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Telenovela – Um olhar do cinema
Cinema e televisão são mídias com linguagens muito diferentes? Será? No fundo, acreditam alguns, são formas de contar uma boa história. Partindo deste mot, o cineasta José Roberto Sadek escreveu o livro Telenovela – Uma olhar do cinema (Summus Editorial , preço médio 30 reais) e analisa as telenovelas sob a ótica do cinema, mostrando aspectos das duas modalidades, comparando estratégias e revelando a estrutura dramática que faz da telenovela um fenômeno único.
Já falei sobre a doutrina da telenovela e, mesmo sem acompanhar nenhuma há tempos (só consegui ver o primeiro capítulo da nova novela das seis , mesmo trabalhando em casa não consigo parar neste horário para ver TV), admito que elas influenciaram toda minha infância e adolescência. Mesmo hoje, os seriadinhos americanos que asssisto, guardam um quê da novela, mas ainda perdem em qualidade para as histórias e a produção da telenovela brasileira. Lembro de uma defesa incrível sobre telenovelas que uma colega de faculdade - Lia Marchi - fez na aula de sociologia e que mudou minha visão sobre esta forma de entender o ser humano. E agora me veio à mente um conto da Lunna Guedes que é ótimo e tem a novela como pano de fundo. Pedirei a ela autorização para postar aqui.
Mais detalhes, no release da assessoria (que me pareceu um ótimo texto) sobre o livro:
Quem nunca se encantou por uma telenovela e passou meses e meses acompanhando sua evolução até o desfecho? As tramas e seus personagens – alguns memoráveis e inesquecíveis – atraem milhões de pessoas para frente da televisão todos os dias. Mas o que justifica esse interesse inabalável, que sobrevive há tanto tempo, mesmo diante de tantas alternativas de entretenimento? A resposta é simples: o antigo prazer de ouvir uma boa história. E a telenovela, segundo Sadek, nada mais é do que uma maneira moderna de contar histórias.
No livro, o cineasta apresenta um trabalho inédito: ele discorre sobre o surgimento dessa modalidade, compara sua estrutura dramática com a do cinema e mostra ângulos pouco conhecidos desse fenômeno de massa da cultura brasileira.
Com base em estudos consagrados sobre as narrativas do cinema clássico, o autor expõe peculiaridades das telenovelas, por exemplo: a correção de rumo durante a produção e os andamentos das tramas; o uso de critérios não-dramáticos, como razões industriais e de mídia, na divisão dos capítulos; e a produção de várias tramas encadeadas e independentes, que constituem um zapping sem mudar de canal. Para corroborar sua tese, ele compara produções marcantes, como O bem-amado, Belíssima e Paraíso tropical, bem como os filmes O cangaceiro, Carandiru e Cidade de Deus, revelando alguns de seus segredos.
“Olhar a telenovela com base em paradigmas cinematográficos permite perceber nela características de linguagem atípicas no conjunto dos dramas encenados. Muito dessa originalidade vem da raiz folhetinesca e das histórias contadas em parcelas, das quais As mil e um noites parecem ser a matriz inicial”, explica.
Por outro lado, segundo o autor, a telenovela, por ser audiovisual, não se adapta integralmente à sua raiz literária. Em vez disso, agrega condicionantes de produção e de mídia, como o grande peso das emissoras, a influência dos índices de audiência e a atuação dos anunciantes sobre temas e personagens, que não são elementos dramáticos, mas têm participação decisiva no novo padrão de linguagem.
“Outro fator importante, e para o qual uma vertente do cinema contemporâneo está muito atenta, é a evidente mudança de comportamento do espectador, que tem repertório dramático e emocional amplo como jamais foi visto antes da TV, que se acostuma a fazer várias coisas ao mesmo tempo, que zapeia e é capaz de seguir várias histórias concomitantemente e que precisa, cada vez mais, de ações que chamem sua atenção”, afirma o cineasta, lembrando que na telenovela se valoriza mais o percurso da história do que a construção dramática.
Para Sadek, esses componentes foram interferindo e sendo assimilados ao longo dos anos da história das telenovelas. Dessa forma, “amadureceu um paradigma diferente dos anteriores” – do livro, do folhetim, do rádio, do cinema e até da internet. Por isso, “no caso das telenovelas, não há um padrão anterior, mas narrativas sobre as quais elas se apoiaram, e, considerando muitos outros fatores e influências, foram criando e evoluindo seu modo peculiar de contar as histórias”, diz.
“Milhões de pessoas alteram seus compromissos para ver as telenovelas, outras organizam suas agendas para estar em frente à TV em determinada hora, e não é por solidariedade teórica ou estética a determinado modelo narrativo”, esclarece o autor. “Trata-se de um fenômeno de que dá graça à vida, que proporciona momentos de prazer e de emoção, que permite viver situações que o cotidiano jamais permitiria. Esses novos paradigmas de contar histórias têm simplesmente a única, complexa e delicada intenção de agradar a essa multidão todos os dias”, afirma.
“Ao tratar do cinema e da telenovela com profundidade teórica e abundância de exemplos práticos, ele [José Roberto Sadek] vai muito além do óbvio. E nos ensina a entender as diferenças e semelhanças de formas narrativas que, a despeito da origem comum, são particularizadas pelos distintos suportes tecnológicos e as respectivas formas de recepção que esses suportes determinam. O olhar cinematográfico que Sadek lança sobre a telenovela serve, também, para nos ajudar a entender o próprio cinema”, afirma Bráulio Mantovani, roteirista de cinema, responsável pelo roteiro de Cidade de Deus e Tropa de Elite, que assina o prefácio do livro.
O autor
José Roberto Sadek graduou-se na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e na Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. Fez especialização na Tisch School for the Arts, Universidade de Nova York, com uma bolsa Fulbright. É mestre e doutor em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP.
Trabalhou como diretor de fotografia em filmes e programas de TV, e depois passou a atuar como diretor de filmes. Diretor da TV Educativa do Ministério da Educação (TV Escola) por quatro anos, escreveu algumas séries de programas e foi diretor-geral de dezenas delas.
Ex-consultor do Banco Mundial, passou pela TV Cultura e pela Fundação Roberto Marinho e foi superintendente do Instituto Itaú Cultural, além de consultor de projetos de Educação para Sebrae, Sesi e CNI. É secretário-adjunto da Cultura da cidade de São Paulo desde 2004.




Carol
Says:
May 13th, 2008 at 10:38 am
Quem sabe quando eu tiver tempo eu sento no sofá e vejo um pouco de novela! =D
Beijocas
Lunna Guedes
Says:
May 13th, 2008 at 11:01 am
Hahahahaha - um conto meu? A autorização é por escrito ou verbal? rs
Propaganda da Vez
Says:
May 13th, 2008 at 11:39 am
Lu Ivanike
Says:
May 13th, 2008 at 12:11 pm
Vou indicar este livro ao Daniel.
Beijos
Herika
Says:
May 14th, 2008 at 12:02 pm
Gostei do livro, parece ser muito interessante. Vou ver se consigo lê-lo.
Beijos!
alex
Says:
May 15th, 2008 at 7:14 pm