Museu a céu aberto

Postado em são paulo no dia 15/08/2008 |

Nunca fui fã de cemitério. Minha mãe me levava muito quando criança pequena para visitar o túmulo de meu avô – coisa que atualmente ela se repreende por ter feito, pois considera o local péssimo para crianças – e por um hábito arraigado eu achava que devia mesmo visitar periodicamente os túmulos dos antepassados. Mudei, claro, nunca levei meus filhos nos túmulos dos bisavós, mas ainda dou aquela olhadinha para as estátuas de alguns.

O que mais chama a minha atenção, o da Consolação, faz 150 anos hoje. Soube pelo , que mora na região, e indicou uma matéria da Folha Online. A história lembra um pouco a da vida privada no Brasil e da evolução dos hábitos em nossa sociedade.

O cemitério era o único da cidade há 150 anos. Antes de sua inauguração, as pessoas eram enterradas em áreas consideradas “sagradas” – como o interior de igrejas -, o que passou a ser condenado por sanitaristas, que viram neste costume a causa de doenças e de mau cheiro. Após sua construção, todos os mortos passaram a ser enterrados lá. “Pessoas de todas as condições sociais, sejam ricos, pobres ou escravos”, afirma o historiador Luis Soares de Camargo, do Arquivo Histórico Municipal de São Paulo.

O especialista conta que a elitização do cemitério aconteceu após o final do século 19, quando foram criados outras necrópoles –como a do Brás, em 1893. “A partir do momento que outros cemitérios com quadras gratuitas começaram a surgir, as quadras do Consolação passaram a ser vendidas.”

O professor Rezende, conhecido como “Doutor Cemitério”, acrescenta que neste período famílias ricas passaram a construir túmulos luxuosos, com esculturas caras. “Pessoas ricas como o industrial Francisco Matarazzo começaram a mandar construir túmulos suntuosos, com obras de arte de artistas famosos”, diz.
(…)

Localizado em um terreno de mais de 76 mil metros quadrados na região central de São Paulo e com 8.500 jazigos, o cemitério abriga obras de artistas consagrados como Victor Brecheret, Luigi Brizzolara e Amadeo Zani. Por isso e por seu valor histórico, a necrópole foi tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


3 Responses to “Museu a céu aberto”

  1. MaxReinert says:

    Sou completamente e totalmente suspeito para comentar esta matéria… Amo cemitérios… acho-os lindos e me dão uma paz incrível!

    O cemitério da Recolleta em Buenos Aires é um dos mais belos que já visitei… e, adivinhe? Vários gatos circulam por ele durante o ano todo!

    Deliciosamente horripilante!

  2. says:

    Acredita que eu também adoro cemitério? Os túmulos são verdadeiras obras de arte. Claro que eu nunca visitaria à noite… rsrsrsrs. Aliás, que medo besta é esse dos mortos, não? Temos é que ter medo de que ainda não morreu.

  3. Oi Gostaria de marcar um depoimento seu sobre o cemitério da consolação. Pois estou fazendo um documentário sobre os 150 anos do Cemitério. fone 11 9833-6060

    Obrigado

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