O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo
geek, livros November 4th, 2009
“O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo, (só que) à revelia do mundo legal. Definir esse fato praticamente consumado com simples pirataria é uma simplificação”, afirma [Cristóvão Tezza, em entrevista ao Estadão].
E continua: “Há perda dos detentores dos direitos autorais, sem dúvida, mas é preciso lembrar que a esmagadora maioria dos consumidores via rede não compraria o filme ou o disco, não teria acesso a ele, ou por falta de dinheiro, ou, na maior parte dos casos, simplesmente porque não chegaria a ele”.
Contrariando apocalípticos como Andrew Keen, para o escritor brasileiro mais premiado de 2008 a web 2.0 não é pirataria, é democratização cultural. A entrevista foi concedida por e-mail para Bruno Galo, do caderno Link, é a segunda de uma série que o Link está publicando sobre os desafios dos livros na era digital e girou em torno do tema. E novamente a lucidez de Tezza (que acompanho com carinho de fã porque foi meu professor na UFPR) me deixou contente, como podem ler no trecho que publico abaixo:
“Baixar um livro é infinitamente mais fácil que baixar um filme e mesmo uma música, mas a leitura digital de um texto longo no monitor é desconfortável – é isso, até aqui, que vem salvando os escritores. Com a chegada dos livros digitais, isso pode mudar. Até porque, parece que não há formato de arquivo, por mais exclusivo que seja, que não acabe convertido em outro de uso corrente”, observa.
“Bem, sendo realista, praticamente todos os escritores de ficção e de poesia sempre foram obrigados a ter outra fonte de renda, porque nessa área ninguém vive de direitos autorais no Brasil, mas mesmo assim uma popularização do download de livros seria catastrófica para quem escreve, supondo-se de fato que o livro digital suplantaria significativamente o livro de papel. Tudo vai depender desta relação entre o livro virtual e o livro de papel. Sinceramente, não sei. E acho que ninguém sabe dizer, hoje, o que vai acontecer nessa área”, opina.
“Sim, acho que (o livro de papel e o eletrônico) vão conviver perfeitamente. Não imagino que o livro eletrônico vá suprimir o velho e bom livro de papel, cuja praticidade é imbatível”, defende.
E você, se for bom leitor como eu, me conte: você deixou de comprar livros porque pode baixar as obras em pdf ou está super encantando com a chegada do kindle? Eu não consegui fazer esta transição! Ainda adoro ler, anotar e marcar os trechos no papel!
P.S. Andrew Keen é autor de autor de O culto ao amador – como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores, publicado pela Jorge Zahar Editor. Fiz resenha do livro aqui.
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November 4th, 2009 at 2:32 pm
Penso da seguinte forma:
Daqui a cem anos os livros de minha estante continuarão sendo lidos por meus netos, bisnetos e afins.
Tente deixar um kindle por cem anos na prateleira e veja se ele vai estar funcionando até lá. Aliás, terá pilha para ele em cem anos? Isso se as previsões de ataques terroristas digitais não se concretizarem (risco de bombas com PEM, vírus e crackers que podem invadir seus livros eletrônicos e apagar tudo).
Esse é o motivo pelo qual o digital não vai ganhar do papel: durabilidade e segurança.
Meus CDs do início dessa década já não lêem mais (e falo dos originais). Não quero ter algo que pode ser destruído por um simples pulso eletromagnético.
November 5th, 2009 at 9:42 am
Com certeza ambos vão viver em perfeita harmonia. Não há coisa melhor do que o relacionamento do público leitor e seus livros, todos os sentidos são utilizados para criar essa parceria durante a leitura.
Vamos só aguardar para saber o que virá por aí no futuro em relação a questão dos livros digitais. Apesar de já ter utilizado o sistema da Amazon, não substituo o fato de ler um livro em mãos.
Ótimo Artigo.
November 5th, 2009 at 11:21 am
Lucidez sim! O escritor está corretíssimo em suas afirmações. Vamos celebrar toda essa boa troca de bens culturais que tem existido no universo on-line. Muito bom saber que Tezza também é professor, precisamos de professores bons assim em nossas universidades.
November 5th, 2009 at 11:10 pm
Ainda não deixei de comprar. Aqui em casa já temos um kindle, mas meu marido tá grudado nele. Estou esperando para testar.
Já fui uma defensora ferrenha dos livros de papel, hoje já estou começando a pensar diferente e vislumbro uma estante virtual no futuro. Porque pensando bem, para que deixar pilhas de livros pegando pó. E o papel para isso tudo! A vida é feita de evoluções e estamos nesta jornada. Daqui a cem anos vai ter coisa melhor! Não adianta ficar chorando pelos velhos discos de vínil e pelo cheiro de livro! Eu estou inclinada a acreditar que estes ou outros dispositivos para leitura digital irão sim substituir os livros de papel.
Quanto a pirataria: pode ser que este mercado de downloads digitais ilegais não movimentem o crime como os do dvds e músicas, mas é pirataria igual. É roubo! Todo o escritor deveria lutar com todas as suas possibilidades e recursos contra estes livros e sites ilegais que existem na internet. Mesmo que seja para consumo seu próprio não está certo e não pode ser disfarçado como “democratização”.
November 10th, 2009 at 6:27 pm
Eu também não deixo de comprar um bom livro, assim como não deixo de assistir a um filme só porque já sei o final.