Os valores que aprendemos com os filmes e livros infantis
Postado em Artes, livros no dia 30/01/2010 |Quando vi com meus filhos, há quase uma década, a animação Monstros S.A., na qual a criança é o ser que dá medo num mundo de monstros, fiquei fã. Mas não resisti a analisar e pensar que o filme – como todos da Pixar – é muito adulto, servindo mais aos pais do que aos filhos.
Anos depois descobrimos o desenho animado Os Sete Monstrinhos, que, ao contrário, tem no imaginário e na forma de compreender o mundo – e reagir a ele – um enorme diferencial. Grande ou pequeno, falante ou calado, atleta ou intelectual, cada um dos nossos monstrinhos tem uma coisa em comum: a visão infantil sobre o mundo que o cerca e o desejo natural de fugir para um lugar com menos regras e mais fantasia.
Quando descobri que Onde Vivem os Monstros, filme que está em cartaz nos cinemas brasileiros, é baseado numa obra de Maurice Sendak (o mesmo de Seven Little Monsters), soube que o filme terá isso que tem faltado nos longa metragens para crianças. Pura e simples fantasia, com reflexão, sim, mas sem precisar repetir o mundo adulto para ensinar. Vimos o filme e, embora eu o tenha achado “meio lento” (possivelmente uma sensação pós-Avatar), meus filhos gostaram muito. Creio que se identificaram com a criança que foge de casa após uma briga com a mãe por não querer comer algo no jantar e ao se ver só, imagina um mundo com monstros de pelúcia no qual ele é o rei e pode criar novas regras à la Peter Pan e os meninos perdidos.
Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak é um sucesso nos EUA. Mais de 18 milhões de exemplares vendidos só lá, vencedor dos principais prêmios literários, traduzido para mais de 20 idiomas, aclamado pela crítica – e um dos favoritos de Barack Obama, que lê trechos no video acima – chegou ao mercado literário brasileiro no final de 2009. A edição brasileira é caprichada como a original: papel importado, capa dura, sobrecapa e tecido na lombada. E talvez seja esta a dificuldade do livro: ele acaba sendo uma obra cara, embora “indiscutivelmente ótima”, como muitos livros da editora Cosac Naify.
Vendo o filme ou lendo o livro, o fato é que, ao nos depararmos com as fantasias infantis e suas dificuldades com as obrigações e regras do mundo adulto, temos a chance de voltar a ser crianças e repensar – se possivel coletivamente, com “nossos monstrinhos” – os motivos para termos regras, valores, limites e as dificuldades que os pequenos podem ter em incorpora-las. Tarefa árdua e doce ao mesmo tempo – eu acho – mas tão compensadora que vale o esforço.
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Na história escrita em 1963, o garoto Max, vestido com sua fantasia de lobo, faz tamanha malcriação que é mandado para o quarto sem jantar. Lá, ele se transporta para uma floresta, embarca em um miniveleiro, navega pelo oceano, até chegar numa ilha, onde vivem os monstros. Com o seu olhar firme, consegue dominá-los e é coroado rei. Max, então, fica livre para mandar e desmandar, longe de regras ou restrições. Mas, quando a saudade de casa e daqueles que realmente o amam começa a apertar o peito, Max fica em dúvida sobre suas escolhas.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





Os valores que aprendemos com os filmes e livros infantis http://tinyurl.com/ylojbbq
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RT @samegui: Os valores que aprendemos com os filmes e livros infantis http://tinyurl.com/ylojbbq (P/ler e repensar s/ nossos monstrinhos!)
Sa, adorei o post. Ótimas reflexões.
Temos assistido diariamente a Monstros S.A. aqui em casa neste mês de janeiro e temos analisado cada cena, a cada vez que assistimos com muito cuidado, justamente tentando transportar a realidade do filme para a nossa e vice-versa… O Caio está apaixonado pela obra, como foram apaixonados vc, Enzo e Giorgio. E eu, agora como mãe, antes como madrinha, vou revivendo algumas lembranças e meus próprios comentários. Críticas, valores morais, cobranças, expectativas, ironia, tudo simpaticamente sugerido para sim, exercitarmos certa reflexão.
Sobre o Onde Vivem os Monstros, soube que é maravilhoso e ao ler o seu depoimento acho mesmo que irei gostar bastante. Tinha lido uma reportagem bacana na Pais e Filhos tb e tenho escutado muitos adultos falando sobre o livro e filme. Parece que a febre estadunidense pegará aqui também. Vamos acompanhar.
Um beijo, Ti
Sam Shiraishi Reply:
January 31st, 2010 at 4:33 pm
@Tiffany, maninha, eu quero mandar uns filmes para o CJ, Monstros ia ser um deles. Quem sabe Wall-e ou Os Incríveis? Ele já tem?
Indico http://www.samshiraishi.com/os-valores-que-aprendemos-com-os-filmes-e-livros-infantis/
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Olha ultimamente os filmes infantis tem mexido bastante comigo!
Esse lado malcriado das crianças às vezes me irrita profundamente. Sei que depende da educação dos pais, mas não consigo me identificar com tanta birra, na maioria completamente desnecessária.
Assisti ao filme e, apesar de não ter mais espírito de criança e paciência para filmes infantis, fiquei pensando como devem estar a criação dessas crianças de hoje.
Será que os pais estão dando liberdade demais para eles? Será que é muita mais informação para quem cuida do que para quem é cuidado?
Juro que deu vontade de dar um tapa no nariz desse Max quando ele quer TODA a atenção da mãe pra ele e simplesmente ignora a vida da mãe – ele arruinou o encontro dela. Ciúmes todo mundo tem, mas nesse aspecto senti um pouco de maldade da parte do garoto.
Sam Shiraishi Reply:
February 2nd, 2010 at 11:00 pm
@Zé, achei curioso o filme ser baseado num livro do início da década de 1960 e ainda ser tão atual quanto ao comportamento das crianças. O que conheço da obra de Maurice Sendak é Seven Little Monsters e as histórias dos sete irmãozinhos são recheadas deste egoísmo e inconsequência típicos da primeira infância. A pobre mãe dos monstrinhos é quase uma Madre Teresa!
Na história original o menino foge de casa porque desobedece algo e a mãe o coloca de castigo, mandando-o dormir sem jantar. Coisas da década de 1950/60 nos EUA, que hoje seria massacrada pela mídia, daí optarem por uma briga por arruinar o encontro da mãe.
O detalhe nesta e em outras histórias é que os pais deveriam encarar de frente a situação anormal e agravante de muitos problemas que advém do excesso de fantasia e o isolamento da criança. O natural na segunda infância é ser gregário, se a criança não busca o coletivo há muito que se pensar sobre.
No fundo acho que senti a mesma repulsa que você e talvez por isso eu não tenha gostado do filme, né? Mas o fato do Giorgio gostar é algo para eu pensar
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e a @samegui já tinha visto 'onde vivem os montros' bem antes que eu: http://bit.ly/du7NTQ
@zeoffline o Giorgio adorou Onde vivem os monstros… eu confesso que achei bem chato. http://bit.ly/du7NTQ mas como mãe, acompanhei.
Os valores que aprendemos com os filmes e livros infantis http://migre.me/iOVu by @samegui
queria saber o valor do filme tres porquinhos e um bebe