O que fazer ou Como reagir?

Posted by Sam Shiraishi on Nov 10, 2006 in sam |

Hoje estava conversando com minha amiga Lina, do Japão, depois de muito tempo e estávamos refletindo juntas como esta saída do ninho muda o foco da gente. Quando morei no Japão sentia que ao mesmo tempo em que estava limitada me faltavam limites, me faltava uma linha pela qual seguir e a linha é uma forma de limitação que nos dá segurança.
A importância desta limitação é um dos preceitos da Supernanny, que eu entrevistei nesta semana e que tem me levado a pensar na forma como quero educar os meninos de agora em diante. Porque com o Enzo entrando na segunda infância muda meu foco, não preciso mais ensinar o que fazer, mas sim como reagir. Hoje enquanto esperava a perua escolar estava lendo a Época. É a hora que me sobra me sobra para esta leitura de revista semanal de informação, mas uma hora que tem sido útil. Vida de mãe parece ser uma perseguição pelo que é útil. A matéria que li falava de bullying, o ijimê do Japão, ou seja, aquela perseguição e agressão pelo diferente na fase da pré-adolescência. Veio-me à mente novamente o como reagir. Como reagir ao mundo que tenta sempre nos pasteurizar? Fui uma adolescente muito preocupada em ser igual (no ginásio) e em ser diferente (no segundo grau). Na faculdade não precisei fazer nada porque era diferente mesmo, no meio de toda aquela turma de comunicação eu era normal demais. Parecia uma aluna de pedagogia perdida lá.
Bem, agora que sou uma balzaquiana, eu prefiro adotar uma postura neutra, deixo cada um pensar o que quiser de mim (que sou uma dona de casa burra, ou uma intelectual, ou uma fútil) e já não me importo mais, porque já concluí há tempos que as pessoas vão pensar o que quiserem mesmo, independente do que a gente verdadeiramente é. Mas será que devo passar esta minha conclusão para meus filhos ou deixa-los experimentar? Creio que seja este meu atual impasse como mãe.Bem, minha mãe nunca foi muito autoritária, só não nos queria ateus e burros, sempre provocando conversas sobre coisas mais profundas, mas ela é advogada e filha de jornalista, nem dá para contar. Sabe-se lá sobre o que conversava com o pai dela, que eu não conheci, apesar de ter sido a herdeira da sua profissão.
Sair do Brasil significou muita coisa para mim. Sair do ninho me fez ver que podemos vencer ou ser vencidos por tudo, independente do lugar. Se aqui a gente fica culpando o Brasil, a economia, o povo, enfim, coisas exteriores a nós pelo nosso não-desenvolvimento, quando estamos fora não temos as mesmas desculpas: ou recomeçamos a ladainha de reclamar ou assumimos nossa capacidade ou incapacidade. E descobrimos que o verdadeiro Bully, o cara valentão que nos agride, usa nossa força interior para fazê-lo.Será que eu conto isto para o Enzo ou deixo ele aprender sozinho?

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3 Comments

Leandro Ikehara
Nov 19, 2006 at 3:55 pm

Olá Supermãe-san, tudo bom???
Nossa, super legal suas matérias e aqui sim está sendo um verdadeiro ´desabafo de mãe´… hehehe!!!
Quando eu for pai, vou entender tudo isso que você está escrevendo e não vou deixar de mostrar p/ eles que músicas boas eram ´Pegue a carona nessa calda de cometa, pela Via Láctea, estrada tão bonita…´ ou senão ´Super Fantástico, amigo, é bom estar contigo no nosso balão…´ ai, ai, saudades da velha infância, viu!
Ah acabei de postar a revista da sua matéria sobre o meu blog no meu fotolog, tá! Entra lá e comenta, por favor… http://boardingpass.nafoto.net e o pessoal gostou bastante da matéria!
Beijos fortes,
Lê.

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Anonymous
Nov 25, 2006 at 3:24 am

Oi Sam,
Quando meu filho estava na idade dos seus, eu também me questionava muito em relação a tudo isso…Se explicava como as coisas funcionam com seus dois lados da moeda, ou se entreagava nas mãos da vida, e esperasse que ele aprendesse tudo naturalmente.
Hoje percebo, que independente disso, nós damos uma base, o resto são eles que constroem por si. Uma vez vi na tv (ainda que lotada de cultura inutil, se salva alguma coisa) uma frase mais

continua…Lina

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Anonymous
Nov 25, 2006 at 3:27 am

continua…
mais ou menos assim: “Aos nossos filhos, devemos dar asas para que eles voem, e um ninho para regressarem quando for preciso”
É realmente bem dessa maneira que as coisas parecem funcionar.
Quanto a ser diferente, adorei a maneira como você coloca isso, se todas pessoas fossem diferentemente autênticas como você, certamente esse mundo seria tão melhor…
Beijos, adoro seus textos!
Lina

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