Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?

Postado em Comportamento, Saúde e Bem Estar no dia 30/06/2011 |

“No recém-lançado “Sobre Neurônios, Cérebros e Pessoas” (Atheneu), o médico e neurocientista carioca Roberto Lent, 62, fala sobre descobertas da neurociência em uma língua que todo mundo entende. Nesta entrevista à Folha, ele explica como a desativação de certas partes do cérebro comprovam que o amor é cego e o ser apaixonado, louco.”
Iara Biderman

Ontem à noitinha vi esta nota na página da Folha de S. Paulo do Facebook: Neurocientista explica por que o amor é cego. Na hora tuitei brincando:

Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?

E lendo a matéria com calma, gostei de várias coisas. A principal é a ideia de que Somos programados para amar. Bonito, não? Lent reforça a ideia que os românticos defendem há séculos: “Animais são programados para reproduzir, mas não podemos dizer que se amam. No nosso caso, há um ingrediente a mais, que é a experiência subjetiva“.

Aquelas sensações do amor – do arrepio ao orgasmo, do que nos faz corar, suar, ofegar, o coração bate mais rápido até se exibir para a pessoa amada – temos reações que poderiam ser confundidas até com o medo, admite o neurocientista. Segundo ele, estudos usando ressonância magnética funcional (aquela que mostra imagens do cérebro em atividade) é possível fazer um mapa de regiões que são ativadas em situações relacionadas ao amor e considerando as principais regiões ativadas (ínsula e núcleo acumbente, que não me perguntem o que são, mas vocês podem ver aqui) e notar que há ativação dessas regiões e desativação de outras áreas no lobo frontal do cérebro.

Em termos leigos, o que isso significa?

As regiões frontais são associadas ao raciocínio, à busca das ações mais adequadas. Desativar essas regiões significa perder o controle. Na paixão, a pessoa deixa de levar em conta certas contingências sociais e faz coisas meio malucas. A expressão “o amor é cego” reflete a percepção dessa desativação do lobo frontal descoberta pela ciência.

Segundo o pesquisador português Antônio Damásio, cada emoção tem uma combinação do que ele chama de marcadores somáticos, diz Lent.

“Quando você tem de novo a exata combinação, produz o mesmo sentimento. No caso do amor, fica marcada em seu cérebro uma combinação de circuitos e reações que é ativada quando você encontra a pessoa amada, vê uma foto dela ou apenas pensa nela.”

Em suas palavras, a função do amor é aproximar pessoas, inclusive aproximações improváveis: como o amor é cego, você pode amar pessoas que normalmente são rejeitadas por outros. Sempre haverá um certo alguém para outro alguém. E nesta ideia de que seria desfavorável para as espécies se só se aproximassem entre si pessoas loiras de olhos azuis, eu ri e me achei porque afinal, sou uma mistura étnica, tanto quanto meus filhos!

E aí, você concorda com o pesquisador? Será que o amor é realmente cego ou na verdade ele é muito mais “inteligente” e vê mais longe do que os olhos na perpetuação da nossa espécie?

P.S. E tinha como não lembrar do filme O Amor é Cego, no qual o personagem de Jack Black é hipnotizado e passa a ver a beleza interior das pessoas no lugar de sua aparência externa? Divertido e um convite à reflexão.

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


5 Responses to “Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?”

  1. Ricardo Murilo Dias says:

    Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?:
    “No recém-lançado “Sobre Neurônios, Cérebros e Pesso… http://bit.ly/iiRbL9

  2. Amanda says:

    Muito boa a reportagem….

  3. Cler says:

    Tenho tantos motivos pessoais para discordar de tudo isso, de todas as teorias sobre esse tal de amor… apenas acho que é injusto a esmagadora maioria das pessoas terem a mesma capacidade de amar quando – por alguma ironia do destino (padrões, saúde,,,) – não são consideradas “boas o suficiente” para serem amadas.

  4. Integrità says:

    "Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?" | http://ow.ly/5PZf4 | via: @samegui :)

  5. relembrando “@siga_integrita: "Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?" | http://t.co/vGhArH2 | via: @samegui :)

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