Paz sem voz, não é paz, é medo

Postado em Música no dia 12/11/2007 |

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Quando voltei do Japão, há 8 anos, muita coisa me chocou no Brasil. A primeira foram as crianças em situação de risco, coisa que me doía antes de sair do Brasil e na volta, já mãe, me dói muito mais. As outras foram fruto da violência urbana, do jeitinho que nos arrasta para o submundo global e as diferenças sociais. No Japão há muita riqueza e diferença social, mas pouca pobreza e miséria.

Foi neste clima pessoal que meu irmão, com quem cresci vendo clipes (ainda crianças vendo videoclipes aos sábados na Globo e já adolescentes brincando de quiz ao ouvir músicas na MTV) que me mostrou este clipe do Rappa. É tão triste que, apesar de gostar muito da música, não consigo encarar o vídeo e até entendo que muitos prefiram a versão da Maria Rita (abaixo) . Estou visitando os participantes da blogagem coletiva pela paz e vi que muitos citaram esta música como um hino. Bonito e verdadeiro, como o verso:

“Paz sem voz, não é paz, é medo”

Visitei quase todos os participantes da blogagem coletiva, mas se tivesse apenas ido a um ele teria me valido pela vida inteira. Chorei com sinceridade e do mesmo modo agradeci a Deus pela pessoa que escreveu existir, se expor e nos oferecer a paz que transparece de suas palavras. Esta pessoa é Vera, do blog Verinha, mãe feliz e coruja. Ela foi vítima de violência, das piores, e além de nos oferecer uma mensagem maravilhosa de esperança e recuperação, ensina o perdão. Deus a abençoe imensamente.

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


0 Responses to “Paz sem voz, não é paz, é medo”

  1. Lino says:

    Sam:
    A história da Verinha é bela, muito bela. Mostra como podemos superar as coisas mais difíceis. Também fiquei emocionado ao lê-la e acho, sinceramente, que foi o melhor da blogagem, até pela coragem de se revelar em público e mostrar como é possível superar a violência, recuperando-se.

    Lino, imagino que todos que leram os textos a elegeram unanimemente como o símbolo da blogagem pela paz.
    Abraços e fica aqui meu convite para conhecer o Nossa Via e vir a escrever por lá.
    Sam

  2. lunna says:

    Boa tarde Sam, as vezes penso como mio Nono que dizia que a paz estava no silencio o qual ele se permitia. Ele viveu duas guerras e dizia que as vezes, mesmo quando estava em silencio conseguia ouvir gritos e sirenes. Era estranho ouvir isso, mas também tinha uma forma de poesia que me levava a uma diferente forma de silencio onde eu conseguia ouvir o som da grama (pode parecer loucura?) mas há sons que quando estamos em paz são salutares.
    Beijos a você.
    Ps. Vou visitar o blog da Verinha.

    Minha cara
    sinto por teu nono, pois a guerra deve ser das piores experiências humanas. Visite o blog sim, vai lhe dar forças para tudo.
    Abraços
    Sam

  3. David Santos says:

    Olá.
    Totalmente de acordo. A resignação é a não evolução. “Por isso paz, sem voz não é paz, é medo”.
    Muito bem, parabéns,

  4. Sam, adorei este teu post embora minha opinião seja bastante pragmatica: favela precisa acabar. As pessoas precisam viver com dignidade e lá não há dignidade, embora existam pessoas dignas. Lá nasce , cresce e se mantém a violência, o tráfico, a marginalidade. Lá as oportunidade são finitas e ínfimas, lá o poder público não consegue penetrar e nem quer. E enquanto o tráfico estiver lá dentro, as pessoas bem intencionadas, conseguirão fazer o que fizeram até hoje: muito pouco. Salva-se uma alma, perde-se 100 para o tráfico todos os dias. É uma guerra injusta porque lá eles mandam e se escondem. Matam e morrem sem medo. e as crianças, vítimas, crescem e viram algozes de si e dos outros. E a corrupção em nosso pais, em todos os níveis, mantem essa indústria de violência. Paz sem voz, é medo. Mas quem quer de fato falar alto: a gente procura em volta, seja no asfalto, seja na favela, e só vemos brasileiros coniventes e sua maioria.
    É triste.

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