Mundos de Eufrásia #review
Postado em livros no dia 09/10/2009 |Como já contei na entrevista com a autora, Claudia Lage, comecei minhas leituras do Book Crossing que promovemos na rede de blogs femininos que coordeno para Bites por Mundos de Eufrásia, de Claudia Lage, que conta a trajetoria de uma mulher incrível para seu tempo: Eufrásia Teixeira Leite, que na divulgação do livro é noticiada como enamorada de Joaquim Nabuco (aquele mesmo, famoso da História do Brasil por suas posições políticas liberais no Segundo Império e no início da República).
A Eufrásia que se descobre na leitura desta obra é uma mulher incrível, que recebeu uma educação especial (seu pai resolveu desafiar os conceitos da época, que criam que o cérebro da mulher era bem inferior ao do homem e não aprendia coisas avançadas), foi uma financista quando mulheres não geriam o próprio dinheiro e se tornou uma das investidoras mais respeitadas do mundo (foi a primeira mulher a entrar na Bolsa de Valores de Paris).
Passei boa parte da leitura desta obra biográfica pensando nos motivos que faziam esta mulher não aceitar sua condição de mulher. Sei que é estranho, mas como casei jovem, tive filhos antes dos 30 (na minha geração isso é cedo) e encontrei a felicidade em minha familia, achava dificil entendê-la, pois em boa parte da obra Eufrásia parece realmente desejar uma vida “comme il fault”.
Ledo engano. Ela queria tudo, como eu queria “inteiro, não pela metade” e este inteiro era muito para quem nasceu mais de um século antes de mim. Se hoje eu tenho tudo, é graças a mulheres que foram corajosas e souberam se valorizar como ela. Os sacrifícios foram grandes, talvez. Mas ela não teria sido menos infeliz (e com certeza não mais realizada) se tivesse aberto mão de seu livre-arbitrio para se casar com um homem de sua época.
Nabuco era o homem de sua época, bom de discurso, mas fraco na prática. Mesmo seu abolicionismo não foi vivido com a mesma intensidade e verdade que o de Eufrasia, que teve em Cecilia uma verdadeira irmã, que compreendia sua alma como a irmã de sangue, Francisca, não conseguiu jamais.
Uma história de solidão, de amor, de vitoria e de derrota, que me encantou, mesmo sendo narrada com um ritmo que não é meu favorito – o começo com as formigas é de matar, assim como duas passagens que mesclam poesia e pensamentos em saraus.
É daqueles livros que marcarão uma época em minha vida. E mais gente leu e deu sua opinião, como a @srtabia e o @mr_biglia.
Você também leu o livro e quer debater? Abrimos dois tópicos sobre ele em redes sociais:
- Mundos de Eufrásia no GoodReads
- Mundos de Eufrásia n’O Livreiro

no blog: Mundos de Eufrásia #review http://tinyurl.com/yzwhcfh #familia #autopost
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Estou bem curiosa para ler “O mundo de Eufrásia”, esse é um período que eu trabalho commeus alunos, e acho que e fundamental que eles tenham alguma referência de mulheres que buscavam espaços para garantir os seus caminhos, mesmo numa sociedade extremamente machista.
Anotado para ler no fim do ano…
bjs
Lilian
Sam Shiraishi Reply:
October 15th, 2009 at 10:34 am
@Lilian Starobinas, vc vai gostar (mas atente para o que eu falei, não tem o ritmo de narrativa de um “A joia de Medina”, por exemplo) e será muito bom para tratar desta época com outros olhos. Gostei muito, mostra uma mulher à frente do seu tempo e ao mesmo tempo as incongruências morais e sociais deste período no Brasil (com pinceladas da realidade francesa e inglesa).
beijos