Queridos amigos

Posted by Sam Shiraishi on Feb 18, 2008 in TV, cotidiano e sociedade, relacionamentos |

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=J9j4DhEjZFE]

Estou acompanhando o blog da missérie que estréia hoje na Globo, Queridos Amigos. Gui e eu vimos chamadas nos intervalos do Jornal da Globo e a imagem de amigos correndo na praia, num reveillon, com música da Elis (é ela mesmo?) no fundo, nos deixou curiosos e foi ele quem me pediu para saber do que se tratava. Todos sabem que gosto de TV (mesmo sem ver novelas das oito há anos) e esta mistura de nostalgia e amizade é a minha cara. Estes anos obscuros que o seriado vai mostrar foram os da nossa infância e começo de adolescência dos dissabores que vimos nossos pais e tios passarem. Para alguns será um retrato da própria vida, para outros a imagem de pura ficção.

O epicentro da história está em Léo, personagem que reune os amigos depois de muitos anos separados e tenta fazer com que todos realizem seus sonhos. Quem o interpreta é Dan Stulbach, sobre quem já falei da minha simpatia, e que foi responsável pela produção da minissérie, baseada em livro de Maria Adelaide Amaral. Ele falou sobre o livro dela, “Aos meus amigos”, disse que ele daria uma boa minissérie. Pouco tempo depois, a autora ligou para o ator dizendo que transformaria o livro numa minissérie.

Quem esteve na coletiva no há uma semana afirma que a série tem tudo para dar certo:

“Do pouco que se viu pode-se perceber a delicadeza no tratamento das cenas, não só a preocupação estética, mas pela sutileza com que a direção – e o elenco – soube fugir das fórmulas óbvias e dos chavões. Isso fica evidente no tom dos atores, na edição que intercala cenas de ficção à outras reais – garimpadas dos telejornais de 1989 – e na emoção evidente, que transborda sem jamais ser excessiva.”

Ano das primeiras eleições diretas no Brasil depois de 30 anos, fase em que o mundo digeria a Perestroika e assistia ao Massacre na Praça da Paz Celestial, antevendo mudanças bruscas na geopolítica européia (queda do Muro de Berlim, antevia-se a dissolução da Iuguslávia), 1989 foi marcante para mim também, pois neste ano deixei de morar com minha mãe e irmãos e passei a levar quase que uma vida de república com meu pai divorciado - que trabalhava muito - e descobri a política (fui da Juventude Comunista um dia, risos), as ONGs, militei pelo voto aos 16 anos, aprendi violão, fiz muitas amizades com intercambistas estrangeiros (uma delas uma alemã, minha amiga até hoje, que se ressentia muito por não ter estado em seu país naquele ano) e descobri o mundo. Um mundo que ainda era triste e se dividia não mais em esquerda e direita, mas em velhos marxistas e novos yuppies, sem espaço para quem não sabia ainda o que queria ser.

E você, o que fazia em 1989?

P.S. O herói da história é inspirado no amigo da autora, Décio Bar, um jornalista, poeta e militante político que se sucidou em 1991. Como conta em entrevista, eles tinham sido “unha e carne em 1960, no Colégio Estadual de São Paulo. Aluno do 3º científico, ele percebeu na mocinha do 1º clássico uma pupila em potencial. Apresentou-lhe, então, livros de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Albert Camus. Cabulavam aulas para assistir a filmes franceses no Cine Coral, na Rua Sete de Abril, ou recitar poesias no Viaduto do Chá. “Estávamos juntos de segunda a segunda, mas jamais namoramos”, afirma, categórica.

Tags: , , , ,

No Comments

titacoelho
Feb 18, 2008 at 8:40 am

Sam, apesar de não olhar muita televisão; fiquei com vontade de assistir essa minisérie! Vou ver se consigo ver!
beijos

[Reply]


 
Andréa
Feb 18, 2008 at 1:55 pm

Sá,

Eu tinha visto a propaganda desta nova minissérie na TV e, vendo Dan Stulbach e um outro ator com barbas enormes e um visual meio “das antigas”, pensei: “Essa minissérie deve ser de época…” Aí, venho aqui no seu blog e vejo que a “época” é 1989!!! Huahahaha! Que horror! Eu achando que a minissérie era “de época” quando, na verdade, eu já tinha meus 16 anos naquele ano! Acho que estou ficando velha…

Beijão.

[Reply]


 
“Queridos Amigos” « Acqua
Feb 19, 2008 at 1:34 am

[...] Acabo de ler sobre a série lá no Blog da Sam . [...]


 
Carlos
Feb 22, 2008 at 5:08 am

Esta minissérie global é uma cópia do filme inglês Para o resto de nossas vidas. Infelizmente a versão tupiniquin do clássico inglês é de baixíssima qualidade.

[Reply]


 
Ricardo
Mar 1, 2008 at 3:08 am

Concordo, Carlos, essa série é uma cópia descarada do filme “Para o resto de nossas vidas” que, por sinal, é muito bom.

[Reply]


 

Reply

Copyright © 2008 A vida como a vida quer All rights reserved. Theme by Laptop Geek.