Quadrinhos para adultos

Ontem uma conversa (daquelas que fazem a vida valer a pena) com @souzacampus e @gnsbrasil relembrei HQ’s que li e conheci com meu irmão. Herman é cinco anos mais novo que eu e sempre compartilhamos uma afinidade: os meios de comunicação. Dono de tirocínio invejável e de uma criatividade encantadora, ele foi uma criança maravilhosa de se conviver. Desde que ele tinha uns 5 anos criamos o hábito de ver juntos clipes (no videoclipe, da Globo, depois da MTv), conversar sobre revistas em quadrinhos, publicidade, revistas. Éramos tão amigos que quando ele começou a se interessar por Playboys (aos onze, doze anos), eu lia as revistas e conversa com ele sobre o que víamos.

Se eu o apresentei ao mundo da música e do cinema (sempre mesclados, pois não concebo filme sem trilha sonora), ele me ensinou a apreciar os quadrinhos. Das oficinas e visitas frequentes à Gibiteca de Curitiba e à Ichiban (quem lembra deste lugar perto do Cefet onde se reunia esta tribo urbana?), ele aprendeu muito cedo a apreciar a arte dos quadrinhos e foi compartilhando um a um comigo. Quando fiz trabalhos sobre quadrinhos na faculdade, foi ele meu consultor e Batman (creio que Legends of Dark Knight) foi meu tema de trabalho. Ele ainda tem estas coleções incríveis e são as únicas coisas organizadas da sua vida – sim, nós dois saímos com défict de organização, estes genes ficaram em dobro para nossas irmãs! Então, ontem, ao assistir o trailer do Watchman e conversar com Edu sobre o trabalho incrível que tem sido feito nas produções (e como ele frisa, nas prós-produções) de 300, Sin City e The Spirit, tive saudade do Herman e das conversas que não temos mais. ;)


Sin City foi uma das surpresas que eu tive em termos de adaptação  de HQ. Não vi o filme no cinema – um arrependimento que carrego até hoje – e, mesmo não sendo uma fã em especial destes quadrinhos, gostei do resultado neo-noir, com um elenco que agradou e surpreendeu (lembram da Alexis Bledel no filme, quebrando todos os paradigmas criados com a personagem Rory de Gilmore Girls?).  

300, cujos quadrinhos sempre me agradaram -sem falar na história dos gregos contra os persas, eterna fonte de inspiração da humanidade – fizemos questão de ver no cinema. Não me arrependi. Gerard Butler estava ótimo e, mesmo com as críticas ao Rodrigo Santoro como Xerxes, eu gostei do filme.  Algumas cenas repetiam tão perfeitamente os quadrinhos que me emocionava no cinema. Mas é preciso ter lido antes, pois Gui, que me acompanhava na sessão, não teve o mesmo impacto, apesar de ter gostado do filme.  

Watchman, a grande estréia da semana no Brasil, é um dos quadrinhos que eu nunca li e sinto-me incapaz de falar sobre ele. Mas deixo um convite para lerem o post Watchman – Allan Moore e Dave Gibbons – 12 edições – Passe aqui antes de passar no cinema! que nos situa sobre a importância destes quadrinhos e explica porque devemos lê-los antes de ir ao cinema. ;)

The Spirit, cujo trailer também vi nesta semana, deve agradar quem viu os outros filmes. A versão versão para o cinema tem assinatura de Frank Miller (autor de Batman – O Cavaleiro das Trevas, Demolidor e Sin City). Nas imagens de divulgação nota-se claramente as mesmas técnicas empregadas em Sin City, prometendo uma visão particular da personagem, o que não deixa de ser interessante, tendo em vista sua capacidade de inovar personagens clássicos.

Mas, como sempre, os pais devem observar: estes quadrinhos não são para crianças. O enredo é adulto e os temas são duros. Os personagens são como Denny Colt (The Spirit), um homem que foi considerado morto, mas que na verdade vivia secretamente como um anônimo lutador no mundo do crime, e os temas mais frequentes destas obras são crime, romance, mistérios, horror, comédia, drama e humor negro.

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5 Comentários

  1. Cyn Cardoso Disse:

    Sou fã da quadrinhos desde pequena também, junto com meu irmão e primo. Tipo de paixão que não apaga com o tempo.
    Ótimo post! Beijos

  2. Meu Google Reader [07.03.09 - 26.03.09] | 30 & Alguns Disse:

    [...] Quadrinhos para adultos – A vida como a vida quer [...]

  3. Nak Disse:

    Eu certamente influenciaria meu filho a ler esses quadrinhos. Eu mesmo li a Piada Mortal e Watchmen com 13 anos de idade, e li o Cavaleiro das Trevas ainda mais novo, e nao tive pesadelos nem nada, pelo contrário, eles me motivaram a ler, já que eu nunca tive saco para turma da mônica ou x-men. Embora mesmo x-men tenha tido otimas historias, como “dias de um futuro esquecido” e a saga inferno.

  4. Vale a pena ver o filme do Wolverine no cinema? | A vida como a vida quer Disse:

    [...] Coisa de criança, podem pensar alguns. Ledo engano. Estes desenhos e suas versões para o cinema são para adultos e, na minha opinião, só podem ser liberados para [...]

  5. Victor Hugo Disse:

    Oi Sam Shiraishi,

    Sei que demorou, mas graças ao sistema de estatísticas do WordPress que pude ver que vc referenciou nosso texto sobre Sin City no seu blog, fiquei muito muito feliz. Espero que possa se divertir lá no Ao Sugo sempre. Bons sonhos,

    Victor Hugo

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