Respeito e personagens de HQ
Postado em from posterous no dia 23/07/2007 |Estou em licença-médica tratando uma sinusite e outras “ites” em decorrência de uma gripe
mal-curada. Ficar sem trabalhar significa ficar sem usar o computador, ou, como diz o Giorgio, “ficar liberada”. Mas como abri o Desabafo de Mãe e lembrei que tem texto meu como manchete hoje, vou deixar uma palhinha e um convite para que todos possam conferir.
Aqui em casa, com meus filhos saindo da primeira infância e já trazendo muito comportamento e valores dos colegas de escola e dos desenhos animados, a palavra que mais tenho tido que enfatizar é respeito. Conceito difícil de impor, mais ainda que os limites, porque precisamos sempre repetir, nas varias situações “sociais”, o que seria indicado.
Por exemplo, não se pode usar “fala sério!” com a vizinha de setenta anos, mas eu não posso simplesmente proibi-los de usar gírias no cotidiano, sob o risco deles ficarem uns “adultinhos” que não se encaixam na própria idade. Então entra o respeito e noção de diferença: com a fulana, por ser uma pessoa mais velha e formal, não pode. Com os amiguinhos da mesma idade, pode.
Mas o mundo hoje é diferente do meu. Quando era criança eu chamava as professoras de senhora, mesmo sendo jovens. Enzo fez jardim 2 e primeiro ano do ensino fundamental com uma professora que era informal (e uma excelente professora!), e os liberava para chamá-la como quisessem. Eu logo chamei atenção quando ele chegou em casa e falou da “Pro”… mandei chamar de Catarina. Ela me respondeu que não se incomoda, que podiam chamar de Cata, Pro, o que quisessem… Noto que todas indicam apelidos para eles, assim se aproximam. E eles apreciam esta intimidade.
Intimidade não é inimiga do respeito. Deveria ser uma aliada, mas não é fácil para os pais atualmente encontrar o meio termo. Como o Giorgio ainda é pequeno, procuro uns exemplos acessíveis para ele entender as situações e Enzo acaba entrando no jogo comigo. Como já comentei aqui, passamos parte do tempo livre juntos lendo gibis e vendo desenhos de super heróis. De uns tempos para cá, conforme fui vendo que o Giorgio se envolvia muito com a Turma da Mônica, comecei a conversar sobre as atitudes dos personagens.
A turminha, como muitas coisas da nossa infância, não tinha nada de “politicamente correto”… pelo contrário, eles são terríves! Chico Bento cola nas provas, engana os pais para ir pescar, rouba goiabas e o vizinho lhe manda chumbo (literalmente). Mônica bate em todos os meninos da rua e os obriga a fazer suas vontades (quantas vezes eles brincam de casinha forçados, com olhos roxos?), e nunca vi os Souza pais chamarem a atenção dela.
Nem os da Magali, que deve ter uma síndrome! Se uma criança comesse o lanche do seu filho, você acharia certo? E por aí a turminha vai… o Cascão, eu sempre digo, se fosse mesmo daquele jeito ou já estaria no hospital internado com doenças graves ou seus pais estariam perdendo a guarda dele por descuido. No turbilhão de estorinhas (divertidas claro, como tudo que não é politicamente correto!) nós conversamos sobre os valores e atualmente mais que tudo sobre o respeito aos outros, às diferenças, às regras sociais.
Outro dia estava lendo o blog Carpe Diem, da colega de Desabafo Emanuelle Albuquerque, e ela falava sobre o livro Pollyana que resolveu reler recentemente. Eu tinha lembrança do jogo do contente desta mocinha tão boazinha que era chatinha, mas a Manu comentava vários conceitos preconceituosos do enredo. Dei risada sobre a Pollyana, pois, por ser muito aquariana, nunca gostei muito deste personagem (risos).
No entanto, como comentou a Manu, ainda indicam este livro e sem pensar que, como Tom Sawyer e Huck Finn, de Mark Twain, não tem nada de politicamente correto! Mas será que dá para obrigar os filhos só ao politicamente correto?
Fomos a um evento da Editora Cosacnaify há alguns dias sobre o livro Capitão Cueca, que é outro destes nada corretos, mas divertidos sob o ponto de vista infantil. E que como o Tom Saywer ensina a criança a sobreviver às adversidades.
Atualmente tenho desafios com o Enzo no início do ensino fundamental que me forçam a apresentá-lo a histórias que são de enfrentamento, porque já passamos por alguns casos (suaves) de bullying, a agressão/perseguição física ou verbal por colegas. Nesta hora, a gente pensa na hora: vamos ver Karatê Kid, quem sabe o mestre Miyagi ensina a reagir? (risos)
No segundo grau fiz um debate sobre politicamente correto… era época disto nos EUA, ainda se pensava que um dia chegaria a estas paragens! Pensei: puxa, nós sobrevivemos, tantas de nós foram apresentadas à Pollyana por nossas mães (creio que quase todas as atuais avós leram este livro), sobrevivemos e estamos fazendo nossa parte sendo cidadãs corretas.
Quando vejo as crianças interagindo nas festas de escola ou de aniversário vejo que eles brigam, mas se dão bem e, conversando com os amigos de meus filhos, noto que eles sabem o que deve ser feito, o certo e o errado, então, fico resignada e concluo que temos ainda que confiar no futuro e pensar de forma rousseauniana, que todos temos em nós o quê bom do Emílio!
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.




Oi Sam!!!
Passei pra dar um alôzinho pois não te ví na net!
Boa recuperação, flor!
bj
oi Amiga, espero que suas “ites” se curem rapidamente…afinal mãe pode ficar doente?!! risos, deixei um comentário lá no portal e coincidentemente escrevi no “meu” blog sobre as difererenças retratadas nos filmes de animação.
beijos com carinho e melhoras
Si
Sam,
Li seu texto no Desabafo e gostei muito. Só não deixei comentários porque não ando lá muito inspirada, você sabe.
Mas quando li aqui que você está de licença-médica, resolvi deixar pelo menos um abraço e um “estimo melhoras” pra você!
Obrigada pelo imenso carinho neste momento difícil pra mim.
Beijo grande,
Andréa
Sam, li teu excelente texto no “Desabafo”, e fico aqui pensando o quanto é difícil transmitir valores às crianças, e ao mesmo tempo prepará-las para enfrentar a “selva” que é o mundo atual. Gostei também de ver tua foto com as tuas 2 fofurinhas. Espero que sare logo. Um beijo.
Quero propor uma parceria entre nossos sites, por favor envie um e-mail para websapiens@websapiens.net
Um abraço,
Diego Soares
http://www.websapiens.net
Sam, que giro (sem piada). Também eu tenho “ites” várias que me atormentam amiúde: ora quando é mt calor, ora quando é mt frio, ora quando chove, ora quando faz sol. Aqui em Portugal mandam-se fazer “termas”. Mas ainda não arranjei nem tempo, nem paciência…
bj grande as melhoras
Queridas amigas, estou de volta ao computador (que quer dizer trabalho) e fiquei muito contente com seu carinho na minha ausência!
A sinusite está mais leve e as outras ites se foram. A vantagem dos dias sem trabalho foi curtir o Pan na companhia dos meus amores mirins em dois dias de chuva que convidavam para a preguiça.
Sam queridíssima.
fiquei sabendo da doença lá no blog do Desabafo… se cuida amore, se cuida.
bjs (saúde!)
É Sam… Fiquei pensando na quantidade de coisas que tive influências que não era politicamente corretas e cheguei a conclusão de que eu não me colocava no lugar dos personagens. Não via o Cascão e me imaginava no lugar dele, não me propunha o mesmo estilo de vida.
Não entendo de psicologia, mas a coisa da caldo para longas conversas… A voz da sabedoria (pai e mãe) acabam por dizer o que é legal ou não fazer.
Respeito e personagens de HQ http://bit.ly/gZ2xkz – ou sobre como @mauriciodesousa e Mark Twain ajudam a educar com seus "deseducados"
Oi Sam,
também sempre achei a Pollyana uma chatinha de galocha. Só não tinha associado ao fato deu eu ser aquariana. Será?
Eu li Tom Sawyer e vi o filme quando criança. Assim que cheguei em casa, fui com o meu amigo que viu o filme comigo, fazer uma jangada para atravessar o pântano que tinha lá na Vila em São Pedro d’Aldeia. Não esqueço dessa aventura e da bronca que levamos da minha mãe. Politicamente incorreto, ou não, o Tom Sawyer me traz boas recordações. Quando a Ana Luiza teve que ler o livro na escola e estava achando um “saco”, foi esse minha história que a animou a lê-lo.
Acho que essas histórias politicamente incorretas servem para ensinarmos e aprendermos o que é mais correto dentro nos nossos valores.
Respeito é tudo. E ensinar é repetir milhões de vezes. Nossa, repito muito por aqui.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/