais feliz? Meu amigo Jim é um bom ponto de partida”.

É possível sim trazer para nosso cotidiano a diversidade de forma natural, deixando que as crianças reflexionem e criem seus próprios conceitos sem que precisemos falar de sexualidade, focando o diáologo no conceito do respeito ao outro como ser vivo que é. Em Meu Amigo Jim, a escritora belga Kitty Corwhter convida-nos a pensar na homossexualidade, no preconceito racial e no hábito da leitura a partir da amizade carinhosa entre a gaivota Jim e o melro Jack. A história é leve, doce e uma lição sobre o respeito às diferenças.

Como diz Tatiana Belinky (autora que meu filho adora):

“Cada um na sua
E não faz mal
Di-ver-si-da-de
É que é legal””

P.S. Um fato que vivi com o Giorgio, de 7 anos, há alguns dias. Uma pessoa comentou na frente dele: o que significa isso, dois homens se beijando na boca? A pessoa ia responder, com certeza, é sinal dos tempos ou algo assim, mas não deu tempo. Gio respondeu: “Ora, significa que eles se amam, o que mais poderia ser?”.

18 Responses to “Tolerância? Precisamos mesmo é exercitar a igualdade!”

  1. Fui criado em uma família sem preconceito algum, não que meus pais fossem modernos, mas não tinha preconceito de forma alguma, era algo natural sabe? Na minha infância eu até ouvia na rua piadas e coisas desse tipo, mas em casa ninguém reforçava isso. Não sei explicar muito bem, era natural…
    Não tínhamos problemas com raça, cor e muito menos opção sexual, como é o caso do depoimento que você escreveu. E com isso nós só ganhamos! Temos amigos/conhecidos muito queridos que são gays e sempre iam nas festas e reuniões, aliás são amigos até hoje. Mulatos, negros ou que quer que fosse entrava na nossa casa e comia na nossa mesa como um igual porque é isso que somos: iguais. Pobres ou ricos, era tudo a mesma coisa, era incrível, a gente não dava mais importância para um do que para outro e com isso cresci em uma casa que me transformou em uma pessoa que, por exemplo, senta em um bar ou para na rua para conversar com qualquer tipo de pessoa. Não dou importância maior para uma pessoa mais rica ou não, isso não me afeta porque me ensinaram a não dar a mínima pra isso. O que importa é A Pessoa, e só :)
    Um abraço!

    Sam Shiraishi Reply:

    @Evandro Cesar, fico tão feliz por ver que você me entendeu! :)
    Meu discurso e, acima de tudo, minha prática é pelos direitos e o livre arbitrio bem vivido (de forma a não desrespeitar o direito alheio, do proximo) e nisto entra todo tipo de pretensa exclusão ou segregacionismo. Sou uma mistura de raças e mesmo meus pais são filhos de pessoas que sairam de nichos sociais diferentes para se casar, o que me permitiu crescer convivendo com “toda sorte” de parentes e amigos da familia. Isso me moldou de forma diferente e fico feliz por ter sido assim. Creio que é mais uma afinidade que encontramos, né?
    Obrigado por passar aqui e comentar.

  2. Leia no blog: Tolerância? Precisamos mesmo é exercitar a igualdade! http://tinyurl.com/yzbcjz7

  3. EvandroCesar says:

    RT @samegui: Leia no blog: Tolerância? Precisamos mesmo é exercitar a igualdade! http://tinyurl.com/yzbcjz7 ==> é mesmo! Tolerar é aguentar

  4. RT @samegui: Leia no blog: Tolerância? Precisamos mesmo é exercitar a igualdade! http://tinyurl.com/yzbcjz7

  5. Texto da @samegui http://bit.ly/8vgE4v – maravilhosa como sempre.

  6. Olá querida,
    Muito obrigada por estar comigo no blog, fiquei muito feliz.
    Fui criada tb num ambiente de muito respeito e consideração com todos, independente de sua condição.
    Isso facilitou muito meus relacionamentos em geral.
    Tenho uma gama imensa de amigas(os) de todos os tipos e tribos, adoro tudo isso…
    Adoro os gays porque são inteligentes, cultos, criativos, vanguardistas e amigos!
    O seu filho Georgio arrasou, rs!
    Até vejo a boca perplexa da pessoa ao seu lado, rs.
    Beijocas doces para vc,
    Luiza

    Sam Shiraishi Reply:

    @Luiza Miranda, vc nem imagina, a pessoa era meio aparentada nossa, foi divertido. E educativo. hehehe
    beijos

  7. Menina,
    Que coisa, estou pasma!
    Acabei de te escrever a msg acima, abri minhas msgs e tinha uma com a seguinte frase:
    “Olha de novo: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris.” Ulisses Tavares
    Muuuuuita coincidência!!!!!
    Bjs,
    Luiza

  8. [...] This post was mentioned on Twitter by Sam Shiraishi, Veridiana Serpa and EvandroCesar, Ferreira, Prisccila. Ferreira, Prisccila said: Texto da @samegui http://bit.ly/8vgE4v – maravilhosa como sempre. [...]

  9. Andréa says:

    Belo texto, Sá! Concordo plenamente que devemos exercitar a igualdade. Fico muito triste e constrangida quando vejo amigos fazendo piadas e comentários preconceituosos a respeito de gays.

    Com meus mais próximos, tento explicar que a orientação sexual de cada um é uma coisa que faz parte da natureza, e não uma escolha, ou uma “falta de vergonha na cara”, ou uma doença ou desvio de conduta. Infelizmente, nem sempre consigo fazer as pessoas entenderem/aceitarem este tipo de coisa.

    Acho que educando nossos filhos sem preconceito é que conseguiremos vencer estas barreiras e realmente criar um mundo mais justo e igualitário.

    Parabéns pela resposta do Giorgio!!!! Significa que vcs, mãe e pai, estão conseguindo passar bons princípios aos filhotes! ;)

    Sam Shiraishi Reply:

    @Andréa, no meu convívio (alguns dos meus melhores amigos são gays) eu aprendi uma coisa: homossexualidade é um detalhe a mais. Nunca gostei desta visão da natureza (embora estudos comprovem isso, quero escrever sobre o tema inclusive), prefiro a abordagem de que são escolhas e todos temos direitos a elas. Um gosta de biscoito de chocolate, outro de morango, um é católico, outro protestante, não há necessidade de atrito por estas diferenças que apenas fazem parte do nosso direito de escolher. ;)
    Gostei que veio aqui, aproveito para desejar bom ano para vcs.

  10. Gabi says:

    Que linda a resposta do Giorgio! Ele já sabe que duas pessoas se amam, se beijam e pronto, independente de sexo… Adoro essa nova geração, tão mais cabecinha boa do que a nossa. =D

    Beijo!!

    Sam Shiraishi Reply:

    @Gabi, verdade, eu tb fico impressionada. No geral, a não ser que a família promova o sectarismo/segregacionismo por algum motivo particular, as crianças de hoje são um bom começo para um mundo melhor. Espero que nossa sociedade lhes dê condições de continuar assim. ;)
    (Obrigada pela visita, fazia tempo!)

  11. A resposta do seu filho foi surpreendente, parabéns!

  12. [...] No meu primeiro post sobre família (leia aqui) eu coloquei uma frase da Julianne Moore que me deixou muito feliz e hoje recebi um comentário de uma pessoa que me deixou mais feliz ainda quando li uma história que aconteceu com o filho dela, vou reproduzir um trecho aqui mas gostaria que vocês apreciassem todo o post dela aqui. [...]

  13. [...] Além da criatividade, outros temas marcantes do universo infantil e adolescente da atualidade, como alimentação, atividade física, sustentabilidade e diversidade estavam registrados na pesquisa, que revelou também que (dentro do universo pesquisado, de 7 países da América Latina) o jovem brasileiro é o que menos se preocupa com o meio ambiente e sustentabilidade. Por outro lado, quando o assunto é sustentabilidade, existe uma troca de informações em casa. [...]

  14. Priscilla Perlatti says:

    Sam, escrevi sobre isso há um tempinho atrás, de como conversei com minha filha sobre um casal de amigos meus se amarem. Se vc se interessar, deixo o link aqui:
    http://www.maededuas.com.br/2011/05/homoafetividade-o-gostar-dos-iguais.html

    Bjs

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