O fluor nosso de toda semana…
Postado em Mãe com filhos no dia 24/01/2010 |
Quando eu era criança e estudava em escola pública num pequeno município do interior do Paraná, sexta-feira era dia do fluor. A gente fazia fila para escovar os dentes no pátio da escola (tinha uma pia enorme, que hoje eu acho que parecia mistura de tanque e “cocho”) onde ficávamos fazendo careta um para o outro enquanto bochechávamos o fluor semanal.
Claro que, para crianças com condições sócio-econômicas melhores (eu e outros que estudávamos lá não por falta de dinheiro para pagar a escola, mas porque não tinha escola particular na cidade, o que nos permitia uma socialização invejável) o tal fluor de toda sexta-feira era supérfluo. Mas, para alguns dos meus coleguinhas (muitos paupérrimos), aquela imposição da escola pode ter salvo até a vida. Não só preservar os dentes, mas garantir que não fossem para frente infecções cuja porta de entrada é a gengiva, introduzir bons hábitos de higiene que se tornam automáticos e nos seguem pela vida, ensinar a cuidar de si e amar seu corpo.
Hoje vi uma polêmica sobre uma nova determinação do MEC que me fez pensar nestas imposições públicas que são sem nexo para certa parte da população, mas têm um significado ímpar para outros. A notícia dava conta de que “em resolução publicada nesta sexta-feira no “Diário Oficial da União”, o CNE (Conselho Nacional de Educação) determinou que 31 de março é a data limite para que as crianças que vão entrar no 1º ano do ensino fundamental completem seis anos”. À primeira vista, não há polêmica, não é mesmo?
Há um bom tempo participo do debate que define as regras para a implantação do ensino fundamental de nove anos no país. Meu filho mais velho foi da “turma” surpreendida com a resolução e alçada ao nível fundamental 1 às pressas, no início do ano de 2006. Neste período os estados se ajustaram e coube aos sistemas de ensino definirem providências complementares de adequação em relação aos alunos matriculadas no ensino de oito anos.
O que mudou agora é que as crianças que completarem seis anos após 31 de março devem ser mantidas na pré-escola, mas as escolas que já matricularam essas crianças no ensino fundamental devem, “em caráter excepcional, dar prosseguimento ao percurso educacional dessas crianças, adotando medidas especiais de acompanhamento e avaliação do seu desenvolvimento global”. Já as crianças com cinco anos que cursaram por mais de dois anos a pré-escola, poderão ser matriculadas no ensino fundamental, apenas neste ano. A intenção do Ministério da Educação é transformar a data limite em projeto de lei a ser encaminhado ao Congresso Nacional, para padronizar a entrada das crianças no fundamental, uma vez que Estados e municípios têm adotado lógicas diferentes.
E por que as mães estão incomodadas? A decisão do CNE coloca em discussão a idade na qual a criança deve ser alfabetizada – MEC entende que uma criança de cinco anos é muito nova para entrar no ensino fundamental e começar o processo. Pessoalmente, como mãe de dois meninos que ingressaram no fundamental 1 cedo (o caçula ingressou no primeiro ano dois meses após completar 5 anos, imaginem!) eu considero que as crianças deveriam ser crianças por mais tempo, mas não estou certa de que o 1º ano do fundamental continue a ser parecido com o último ano da antiga pré-escola, como recomendam especialistas. Eles defendem o ‘corte’ em 31 de dezembro – a criança de cinco anos pode começar a ser alfabetizada, como já ocorre na pré-escola das particulares. A educadora Cybele Meyer escreveu hoje um texto veemente sobre o assunto no qual dizia:
Isto é que eu chamo de “se enforcar com a própria corda”.
Não dá para aceitar como é que se pode propor uma mudança e acabar se perdendo na avaliação e execução da mesma.
Quando se optou por modificar o ensino Fundamental de oito para nove anos incorporando o Pré como sendo o 1º ano foi debatido que o conteúdo trabalhado seria o mesmo que o da Pré-escola. O objetivo maior era trazer a criança que iria frequentar a escola pública, um ano mais cedo para os bancos escolares, haja vista a diferença de preparo existente entre uma criança que frequentou a Educação Infantil particular e a que freqüentou a creche ou não.
Além do fundamental de nove anos, o MEC planeja normatizar a pré-escola (quatro e cinco anos), que será obrigatória a partir de 2016, conforme regra que entrou em vigor em novembro. A ideia é proibir repetência e avaliação com nota nessa etapa. Você acha certo? Errado? É importante opinar, reclamar, concordar, mas deixar clara sua postura. Estas decisões afetam diretamente o futuro dos nossos filhos. Pode parecer que estamos fora disso – meu filho está no último ano do fundamental 1, logo estaremos em outra fase mesmo – mas quem ingressa agora na escola estará lá, com os nossos filhotes, no mercado de trabalho, na vida, na mesma sociedade e precisa estar em condições de ser um bom cidadão.

O fluor nosso de toda semana… http://tinyurl.com/yl2o2by
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Vale a pena ler: O fluor nosso de toda semana… http://bit.ly/7AoXqJ
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Eu acho que estar reformar estão piorando o sistema, esse negócio de não reprovar acho um absurdo!!!!
Desculpe troquei o s (estas/reformas) pelo r.
e muito legal isso quer voces fazem