Slow Action

Posted by Sam Shiraishi on Aug 2, 2006 in sam |

Será que é possível ter uma ’slow action’ frente à vida? Hoje me fiz esta pergunta. O Paulinho da Viola, que não é muito a minha cara mas eu não detesto tanto assim, falava que a música dele é muito cercada pelo tempo, respondendo a uma provocação do Zuenir Ventura (este sim, um cara que aprecio, ou pelo menos não mudo de canal se vejo que está falando na TV) que notava que as músicas dele falam de saudade, passado, presente, futuro, enfim, do tempo. Com o tempo -agora outro tempo, o clima- péssimo que tem feito em Sampa desde sábado, com temperaturas entre 14 e 16 graus (pode não oscilar nadinha? Pode, esta é a diferença que o SOL faz na vida da gente!) e aguaceiros (segundo o msn weather), pensei numa ’slow action’, que é a coisa que pensamos quando esfria assim. Seria bom, né? Poder parar tudo, ou pelo menos falar: “vamos devagar, hoje não estou me sentindo fast”. O frio me lembrou também uma msg que recebi há algumas semanas do meu ex-colega de Cefet (meu e do Gui, por sinal o pai dele, nosso ex-professor, foi nosso ‘cupido’), Carneiro, sobre um cara que trabalha na Volvo. Em Curitiba, além do clima europeu e de muitos descendentes da Europa Oriental, há empresas assim. Dizem que na Siemmens os caras trabalham de meia e sandália birk, que é mais confortável, mas aí já acho que deve ser folclore ou maldade. Afinal, o cara da Volvo falava que na primeira vez que foi para Suécia, na década de 90, apesar de ser frio com neve, o cara que dava carona para ele do hotel até a fábrica sempre chegava super cedo mas parava o carro bem longe da entrada, num estacionamento uns dois mil carros de funcionários. E eles andavam no frio até a sede. Um dia ele, meio sem jeito, resolveu perguntar por que o cara parava longe. A resposta foi bem simples e bastante inusitada para nós brasileiros: “É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar;quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?”. Adorei! Aprendi muito e pensei nas outras coisas que ele comentava sobre a slow atitude dos suecos, uma comparação com a nossa pressa em resultados e ações. Há um grande movimento na Europa, o Slow Food. Suas idéias estão defendidas no site http://www.slowfood.com, da Slow Food International Association, cujo símbolo é um caracol e sua base, claro, a Itália, pregando que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando tanto os alimentos quanto seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. Este movimento está servindo de base para o Slow Europe. Estou tentando fazer um Slow Sampa aqui nos finais de semana… domingo fizemos em casa o dourado que o Gui pescou com Iamada-san em Cuiabá há três semanas, foi um dia longo e agradável com eles e nossos amigos inseparáveis Sayuri e Rico. De que vale nossa correria do dia-a-dia sem estes amigos para compartilhar os ’slow moments’?Bom, lá vou eu, terminar meu expediente aqui (fechar meu “s.o.h.o. small office home office”) e começar a preparar uma comida quentinha que o Giorgio e eu aprendemos num Oliver’s twist (Truques de Oliver, no GNT, desta vez ele ensinava comida para crianças na companhia da filhinha Poppy). Já mencionei aqui que o meu caçula é um bom gourmet? Daqui a alguns anos nada de “Olivier” e “Oliver”, será a vez do Giorgio como gourmet midiático!

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