Paciente expert
Postado em Saúde e Bem Estar no dia 14/04/2009 |
Eu estou de molho por alguns dias, uma infecção urinaria que se agravou. Com dor nos dois rins, não aguento ficar sentada, então, imagina como está sendo né? Engraçado que na semana passada eu já sentia que mesmo ficando em pé de salto eu estava mais confortavel do que sentada, mas achei que era muscular… este achismo me fez minimizar e piorar tudo.
Começou assim: senti ardência para urinar, me automediquei. Em poucos dias aliviou e eu me tranquilizei. Três dias depois comecei a sentir uma dor na lombar e acreditei piamente que era um mal jeito nas costas – cheguei a comentar com algumas pessoas na quarta-feira de manhã (no Brunch do Boticário) que eu tinha ficado muito tempo torta no sofá com o notebook e que eu precisava de uma mesa nova para trabalhar em casa! Enfim, só quando reuni os sintomas eu percebi que era sério. Nesta hora me vi num seriado do House! kkkkk Fiquei pensando que os sintomas não batiam e tentei pensar, junto com Gui, nas peças do quebra-cabeças de sintomas e histórico para entender o que me acometia. Lembrei de anotar tudo, inclusive os horarios em que aferimos a temperatura para acompanhar a evolução da febre. Mas, quem pode fazer o diagnóstico foi um médico de verdade. Eu só atrapalhei o meio-de-campo.
Por que? Além de me autodiagnosticar e automedicar, me apoiei demais no meu pseudo-conhecimento médico. E estou aqui, acamada, sofrendo as consequências disso! Uma particularidade do meu caso é que fui convidada há algumas semanas a participar de um projeto em mídia social que trata exatamente do Paciente Expert. Embora o acesso a informações médicas tenha facilitado a relação médico-paciente nos últimos anos, ajudando até em dignósticos, corremos vários riscos quando buscamos informações sobre as enfermidades na internet. A web pode complementar informações – e no meu caso, desta vez nem foi a web, eu comprei um remédio que minha mãe me dava quando eu era adolescente – mas não devemos deixar de procurar um médico porque ele tem a formação, é o profissional da área. Aqui falo como irmã de médica, aliás, uma irmã que levou vários puxões de orelha.
Uma pesquisa realizada pela Fiocruz sobre o tema demonstrou que . Embora a pesquisa já seja meio anacrônica (em termos de internet, dois anos são muito!) porque analisou opiniões de autores que publicaram artigos sobre o tema entre 1997 e 2005 em duas importantes revistas acadêmicas da área (Social Science and Medicine e Sociology of Health & Illness), as conclusões eram de que, mesmo na vigência de exclusão digital da época, o Brasil já começava a vivenciar esta realidade e um modelo de paciente expert surgia aqui.
(Explico minha opinião sobre a pesquisa ser meio anacrônica porque a explosão de vendas de computador ocorreu exatamente a partir do Natal de 2007, com os planos de banda larga se popularizando e tornou o acesso à internet mais habitual.)
A doutoranda Helena Beatriz da Rocha Garbin, a médica Maria Cristina Rodrigues Guilam, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), e o historiador André de Faria Pereira Neto, da Casa de Oswaldo Cruz (COC) conduziram o estudo para traçar o perfil do paciente expert , aquele que busca ativamente informações sobre sua doença (ou a de um familiar), sintomas, medicamentos, tratamentos e custos. Publicado no periódico Interface – Comunicação, Saúde, Educação (explicado no Diário da Saúde), analisou artigos que discutiam as possíveis conseqüências que fenômeno paciente expert poderia ter sobre a profissão médica ou o saber médico.
O interessante é perceber que, ao longo de 8 anos, muitas idéias passaram pela cabeça dos autores dos artigos. Uns apostavam que as informações da internet reduziriam o status do médico (tirando o monopólio do poder do conhecimento), outros que o paciente expert fortaleceria a profissão e o saber do médico porque aumentariam a confiança no conhecimento apresentado (e as informações da internet serviriam mais para complementar o que o médico diz do que para colocá-lo em xeque). E um terceiro grupo era composto de artigos médicos que não fizeram prognóstico definitivo, deixando em aberto duas possibilidades: o desafio ou a preservação da autoridade do médico em função do tema em questão e do momento histórico da análise.
Devo admitir que, embora como mãe eu não dê uma de especialista quanto a prescrever medicamentos (juro!), eu sou uma paciente expert. Quando começo a falar os sintomas, relatar tudo, relacionar históricos, inevitavelmente o médico que atende aos meus filhos para e me pergunta: a senhora é parente de médico? kkkk Rio, confesso que sou e às vezes até admito que também sou uma curiosa e autodidata. Em geral os médicos me fornecem informações de boa qualidade e, salvo raros casos, noto que meu interesse abre discussões sobre diagnóstico, tratamento e resultado. Enfim, me sinto respeitada e espero que os médicos se sintam valorizados em seu conhecimento também. Mas se todos tivessem esta relação com os médicos, não seria possível atender tantos pacientes por turno, não é mesmo?
A postura menos passiva é boa, mas vale lembrar que não devemos abusar. Os pesquisadores alertam que alguns sites, comunidades virtuais e blogs podem ser simplesmente veículos de empresas comerciais disfarçados. Por trás das informações podem estar a divulgação de medicamentos, novas tecnologias ou mesmo de valores que levem os usuários a buscar seus produtos.
Foto: Stehoscope - A doctor’s hand sticking out of a laptop, uploaded by yanc on StockXpert. E Two little girls playing doctor – Two little girls in a medical office playing doctor, uploaded by imagepoint.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





Sam, desejo melhoras!
beijoss
Eu confesso que não gosto de médicos e tirando uma dor de cabeça ou outra (reflexo de muito tempo diante do computador) não tenho motivos para recorrer a tal procedimento, mas confesso que quando senti dores renais há alguns anos atrás corri para o médico para constatar o que já era esperado. As dores foram cruéis, era difícil até de respirar, mas no meu caso a solução foi caseira mesma. Chá de ervas (com gosto horrível) nada de leite, feijão, açúcar, chocolate (foi de matar essa parte). Mas passou e nunca mais tive isso novamente. Amém. rs
Melhoras
Menina, que perigo isso! A gente acha que consegue se cuidar, e acabamos nos expondo demais, né?
Melhoras – e obedeça ao doutor! =D
beijo
Pois é, dona Sam, eu tb tenho a mesma mania, mas desisti quando fiquei mal há uns tempos. Agora quando eu fico com algum sintoma de mal estar e em um dia não sei o que é, corro para o médico.
Na semana passada tive uma crise forte de estômago e fiquei meia hora sofrendo de dor pra chegar no hospital e tudo passar com uma simples injeção. Às vezes são coisas simples e pensamos que podemos cuidar nós mesmos, mas não!
Já desejei melhoras, mas aqui fica um reforço e esteja de volta à ativa logo, mas espere ficar 100%, hein?
Bjos
Sam, melhoras!
Realmente a você é a pessoa mais geek que conheço. Para saber notícias dela, recebo um link. :0)
Melhoras, menina!
Ai Sam eu morro de medo de auto medicação, trabalhando em UTI vi um colega da ambulância ter uma parada, ser entubado por causa de um remédio pra gripe desses que passam a propaganda na tv toda hora! Auto medicação num país com uma estrutura de saúde onde o funcionário d eum hospital, como o que trabalho enorme diz a um funcionário que passa mal e não tem convenio que ele deve buscar um posto de saúde é pra matar…
Mas passei memso pr asaber noticias e ve rse estás melhor! To mandando energias boas pra ti!bjks
Desejo recuperação rápida, Sam.
Já tive isso, e cheguei a urinar sangue, e como de praxe, comecei tmbm, com auto medicação. Infelizmente a pior forma de se aprender algo, mas foi uma grande lição.
Não existe nada melhor que saúde.
Um beijo, querida
OLÁ, SAMANTHA!! QUE BOM VOCÊ JÁ TER MELHORADO!!
Mais uma vez você se supera. Mesmo com todo o sofrimento que uma pielonefrite ocasiona, presenciamos o senso da jornalista profissional, humana, informativa, sintonizada e preocupada com seus “ouvintes” e leitores. Essa abordagem que você sabe fazer e faz com maestria, descrevendo tanto os sintomas como os efeitos que a automedicação pode ocasionar em um paciente “expert”, e/ou mesmo em pessoas que nos são caras, com certeza irá se somar aos milhares de casos ocorridos em nossa vida diária, em nossas casas e nas de pessoas amigas e conhecidas quando, com a melhor das boas intenções, procuramos a automedicação e, com isso, permitimos a evolução e o prolongamento de uma doença. Um beijo – DEUS TE ABENÇOE!!
Oie!!!
Melhoras, viu? Beijo enorme pra vc e pra sua super mana que tb já me socorreu qdo liguei pra ela urrando de dor. Desconfiamos de apendicite e qdo chego ao hospital que ela me indicou eis que os exames acusam cálculo na uretra. Agora estou muito bem e a pedrinha, ninguém sabe, ninguém viu! Mas a ajuda dela, ainda que por telefone, foi de imensa valia!!
Beijo enorme pra vcs duas!!!
Cla
Oi Sam,
Amiga estou aqui torcendo por você, sumi mas agora vou reaparecer, me desculpe pela demora em responde_la.
Amanhã vou te ligar para saber como está. estou torcendo pela sua pronta recuperação.
bjs
Oi Sam,
Corajosa como eu…hehe…fica doente e ainda trabalha 10 hs por dia. Eu tive essa infecção, e passei pela mesma coisa. Estava no mestrado, no praguay, fomos a uma boate e no outro dia eu estava com infecção na garganta. Me auto mediquei, tbm, e passei a semana tomando cataflan, pq já estava para voltar para casa. Cheguei aqui, meu médico trocou o medicamento para garganta, e em 24 hs estava ótima. Mas só da garganta, ao suspender a medicação apareceu a infecção no rim, com direito a fazer 5 audiência numa média de 39º C.
Mas não parei por ai, na outra ida ao mestrado suturei a perna sozinha…hehe…mas é outra história.
Beijos, se cuide, e já saiba controle de rim anualmente.
Amigos
muito obrigado pelo carinho e a gentileza de suas mensagens. Estou melhor, depois de uma semana de cama e antibióticos a febre cedeu e agora é só fazer exames para conferir como está o aparelho urinário.
Abraços a todos.
Olá Samantha, melhoras!
Desisti de escrever e vou mandar um e mail
De pacientes que se informam pela internet, a @samegui escreveu semanas atrás um post bem interessante: http://bit.ly/JwluE #saude
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