Será que culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha? #diadamulher
Postado em Comportamento, Mãe com filhos no dia 08/03/2010 |Quem viveu a virada do milênio se lembra da executiva Maria Silvia Bastos Marques. No mesmo ano em que Xuxa assumiu sua produção independente (Sacha), ela encarou o comando de uma das maiores empresas do Brasil, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) aos quatro meses de gestação de gêmeos. Um mês depois do nascimento dos bebês, voltou ao trabalho, sucitando discussões sobre o papel da mulher no trabalho e em casa.
Na sexta-feira eu conversava com uma executiva que é um retrato deste tipo de mulher: sempre trabalhou e a filha de sete anos fica com duas empregadas. “Preciso de dois turnos de empregada”, contou. Tenho uma amiga que, mãe de 3 meninas, tem um turno de babá à noite (ela é dentista e o marido médico oncologista, ambos fazem plantões).
Ao contrário do que a gente imaginava antigamente, as mulheres que optam por ser mães sem deixar a profissão de lado são bem presentes. Não raro levam ou buscam os filhos na escola, sabem tudo da rotina, conhecem decor e salteado desenhos animados como quem está em casa. Mesmo assim elas convivem com algo que as mães que não têm uma rotina tão pesada podem não experimentar com tanta força: a culpa. Creio que toda criança é grudada na mãe, tem seus momentos de mimo e de chamego, mas para estas mães muito ocupadas tudo parece ser motivado por sua ausência. Em entrevista pelo Dia da Mulher, Maria Silvia (a que citei no começo do post) falou:
“Em primeiro lugar, é preciso não ter culpa. Minha postura é que meus filhos devem ter orgulho da sua mãe, que trabalha duro. Busco estar presente [...] e também que eles tenham a certeza que o trabalho é fundamental na minha vida, mas que eles serão sempre a minha prioridade”
E ela também ressaltava algo que eu considero fundalmental nas novas famílias (como a que Guilherme e eu formamos): a tendência de equilibrar mais as funções familiares entre o casal, de forma a que homens e mulheres possam ter as mesmas oportunidades em suas vidas profissionais. Mas é preciso ser muito organizada e construir uma infraestrutura adequada, no trabalho e em casa. Sinto muito isso na minha vida, na qual meus clientes. Não sou funcionária de nenhuma empresa, mas eu tenho clientes como Editora Abril, Kraft Foods e STB Brasil, e no acordo de trabalho que tenho com eles está claro que minha disponibilidade de tempo para atividades externas (reuniões, eventos, etc) normalmente está vinculada à rotina escolar dos meninos. Tenho demandas que fogem disso, claro. Para estas eu conto com o companheirismo do Gui, que assume as responsabilidades sem pestanejar e sem se chamar de “pãe” – e eu vejo o novo pai não como uma mãe num homem e sim como um homem de seu tempo, capaz de assumir todos os papeis que lhe forem exigidos.
Enfim, estou relembrando isso – e outras reflexões sobre a mulher atual devem surgir nesta semana – porque é Dia da Mulher e podemos reflexionar nesta data, que já foi marcada por situações muito endurecidas de luta por direitos e igualdade no século XX, que temos algumas batalhas já ganhas e que, graças a estas conquistas, podemos move on, seguir em frente de cabeça erguida, tendo a maternidade como um ativo (algo que nos diferencia positivamente) e não um passivo que temos que carregar como uma cruz.
Feliz Dia da Mulher
[E você, qual sua opinião? Participe comentando - e se for pai ou mãe, entre no nosso grupo do Facebook!
]


Na familia moderna não existe mais o antigo conceito de cabeça de casal, justamente no sentido de que as oportunidades devem ser iguais.
Assim, homens devem entender que não é tarefa exclusvamente feminina trocar fraldas ou preparar a mamadeira do bebê, se o casal decidiu ter filhos.
Penso que a culpa efetivamente é o meio inimigo da mulher, porque ainda existe uma forte carga emocional ligada à maternidade, no sentido de que foi imposto à ela, cuidar de todos os detalhes do desenvolvimento das crianças. Mas isso está mudando, em alguns anos será superado.
No entanto, isso cria um efeito colateral.
HOje em dia, pais estão delegando a educação de seus filhos às escolas ou a empregados. Veja bem, falei dos CASAIS, não apenas das mães. E isso está criando gerações de crianças que crescem sem afeto, achando que podem fazer tudo o que bem entendem, à guisa até da omissão dos pais. Penso que o grande desafio, além de vencer a culpa, é chegar-se a um meio termo, onde os PAIS tenham uma vida profissional plena, mas entendam e pratiquem a boa educação dos seus filhos, dando-lhes atenção, que não é substituída por escolas ou babás.
Gostei do texto, Sam! Mas eu acho que tem uma diferença muito grande entre as mães que ficam tantas horas longe dos filhos e, por consequência, terceirizam a rotina deles e aquelas que, total ou parcialmente, a realizam. Por mais “por dentro” que uma mãe possa estar do planejamento do dia-a-dia, ela perde os diálogos, as dificuldades em tempo real, as relações com os amigos, os olhares, os comentários dos envolvidos… Todos os modelos de maternidade e paternidade, tem suas vantagens e desvantagens, da minha perspectiva, não se pode colocá-los sob mesmas condições de convivência com as crianças.
Abraço!
Será que culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha? #diadamulher http://ow.ly/16Kgjr
Será que culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha? #diadamulher http://ow.ly/16Kgjt
Oi Sam, adorei seu post.
Passei pelas duas situações, quando eu tive o Gabriel, era muito nova, estava ainda me fortalecendo profissionalmente e era a principal provedora financeira, não pude me ar ao luxo de escolher, trabalhava o dia todo, e chegava em casa já na hora do jantar. Sempre conversava com ele sobre a escola, sobre o que ele tinha feito durante o dia, aos poucos minha carga horária foi diminuindo, mas só percebi realmente o quanto havia participado pouco da infância dele, quando eu tive a Júlia, como a gravidez entre ela e a Clara foram muito próximas, fiquei bastante tempo em casa, é outra história.
Hoje tento equilibrar um pouco, não deixei de trabalhar, mas limito as minhas atividades, quando chego tarde por vários dias seguidos, sempre acabo sendo tomada pela culpa… Bjs
Obrigada pelo post, estava precisando refletir sobre esse assunto!
[...] ou ainda médicas reconhecidas etc. Ora, é um absurdo que se inculquem nessas mulheres não só a culpa por não cuidarem full time de seus filhos como também a obrigação de terem que estar disponíveis para eles em [...]
A culpa da mulher/mãe que trabalha (por @samegui). Reli e percebi q sempre tenho novas considerações a fazer. http://ow.ly/2j6Rf #familia
RT @blogdati: A culpa da mulher/mãe que trabalha (por @samegui) Reli e percebi q sempre tenho novas considerações a fazer http://ow.ly/2j6Rf
RT @samegui: RT @blogdati: A culpa da mulher/mãe que trabalha (por @samegui) Reli e percebi q sempre tenho novas considerações a fazer http://ow.ly/2j6Rf
Em 2009 publiquei um texto em meu blog “filhos no século XXI” (http://vinculum.com.br/filhos/?p=368), que provocou muita ira. Nele eu busquei separar a função materna do conceito de “mãe” como a pessoa que deu a luz. A função paterna nos últimos séculos foi de prover financeiramente a família. Ao homem era dado um dia fora do trabalho “para que pudesse registrar o filho recém-nascido, no cartório”; de resto seu papel era prover. A FUNÇÃO de mãe prevê cuidados materiais (alimentação, higiêne) que podem ser delegados a terceiros, porém há muito mais e nossa sociedade parece não ter consciência disso. A função mais importante da mãe inclui toda a FORMAÇÃO de um adulto: o desenvolvimento físico, intelectual, emocional,e outros aspectos importantes como, por exemplo, os valores. Isso pode ser delegado? Obviamente que sim, porém, caso seja delegado, quem estará exercendo a função de mãe? A pessoa que realmente “cuida”. É possível exercer essas funções mais importantes estando distante fisicamente por mais de 8 horas diariamente? Não; não é possível.
[...] Um dos meus posts sobre maternidade X carreira favoritos escrevi no Dia da Mulher de 2010: Será que a culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha? Compartilhe:FacebookOrkutTwitter Share on [...]