Quintana no Paraíso
Postado em poesia, são paulo no dia 26/02/2008 |
Na volta do passeio pelo Masp sábado me deparei com uma mini-exposição sobre Mario Quintana na estação Paraíso de metrô. Tirei duas fotos, uma do poeminho do contra, meu favorito, e outra deste soneto ótimo:
AH! OS RELÓGIOS
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios…
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são…
A Cor do Invisível
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





Mario Quintana in English
Ah, Watches! (Ah, os Relógios!)
Friends, to consult your watches will be useless
when, someday, I am gone from your lives
so lost in solving futile problems to survive
they seem to be obituaries in progress.
For time is an invention of death;
it is unknown to life, true life, that is,
when a single moment of poetry
is enough to give us all of eternity.
All of it, yes, because eternal life
can only by itself be divided;
it cannot be apportioned, bit by bit.
And the Angels trade looks of bewilderment
when someone —himself again, in the afterlife—
happens to ask them: “What time is it?”…
(translated by John D. Godinho)
Ah, Watches! in The Color of the Invisible