Plástico verde é ótimo, mas não deve ser desculpa para consumir em excesso!
Postado em Consumo Consciente, Sustentabilidade no dia 29/08/2011 |Não é de hoje que acompanho o movimento para produção de embalagens com novos “ingredientes” que sejam menos nocivos à sociedade. Eu fui uma criança que viveu a mudança da indústria para reduzir o uso de gás CFC (que afetava a camada de ozônio) e sabão e (e outros produtos) não biodegradáveis, mas ao mesmo tempo viu a sociedade que insistia nesta mudança passar a consumir produtos totalmente descartáveis de plástico no lugar dos vidros de bebidas e das embalagens de papel.
Por conta disso é que quando vejo notícias como a que fala do plástico verde (que a Coca-Cola também tem, a Plant Bottle), vejo com satisfação pelo avanço tecnológico, mas com apreensão sobre seus resultados no inconsciente do consumidor. Será que por sabermos que o iogurte tem garrafinha mais “verde” as pessoas vão comprar mais, optar menos por embalagens família (que são uma grande alternativa, com o perdão do trocadilho) e passar a descartar indistintamente estas embalagens?
Toda esta reflexão veio por conta da notícia do lançamento do “Polietileno Verde I’m greenTM”, um bioplástico derivado da cana-de-açúcar com certificação internacional que passará a ser usado nas embalagens de Danoninho Leite Fermentado e Activia para beber. Eu conheço a Danone e sei que eles têm um grande e antigo trabalho em busca de novas tecnologias. A grande novidade é que estas novas embalagens fazem parte de uma meta global de reduzir em 30% as emissões de gás carbônico no período de quatro anos (2008-2012) e do investimento no desenvolvimento de novas tecnologias e inovações em seu portfólio. Há também notícias de iniciativas com redução de resíduos e embalagens, do consumo de energia e água, além otimização da rede de logística.
A denominações são variadas – plástico verde, biopolietileno ou PE Verde – mas o produto é o Polietileno de Alta Densidade (PEAD), que traz em si uma tecnologia inovadora desenvolvida a partir da cana-de-açúcar pela empresa brasileira Braskem e desde o início de 2011 começou a ser adotada pelo Grupo Danone – e está nas prateleiras de lojas de países como Estados Unidos, Alemanha, França, Bélgica e deve ser lançada também no Canadá e na Polônia.
E quais são as vantagens deste plástico verde?
Desenvolvida a partir da cana-de-açúcar, fonte 100% renovável, calcula-se que para cada tonelada da resina verde produzida são capturadas e fixadas até 2,5 toneladas de gás carbônico (CO2) da atmosfera.
Segundo os responsáveis, a olho nu os frascos não apresentam diferença alguma, mas do ponto de vista prático, a distinção entre as embalagens tradicionais e as novas embalagens se dará por meio de um “selo verde” usado para caracterizar o plástico verde produzido pela Braskem, o I’m greenTM . “O uso desse selo exige o cumprimento de regras que buscam respeitar a transparência na comunicação ao consumidor, como por exemplo, informar o mínimo de conteúdo renovável nas embalagens dos produtos”, afirma a Danone.
Na verdade, a grande diferença está nas vantagens oferecidas ao meio ambiente com a diminuição na quantidade de CO2 emitido durante o ciclo de vida dos produtos, desde a produção ao descarte. Segundo a empresa, a adoção do plástico verde representa uma redução de aproximadamente 20% das emissões de CO2 do Activia e 30% no Danoninho. E como eles calculam isso? A empresa francesa desenvolveu uma metodologia exclusiva denominada DanPrint (Danone Carbon Water Footprint) para avaliar o ciclo de vida de seus produtos, mensurar e colaborar com a redução contínua das emissões de CO2 da companhia. Esta tecnologia para redução de embalagens já estava presente nas do tipo termoformados (bandejas). Conhecida por FOAM, do inglês ‘espuma’, devido à introdução de ar (O2) em sua composição, a tecnologia permite reduzir em até 19% o peso das embalagens dos produtos envasados em bandejas – estas representam cerca de 55% de todo o volume de produtos da empresa.
Mas, como falei no começo do post, a matéria prima não pode ser motivo para nos tornarmos consumidores cegos e desarvorados, pelo contrário, deve ser o grande apoio para uma mudança na postura que tomamos quando vamos às compras. E que, além de optar por marcas que demonstram real interesse em mudar sua conduta, devemos também nos habituar a consumir de forma consciente e adotar a mesma postura adequada com o descarte dos reciclaveis, independente do tipo de plástico envolvido.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.






Ótima dica da @samegui: "Plástico verde é ótimo, mas não deve ser desculpa para consumir em excesso!" – http://t.co/DT8z50b
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