O Brasil, na visão da revista inglesa “The Economist”
Postado em from posterous no dia 11/02/2010 |Li na edição de hoje do Valor Econômico um artigo de Alexandre de Freitas Barbosa (doutor em Economia Aplicada pela Unicamp e professor de História Econômica do IEB/USP) no qual ele comentava a semelhança de dois pareceres sobre nosso país. O mais recente seria uma extensa matéria sobre o Brasil publicado na revista The Economist (creio que este:Latin America’s big success story ). O segundo, pasmem, era uma crônica escrita pelo português Eça de Queiroz por volta de 1880 e publicada no livro Cartas da Inglaterra (obra de domínio público que pode ser baixada aqui).
O que surpreendeu o autor foi a semelhança da fórmula usada pela revista e o artigo do Times citado por Eça e publicado há 130 anos. Será que para o “mundo” continuamos sendo o país que precisa escolher “entre deixar sua riqueza estéril ou multiplicá-la pelo trabalho, desde que sob supervisão dos mais experientes”?
No texto inglês conta-se a história econômica do nosso país sob um filtro que eu chamaria de ardiloso, lembrando a lenda urbana de que nos EUA livros didáticos ensinariam às crianças que a Amazônia é território mundial (ou deles), contando que vivemos completa estagnação econômica no século XX e fomos salvos em 1994. Mas, garante a revista inglesa, o Brasil pode fazer parte do futuro próximo das cinco maiores economias do planeta, ja que se tornou autossuficiente em petróleo, adquiriu “investment grade”, se tornou credor do FMI e tem recebido uma nova onda de investimentos externos.
As questões sociais são vistas com uma miopia ainda maior – e nem prefiro comentar. Mas o fato é que ensaios assim, que emitem uma opinião tão obtusa e tendenciosa sobre nossa realidade, já não são mais, como diz Dr. Alexandre Barbosa, “ideias escritas por eles sobre nós”. Ao se repetir, elas “reverberam a cantinela local dos nossos falsos consumistas, dos que comungam da mesma visão de mundo”.
Faço coro com o professor quando diz: “não devemos deixar que o espelho deformado do Brasil afete os desteinos do Brasil real, que fala um idioma que já passou de português, possui uma imensa dívida social, tem sede de soberania e apenas desperta – depois de uma longa insônia – para o sonho do desenvolvimento”.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





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Um amigo meu voltou da Itália/Suíça e contou que uma portuguesa perguntou, por curiosidade, se o Brasil já era independente de Portugal.
É um caso extremo, mas dá para ter uma ideia de como os estrangeiros – não só os americanos – enxergam o Brasil.