Moça com brinco de pérola
Postado em Cinema e TV no dia 02/02/2009 |
Moça com brinco de pérola (1665-1666)
Gosto muito de pintura e gosto muito de cinema, mas raramente tenho paciência para ver filmes sobre pintores. No geral suas vidas são retratadas de forma cartunesca, buscando cativar o público com os exageros que caracterizam parte da classe artística e resvalando numa espécie de sensacionalismo que eu não suporto por muitos minutos. Mas, por outro lado, filmes sobre arte sempre dão belas fotografias. E a segunda coisa que me mais me prende num filme é a direção de fotografia – a primeira, como não canso de repetir, é a trilha sonora (se eu pudesse viver uma outra vida profissional seria para trabalhar com trilhas sonoras, tamanha é minha paixão!).
Assisti agora no Telecine os últimos minutos do filme Moça com brinco de pérola, que mostra um excerto da vida do pintor holandês Johannes Vermeer (segundo a Wikipedia também conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer). Interpretado pelo doce Colin Firth, o filme tinha Scarlett Johansson como a moça pobre que trabalhava na casa do pintor e se torna a modelo de um de seus quadros mais famosos e foi por conta dela que eu nunca tive simpatia pelo filme. Tenho que admitir, ela não estava ruim, mas o casal inicialmente cogitado para estrelar o filme caberia melhor na trama (um clássico da Europa da Idade Média): Ralph Fiennes convenceria mais como o distante pintor casado e pai de mais de dez filhos e Kate Hudson mostraria mais o lado vil da criada Griet do que Scarlett. Mas enfim, o que mereceu um post foi falar da fotografia: linda, perfeita, idêntica à Holanda de Rembrandt e definitivamente merecedora das indicações ao oscar de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.

Na adolescência tive uma certa queda pela Holanda. Primeiro tive uma amiga de lá (que vinha da cidade natal de Rembrandt) que estudou na minha escola e foi uma de minhas amigas íntimas no segundo grau. Nicole era filha de franceses, mas nasceu e foi criada na Holanda e tinha muito orgulho de seu país, o que resultava em conversas maravilhosas e enriquecedoras para mim e minha irmã Sheron. Tínhamos uma bela turma, com intercambistas de vários países (Martina da Alemanha, Marianna dos EUA, Rebecca da Austrália e Hopi que era filha de um paisagista americano que desertou e foi para o Canadá para fugir da Guerra do Vietnã). E com elas aprendi cedo a apreciar e respeitar hábitos e culturas muito diferentes dos meus, ao mesmo tempo em que percebia que minha cultura e meu país eram tão valorizados por quem vinha de longe.
E depois, como tive vaga para ser intercambista do Rotary em Roterdã, minha imersão na cultura holandesa aumentou. Não fui para o intercâmbio, mas continuei atenta. E esta fase aurea da Holanda deixou também marcas na sociedade japonesa. Já comentei que no período feudal japonês só os holandeses tinham permissão de ” intercambiar” com o porto japonês de Nagasaki por séculos, alterando de forma indelével a cultura do país de meus avós.

Haruo Ohara e esposa, foto tirada às vésperas de seu aniverário de casamento. Acervo Instituto Moreira Salles
E por falar na cultura dos meus avós e em coisas lindas, fui conferir a exposição Japão: mundos flutuantes na Galeria do Sesi (Av. Paulista, 1313 – Metrô Trianon-Masp, São Paulo, SP) e reitero a recomendação para quem puder visitar a mostra. Os cenários de ukiyo-e surpreendem quem imagina o Japão feudal como um lugar zen de cerimônias do chá e belos samurais visitando gueixas. E as fotos de Haruo Ohara são maravilhosas a ponto de terem me feito chorar copiosamente (não lacrimejar, chorar mesmo) em frente a diversas fotos, transportando-me sem salvação para o universo que ele retratava e que deve ter sido tão semelhante ao de meus avós e meu pai. Imperdível.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.




Adorei o filme, já assisti faz um tempo. Sam sabia que eu fui intercambista do Rotary? bjs e uma ótima semana….
Sam Shiraishi Reply:
February 2nd, 2009 at 11:26 am
Legal Veri… não sabia que tinha sido exchanger! Onde morou? Creia ou não minha desistência (por conta de uma greve na minha escola que era federal) me fez começar a namorar o Gui…
Morei de Jan92 até Jan93 em Idaho (EUA) ….
Sua desistência tinha um motivo muito maior por trás que na época nem imaginava… that’s life…
Vi esse filem em dvd há bastante tempo, mas adorei! Aliás, gosto imenso da pintura holandesa e da Holanda, que para mim é o país mais bonito da Europa por conseguinte tudo de lá me interessa, rssss…
Boa semana, Sam!
Bjos
errata do comentário anterior: “filme” !
Sam:
Bom dia!
Que texto maravilhoso. Bom para começar o dia bem e se tiver de dia cinza, ficar iluminado. Parabéns!
*Parabéns também pelo aniversário. Que todos os seus desejos sejam realizados e seus objetivos alcansados.
Beijos,
Anny
Sim, já me falaram muito bem desse filme, mas ainda não vi. Tá na lista. Bjo
OLÁ SAMANTHA,DEI UMA PASSADINHA,PUXA COMO SEMPRE O BLOG TA LINDO,E Q CHUVA DE CULTURA COMO SEMPRE HEIN ? RSSS
PARABÉNS QUERIDA,QUE 2000 iNOVE SEJA REPLETO DE COISA BOAS PRA TI.
ESSE BLOG É D+ !!! ABRAÇOS DE MINAS GERAIS PRA VCS UAI.
[...] “A Moça com Brinco de Pérola“, de de Peter Webber, trata da pintura homônima executada por Vermeer, inspirada na vida de jovem camponesa que vai trabalhar na casa da família do pintor e logo desperta sua atenção. Conta com três atores famosos por suas participações hollywoodianas: Colin Firth, Scarlett Johansson e Tom Wilkinson. Gostei tanto do filme, que já vi duas vezes, que escrevi especialmente sobre ele aqui. [...]
@lalubr no high school ia para Roterdã (long story contada aqui http://ow.ly/1ffoe e http://ow.ly/1ffoE) e para trabalho fui pro Japão