Parar para cuidar dos filhos e depois voltar ao mercado, é possível?
livros, mãe com filhos September 16th, 2009
A entrevista acima é da escritora Emma Gilbey Keller, autora de “The comeback: seven stories of women who went from career to family and back again” (que eu traduzi como O retorno: sete histórias de mulheres que abandonaram a carreira pela família e voltaram). Li um artigo dela na revista Seleções deste mês e me identifiquei com sua visão sobre o retorno das mulheres ao mercado de trabalho depois de pararem por alguns anos para ficar exclusivamente com os filhos.
Claro que me identifiquei. Eu fiz isso, fiquei com os meninos em tempo integral por três anos não-consecutivos e part-time por outros três anos, no que foram seis anos de dedicação à família. Minha mãe tinha feito o mesmo na minha infância, quando meu pai foi transferido para uma pequena cidade e ela se viu com 3 filhos pequenos e sem pique para abrir um novo escritório de advocacia. História semelhante a de Elaine Stone, uma advogada texana que é personagem do livro de Molly.

Estou curiosa com o livro (ainda sem tradução para o português) depois do artigo e de um review que li no USA Today, e que além de Elaine, conta a história de outras seis mulheres que por motivos diversos deixaram carreiras para trás, dedicaram-se aos filhos por alguns anos e depois conseguiram voltar (e com muito sucesso) ao mercado de trabalho. Ao juntar estas histórias, a autora reuniu uma série de conselhos para quem está vivendo isso e eu postei-os no Mãe com filhos hoje. E pensei muito em pessoas queridas como a minha irmã Tiffany, que está vivendo seu segundo ano de dedicação exclusiva ao meu sobrinho C.J. e a cada e-mail para família nos mostra que tem valido muito a pena!
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September 16th, 2009 at 10:56 pm
Sam, também fiquei curiosa a respeito do livro e agradeço pelo comentário, pela lembrança.
Sei que não é fácil para a maior parte das mães escolher abdicar da vida profissional em prol da criação e educação dos filhos nos primeiros anos de vida e depois querer voltar a trabalhar. O gesto de doação, amor e prioridade ao filho é nobre e nos faz tão feliz ou mais do que quando estamos vivenciando o sucesso profissional, o alcance de metas e realização profissional, mas não é fácil. Estamos sempre sendo cobradas, julgadas e avaliadas por nossas escolhas e muitas vezes essas pessoas que julgam impedem ou dificultam o retorno ao mercado de trabalho, à atividade profissional, mas ainda assim acho super possível conseguir retornar depois da maternidade em si e mesmo após poucos anos em casa. O importante é não deixar de fazer networking e manter-se atualizada intelectualmente em sua área de interesse. Acho até que depois de mães, somos mais plenas e mais guerreiras inclusive para galgar espaços no mercado de trabalho.
Um abraço.
Ti
Sam Shiraishi Reply:
September 17th, 2009 at 3:53 pm
@Ti, as cobranças sociais (e familiares) são complicadas mesmo, mas sabe, outro dia vivi uma situação de redenção. Meu sogro escreveu uma carta para mim me elogiando (e até se desculpando de algumas coisas) depois da semanada de férias que os netinhos passaram na casa deles. Nas palavras dele eu vi que o trabalho diário de educação com amor e os valores que eu transmiti a eles chegaram aos críticos sob a melhor forma, a do testemunho de vida. Como dizia nosso pai para mim quando eu era adolescente, foi a minha “prova real”. risos
beijos querida.
September 17th, 2009 at 8:56 am
Sam,
também gostei dessa dica, até porque o assunto me preocupa bastante…
Estou fora do mercado de trabalho há dois anos e meio e me questiono como será o meu retorno – não pretendo parar de trabalhar definitivamente. Sei que essa pausa tem sido muito benéfica para toda a dinâmica familiar, principalmente agora com a chegada da Beatriz, porém muitas vezes sinto que estou “perdendo minha identidade” ao jogar fora anos e anos de estudo, investimento profissional etc. Sou administradora e tinha em mente que se aos 35 anos eu não estivesse numa posição X, tudo se tornaria mais complicado. Imagine então retornar à iniciativa privada com essa idade, mesmo com um bom networking! Por isso já penso em mudar de área ou focar apenas em concurso público. É maravilhoso ser mãe full time, independente se o filho tem 1 ou 8 anos (idade que o Gui tinha quando tomei essa decisão), mas fica uma lacuna a ser preenchida, como um grilinho que nos incomoda todo dia… Mas vou deixar para me preocupar apenas daqui a algum tempo, por enquanto sigo corujando meus filhos e torcendo para ter tomado a decisão correta!
Beijos
Sam Shiraishi Reply:
September 17th, 2009 at 3:51 pm
@Evellyn, sabe, amiga, acho que para uma pessoa que estava no ambiente corporativo de verdade, atuava como executiva com plano de carreira e hierarquia a vencer como você este processo seja ainda mais complicado. Mas uma ou duas das citadas na matéria tinham história bem parecida. Você tem como conseguir o livro em inglês com facilidade, acho que vale a pena ler!
beijos e boa fase de bebê… passa tão rápido, né?
September 17th, 2009 at 9:22 am
Eu faço isso a 7 anos. Trabalho de casa e quando dá. Meus filhos em primeiro lugar. Não decidi e fiz tanto esforço para ter minha turma se depois vou negligencia-los. Nao faz meu feitio.
Mantive-me ativa e atualizada. Mantive contatos e muito positiva. Descobri novos talentos,novas possibilidades e criei oportunidades, basta ficar atento. As empresas mudam, o mundo mudam, o mercado muda, mas os nossos filhos precisam muito de nós. Sou do tipo participativo, convivo e sou ativa na vida deles. Quero e faco o melhor que posso por eles para que torne-se seres felizes e amados. A Vida é isso aí,muito mais do que carreira, muito mais do que dinheiro, a vida é esforcar-se para procurar a felicidade. No meu caso ela está ligada a maternidade. O resto, bem…dá-se um jeito depois….
Beijos,Aline
Sam Shiraishi Reply:
September 17th, 2009 at 3:49 pm
@Aline Silva Dexheimer, tenho acompanhado sua decicação e como você tem filhos da idade do meu caçula, temos vivenciado esta fase de retorno à ativa ao mesmo tempo, né? Oro para que Deus nos permita seguir este caminho com sabedoria.
beijos
September 18th, 2009 at 3:58 pm
Oi Sam
Sei bem como é ficar em casa cuidando da educação dos filhos e acompanhando eles. Depois que sai da Defensoria com a Tiffany e tive o diagnostico do Dannynho, nunca mais voltei a trabalhar fora, e hoje tenho mais e trabalhado em casa atendendo clientes da empresa de informatica que abrimos, para não deixar os pequenos desamparados, mas as criticas por eu não estar trabalhando fora são grandes, pricipalmente quando comentamos que eles são em 5.
Sei que estou fazendo o melhor para eles, sei que eles iram crescer, e tenho fé em Deus que as lembranças deles serão imensas e cheias de carinho, quando pensarem na infância que pude proporcionar a eles.
Beijos Jô
Sam Shiraishi Reply:
September 20th, 2009 at 11:26 am
@Jô, seus filhos são umas graças, eles são a obra que vc e Danny deixam para a posteridade e vão provar que este tempo em casa vale ouro.
Obrigado pela visita!
September 21st, 2009 at 3:03 pm
Fiquei super feliz lendo esse post, afinal vivo este momento é estou super bem trabalhando meio período e podendo cuidar e curtir minha filha pequena.
Sam Shiraishi Reply:
September 21st, 2009 at 3:30 pm
@raquel kussama, esta é uma realidade de muitas famílias, quase impossível não se identificar!
September 22nd, 2009 at 11:33 pm
Adorei os depoimentos, por isso tomei coragem de escrever…no meu caso é meio que um desabafo.
Tenho gêmeos de 2 anos e 5 meses um casal…terminei minha faculdade de direito 2 meses antes deles nascerem…um sufoco, mas consegui. Ainda bem, porque depois que eles nasceram, passei a viver pra eles, passo 24horas com as crianças, amo muito meus filhos, mas não tenho paciência…grito de mais, muitas vezes dou-lhes umas palmadas, e depois fico me sentindo mal, sem conseguir dormir. Às vezes me sinto privilegiada de poder estar em casa cuidando dos meus filhos, mas às vezes me sinto uma inútil, incapaz e encostada no meu marido que é um homem maravilhoso, forte e paciente comigo. Estou muito confusa, não me sinto capaz de voltar ao mercado de trabalho, mas também não sinto que estou sendo boa mãe boa esposa… As vezes desejo voltar, mas outras desejo ficar em casa cuidando das casa e das crianças. Será que todas as mulheres quando tomam essa decisão, sente-se confusas assim como eu? Ou será que estou precisando de um médico?
October 1st, 2009 at 8:48 am
Ola, tambem vivo um pouco da historia de cada uma de voces. Parei de trabalhar faz tres anos porque meu marido, uma pessoa excelente e paciente, recebeu uma oportunidade de trabalho fora do pais e eh claro como toda boa esposa apoiei e acompanhei. Na epoca minha filha estava com dois anos, portanto enfrentei idioma, mudanca de cultura, saudade da familia e cuidar da minha pequena tempo integral. Sempre trabalhei e tinha minha relativa independencia financeira, por isso que hoje fico confusa entre o “fracasso” profissional e o “sucesso” maternal, mas peco a Deus paciencia para conquistar na medida do possivel um pouco dos dois, porque pretendo recuperar minha carreira profissional, afinal estudei muito pra isto. E outro detalhe muito, mas muito importante, neste meio tempo, nasceu o fofo do Klaus que daqui um mes completa um aninho….rsrsrsrs