Ser mãe não é mais ter o “avental todo sujo de ovo”
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 29/08/2008 |
Recebi há pouco um comentário num texto antigo no Desabafo de Mãe, chamado Caligafia e os Palms. Erick (sem sobrenome) me criticava por eu estar falando de uma mudança na educação focando simplesmente na realidade de escola particular que eu vivo, menosprezando a duríssima realidade das escolas públicas. Ao sugerir uma mudança (que se preocupem menos com caligrafia e deixem mais tempo para os alunos lerem, se aculturarem, pesquisarem) eu teria sido injusta e leviana, porque não considerei os problemas maiores que a educação no Brasil vive.
Bom, eu já fui voluntária em muitas ações sociais (não sou atualmente por pura falta de tempo) e praticamente só estudei em escolas públicas. Aqui mesmo, no blog, eu falo sobre educação com certa frequência. Mas como mãe eu não conheço outra realidade, eu só posso criticar e procurar melhorar a minha. Bradar contra as falhas do ensino público sem nunca ter visitado uma escola pública de são paulo (sou do Paraná e moro aqui há 4 anos) seria uma hipocrisia à qual não me atrevo.
Outra crítica dele me doeu de verdade. Como eu comentava no texto que a escola poderia se comunicar com os pais por e-mail (ou até bluetooth, brinquei, mas enfim, enviar os avisos de forma tecnológica também, porque a gente vê antes o e-mail do que a agenda do filho e não custaria nada nos brifar do conteúdo das reuniões!), ele me disse que ver os cadernos e agendas é “ser mãe”, como se por buscar mais tecnologia e praticidade eu estivesse deixando este papel de lado. Doeu e esta não posso aguentar calada, né?
Ser mãe não é mais ter o “avental todo sujo de ovo”! É ser profissional, atenta ao mundo, estar ligada na realidade profissional na qual os filhos estarão inseridos num futuro próximo. As mães da escola dos meus filhos são todas conectadas, a escola também, então não vejo motivos para eu “não desejar” que os comunicados se reciclem. E são estas mudanças em ambientes particulares que criam exemplos a serem seguidos nos ambientes públicos. Continuo querendo updates por e-mail, briefing e conclusões de reuniões e tudo mais que a tecnologia puder fazer para a comunidade da escola estar mais atenta, ser mais ativa e trocar mais.
Ontem eu estive numa reunião com o Secretario Municipal de Comunicação, Marcus Vinícius Sinval, e, num grupo de blogueiros, pude colaborar com idéias e sugestões para a democratização e o acesso real às informações públicas e uteis. Sem minha visão geek (inclusive como mãe e cidadã, não só como profissional) não creio que isso seria possível. Eu estaria ainda brigando por “livro prá comida e prato prá educação”, como diz a música dos Paralamas do Sucesso, discutindo o sexo dos anjos sem chegar a lugar algum nem contribuir de fato com uma melhoria da sociedade. E fazer isso definitivamente não combina comigo.
P.S. A reunião foi uma consequência da série de encontros que Manoel Fernandes, publisher da Bites, promove neste ano entre blolgueiros e empresários e neste período eleitoral foi ampliada para os candidatos a prefeito de São Paulo. Do encontro com Kassab surgiram algumas sugestões e o Secretário, que não estava presente na ocasião, quis nos encontrar ontem. Estiveram comigo Edney Souza, Wagner Fontoura, Helton Kuhnen, Juliano Spyer, Ricardo Cobra e Pedro Markun. Ainda vai render um post, prometo.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.




Sam, sabe que quando li o comentário do Erik, exatamente no trecho em que ele fala que “ver cadernos e agenda” é ser mãe, também pensei o mesmo que vc… “ser mãe não é mais ter o avental sujo de ovo”! É muito, mas muito mais que isso… é fundamental estar preparada para esse mundo cada vez mais tecnológico! Entendi o que ele quis dizer, mas concordo plenamente com você… não há como dar as costas para todas essas mudanças, é preciso atualizar-se sempre!
A diferença entre as pessoas que fazem diferença no mundo e aquelas que não fazem, ficou bem clara no comentário do leitor, Erick. Impressionante como ele pensa o mundo, como a minha avó (com todo respeito pois ela tem 93 anos) faria na época em que a minha mãe era criança. Alias a minha mãe, filha dessa, de 93 anos, que é uma senhora de 65 anos, e ainda é uma ativa profissional da educação, que devota a 45 anos o seu trabalho ao Estado, recentemente graduada Mestre em Educação pela UFPR e que no inicio do ano foi aprovada em mais um Concurso Público para coordenar cursos de reciclagem de profissionais da área – quero deixar claro aqui que estes profissionais são funcionários públicos – acompanha a evolução desses profissionais exclusivamente através da internet, com seções de chats, relatórios via e-mail envio de materiais e conteúdos, etc.?! Creio que este exemplo demonstra que a visão do Erick, além de preconceituosa é totalmente “over” (se é que posso usar essa palavra – alias Erick, over, significa ultrapassada, é uma expressão usual…mais isso deixa pra lá).
Todo mundo tem em casa um PC ligado à internet, até vc Erick, todas as escolas tem PCs na internet. Usar a tecnologia em nosso favor é ser inteligente, moderno e atual. Se ele prefere outras metodologias, é por opção.-
Sam,concordo com você. A realidade de hoje é essa e não podemos fugir dela. Nossas crianças estão ligadas a era da informática e por que não os pais (principalmente a mãe) estarem ligados também?
Claro, não é uma realidade para todos, como mencionou, mas atualmente a maioria das casas possuem computadores e estão inseridos nesse mundo. Até as escolas mais carentes, utilizam desse recurso para as aulas, como vejo aqui em Rondônia…
Segue um pequeno texto
” A ERA DA INFORMÁTICA”
Um certo dia, o inevitável aconteceu:
Uma velha máquina de escrever teve um triste destino, foi trocada por um computador.
Passeando pelo jardim da escola onde trabalhou por muitos anos, a velha máquina encontrou com o todo poderoso computador.
O computador falou:
— Quem é você, e o que faz aqui neste belo jardim?
E a velha máquina respondeu:
— Eu sou uma máquina de escrever, antes era eu quem fazia o serviço que você faz hoje.
— Hoje estou abandonada no arquivo morto da escola, vivo lá sozinha e solitária.
— Vim passear no jardim e recordar meu passado nesta escola, quando eu não tinha tempo nem para um lanchinho, pois a Dona Sueli, a secretária, não me dava folga, era trabalho o dia todo.
— Uh!!! Bons tempos aqueles!
E todo arrogante responde o computador:
— Mas como você pode dizer que fazia o serviço que eu faço?
— Eu tenho a capacidade de comunicação com o mundo, além de datilografar todos os documentos e ofícios da escola.
— Auxilio os professores nos conteúdos para ensinar os alunos e também ofereço diversão para as pessoas.
— E você, máquina, só vivia naquele mundo da secretaria, datilografando documentos, não se atualizou, ficou para trás.
— O mundo é dos espertos! O espaço fica para os mais criativos, os que são capazes de viajar pelo mundo globalizado como está hoje.
Continua o computador:
— E esse sou eu, levo o conhecimento às pessoas sem que elas precisem sair de suas casas.
Toda triste, responde a máquina:
— Chega! Você já me ofendeu muito por hoje, seu computador arrogante!
— Eu não tenho culpa de quando fui inventada, do ser humano não ter a capacidade e criatividade que eles têm hoje.
— Mas tudo bem, nada como um dia após o outro…
— Um dia, uma invenção mais poderosa e capaz vai ocupar o seu lugar.
Falando isso, a máquina voltou para sua solitária morada e o computador para junto de seus companheiros, na sala de informática, pensativo:
— O que será que a máquina quis dizer com isso!?
REFLEXÃO
Não devemos desprezar o que nos auxiliou no passado, pois tudo tem seu valor e importância no seu tempo certo, mas tão pouco devemos deixar de nos atualizarmos para enfrentarmos o mundo em que vivemos hoje. Cada dia ele está mais voltado para a informática e aparelhos eletrônicos, onde tem ocupado grande parte do mercado de trabalho, precisamos estar preparados para nosso futuro profissional que iremos concorrer junto com os demais profissionais.
Hoje o mercado de trabalho busca profissional com motivação, criatividade, qualificação, e claro, muita competência para desempenhar da melhor forma seu trabalho, aumentando assim a sua produção.
(Autora: Vera Lúcia Patriarcha)
(Direitos Autorais Reservados a Autora)
Guilherme assino embaixo do que você disse. Amém! Mas, não esquente, esse Erik não conhece a Samantha profissional e nem mãe… por isso…
Sam, definitivamente, eu não uso avental. Já tentei…rs…mas prefiro sujar a roupa do que ficar toda amarrada a velhos conceitos…rs…se é que me entende…rs…
Eu tento me comunicar por e-mail com a escola das crianças mas o retorno é bem aquém da minha expectativa.
Leio a agenda da escola todos os dias e faço mais bolos para meus filhos do que minha mãe fazia para mim…rs…
Perco a paciência às vezes, brigo, dou meus gritos. Nem sempre tenho disposição que preciso ter e busco forças não sei de onde. Às vezes, desabo. Mas ser mãe é algo tão extenso que fica muito simplista definir que boa mãe é assim ou assado.Boa mãe é aquela que erra, que acerta, que tenta, que se dedica aos filhos mas também se dedica a si mesma. Toma a frente de tudo mas solicita sempre o marido, cuida da alimentação da família mas não proíbe uma deliciosa batatinha frita num final de semana. Ser mãe é já nascer culpada e portanto se redimir de vez em quando, sabendo que somos as melhores mães que podemos ser. Eu, pelo menos, me sinto assim. Só posso ensiná-los a ser felizes se eu também for, só posso ensiná-los que na vida se erra e se aprende, se eu mostrar que também sou humana. E também deixar que a escola cumpra seu papel sem nossa constante interferência é importante, porque tem coisas que não cabe à mãe ensinar. E saber que estar longe dos filhos também pode ser bom para eles. E para ser boa mãe, eu não preciso ser a mesma mãe que a minha ou que minha avó foram. Vivemos em outro mundo e nem é nele que temos que ensinar nossos filhos a vive. Temos que ensinar num tempo que ainda está por vir, porque amanhã, não será mais como hoje.(isso eu aprendi na escola montessoriana ….:-D)
Beijos!
Sá,
Acho que há duas questões aí.
A primeira é a inclusão digital. Realmente, ainda não são todas as escolas públicas que têm rede de computadores com acesso à internet e nem todos os alunos destas escolas têm computador ou internet em casa. Mas vale lembrar que isto está mudando e que há programas dos governos (municipal, estadual, federal) para prover a inclusão digital de todos.
Outra coisa que é bom lembrar é que são justamente os alunos das escolas públicas os que mais precisam ter na escola acesso às ferramentas da informática e da web, pra que possam se preparar para competir em iguais (ou pelo menos, menos desiguais) condições com os alunos das escolas particulares, quando ambos forem disputar uma vaga no vestibular e no mercado de trabalho. O fato de as escolas terem outras questões cruciais a serem resolvidas – e elas têm mesmo – não as redime da obrigação de se reciclar e evoluir para atender as demandas do mundo moderno.
A outra questão é sobre o papel da mãe. Faz muito tempo que ser mãe não é mais ter o avental sujo de ovo!!! A participação da mulher no mercado de trabalho cresce a cada dia e não é porque resolvemos trabalhar fora como os homens, que somos “menos mãe” do que aquelas que ficam o dia todo trabalhando em casa. Acho que nem cabe discutir isso, né? Todas têm seus méritos e cada uma escolhe aquilo que melhor se encaixa ao seu perfil, à sua personalidade e às
suas possibilidades. E tenho certeza de que cada uma está dando o melhor de si na difícil tarefa de bem criar e educar os filhos – e eu não vou poder deixar de falar: tarefa esta que, nos dias de hoje, já deveria ser igualmente compartilhada por pais e mães. Eu diria que hoje, só há 3 coisas que os pais (homens) não
podem fazer: gestar, dar à luz e amamentar. Todo o resto eles são capazes de fazer, inclusive, olhar o caderninho de caligrafia das crianças!!!!
Oi, Sam. Eu nunca fui uma mãe de avental, muito menos sujo, ou melhor, agora estou de avental e sujo e, vou te contar, não é fácil. Help!
Não me conformo do homem fazer viagens espaciais e a mulher ainda se ralar com serviços domésticos, sem um aparelho decente para ajudá-la (exceção para a máquina de lavar roupa, que ajuda de verdade, o resto é resto mesmo). Quem passa? Quem limpa? Quem arruma? Bah! Bom, não fui mãe de avental, não sou, estou e espero que isso seja muito passageiro, porque é realmente insuportável.
A realidade brasileira é triste. O público é desorganizado, desgovernado, corroído e corrompido e o particular está tentando tomar o mesmo caminho. Enviei um e-mail para a faculdade do meu filho no ano passado e nunca obtive resposta. E, olha, é uma instituição modernizada e bem-conceituada. O que falta ao brasileiro, de modo geral, é vontade de ser melhor no que faz. É medo de ser excelente e de acertar. Aqui as pessoas têm medo de serem boas no que fazem ou, vai ver, acham que não precisam. Não sei ao certo qual é o lema, mas é estranho. Sei que mãe é mãe, seja de avental ou sem, geek ou não e que uma pode desempenhar inúmeros papéis dentro de uma família, enquanto o pai, ah, o pai… muitos, além de não olharem agendas e não saberem se comunicar, ainda não trazem o sustento dos filhos. Diga aí, isso faz deles menos pais?
Beijos e bom fim de semana.