Supernanny

Postado em from posterous no dia 02/04/2007 |



Recebi hoje a revista Sotaque Brasileiro, edição de outono de 2007, com a reportagem que fiz sobre o fenômeno da Supernanny brasileira. Posto aqui meu papo com ela.
O livro é finalmente a chance de termos a visão da Cristina Poli educadora, mãe e avó, mais livre do formato do programa internacional?
Certamente o livro é minha visão como educadora abordando os temas que tem a ver com o programa.
Antes mesmo do lançamento do programa do SBT, cerca de 5 mil famílias se inscreveram e hoje as pessoas falam da Supernanny em todo lugar e dizer “chama a Supernanny” virou quase um jargão. Na sua opinião, o que fez esta formula dar tão certo no Brasil?
A necessidade que as famílias tem de uma orientação para trazer a unidade, a harmonia , a ordem, o amor e a disciplina para cada lar. A sociedade precisa resgatar os princípios morais básicos que se perderam com o tempo e aplica-los no dia a dia .
A inglesa JoJo enfatiza em seu programa o espaço individual da criança, repetindo um dos valores característicos da cultura deles, que é “fisicamente mais distante” que a nossa. Quais as outras diferenças culturais a senhora leva em consideração ao planejar suas ações para a família brasileira?
Cada família é uma família, com suas características e sua história, então quando entro nas casas planejo cada método com muito cuidado. Nós somos latinos e isso nos faz diferentes, somos mais afetivos, mais comunicativos e agimos bastante com o coração. O que tenho tentado resgatar nas famílias é o tempo de qualidade de todos juntos e as refeições em família, entre outras coisas.
A revista Sotaque Brasileiro é lida por casais inter-étnicos, formados por brasileiros e canadenses. Quais desafios a senhora considera mais difíceis para estas famílias multiculturais?
Um desafio para esses casais é entrar num acordo e encontrar um ponto em comum na educação de seus filhos. Nada impossível, mas que requer muito diálogo, boa vontade e disposição para acertar as diferenças.
Sua experiência como educadora é em escola bilíngüe, que agrega crianças de outros países e submete os locais à atividades diferenciadas e com carga horária mais puxada. O pouco tempo na escola e excesso de tempo livre das crianças brasileiras é prejudicial? Podemos considerar a falta de atividades uma das razões para o mau comportamento em casa?
O tempo livre fora da escola em si não é prejudicial, o que colabora para o mau comportamento é não ter nenhuma atividade programada para esse tempo livre. Tenho encontrado famílias com muito tempo ocioso, não há criatividade nas crianças ou nos adultos, fora da tv, o vídeo game ou o computador, e isso afasta os membros da família entre si e promove o mau comportamento.
O livro aborda os temas tratados com mais ênfase nos programas de TV: conflitos de relacionamentos (entre os cônjuges e entre os irmãos) e a responsabilidade. A maior dificuldade da educação atual é a falta de responsabilidade dos pais que não querem mais ser tão duros quanto seus ancestrais?
Muitos pais estão perdidos com respeito à educação de seus filhos e não sabem como assumir a autoridade ou a responsabilidade nessa situação. Um tempo atrás a educação era muito rígida, depois foi para o outro extremo e tornou-se muito permissiva, hoje eles não sabem como agir, estão inseguros, não querem ver seus filhos como muitos jovens que andam por ali, estão assustados e sem rumo. Precisam de ajuda.
Lembro de ter visto um programa em que o pai era muito rígido e criava-se um clima de terror para a mãe e as três filhas pequenas quando ele chegava em casa. É mais grave ser um pai agressivo e intimidador ou omisso?
As duas situações são prejudiciais. Tanto um quanto o outro precisam ser ensinados a assumir sua posição de pai e de autoridade na família para trazer a ordem e a disciplina de maneira adequada.
Todos os programas que assisti mostravam famílias com pai, mãe e filhos, mas me parece que as famílias de pais solteiros (cada dia mais comuns) ou até de crianças que moram com um dos pais e os avós (e visitam a outra familia nos finais de semana) são muito problemáticas também. Não mostra-los foi uma opção do programa? Porque?
Certamente queremos mostrar casos como os descritos na sua pergunta, mas não tem se inscrito famílias com o perfil adequado para o programa. Esperamos que na terceira temporada possamos contar com esses casos que hoje em dia são tão freqüentes e que precisam de muita ajuda.
E quanto aos filhos únicos? É mais difícil para os pais imporem limites para um só?
Não é mais difícil para os pais imporem limites para um filho só. Com um ou mais filhos a fórmula é a mesma: amor e limites.
Pode parecer estranho, mas quando vejo os programas eu penso: “eu não preciso da Supernanny”, porque meus filhos não brigam, comem bem, fazem sua higiene sem problemas, dormem e acordam sem dramas e são cordatos no relacionamento conosco. Qual é o conselho para mães e pais que já venceram estas etapas iniciais repetidamente mostradas no programa?
Quero dar os Parabéns! Para vocês e para todos os outros pais que compartilham de sua experiência. Estejam preparados porque cada fase dos filhos é diferente da outra, mas, se vocês já foram bem sucedidos nas etapas iniciais, com certeza conseguirão vencer as dificuldades que eventualmente virão a aparecer. Agradeço a vocês pela oportunidade de compartilhar minhas experiências e opiniões com os leitores. Fico à disposição para qualquer outra ocasião. Deus abençoe todos vocês.

Sam @samegui Shiraishi

facebooktwittergoogle pluslinkedin

Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


0 Responses to “Supernanny”

  1. Manoel Felipe says:

    oiOiO
    gostei muitoo da materia ficou bem legal..

    tbm coloquei no blog do programa
    http://www.familiassupernanny.zip.net

    obrigado
    bjos

  2. Fábio Max Marschner Mayer says:

    Quem sabe o programa da Super Nanny mostre aos pais brasileiros (na regra) que não se cria um filho sem dizer não, sem endurecer o tom de voz e sem trabalhar em casa, ao invés de deixar a tarefa para a escola.

    Essa é uma situação complexa, a geração que viveu entre os anos 70 e 80, infelizmente, teve filhos muito cedo e não teve estrutura para criá-los, temos hoje uma geração de jovens perdidos, irresponsáveis e indolentes, culpa dos pais excessivamente lenientes… é uma pena, que reflete no estado do país hoje em dia.

    Abraço!

Leave a Reply