Mano Descobre o @mor
E hoje tem outro desabafo mais virtual meu, uma “resenha” do livro do Gilberto Dimenstein Mano Descobre o @mor.
Mano Descobre o @mor aborda de forma descontraída a amizade vitual de um pré-adolescente
Muita gente comenta que os filhos não gostam de ler. Na verdade, creio que a leitura é, como toda paixão ou hábito, uma coisa que permitimos que entre no nosso ser e que finque raízes. É uma decisão consciente e inconsciente. Conscientemente aceitamos, inconscientemente nos entregamos.
Uma mãe me pediu outro dia aqui que sugerisse livros para uma criança de 12 anos que não gosta de ler, que é muito apegada ao PC e aos amigos, e que, por conseqüência, não está lendo nem escrevendo bem. Na mesma hora lembrei e indiquei uma coleção que adorei. Li um dos volumes no ano passado, emprestado por um vizinho e amigo dos meus filhos, o Aldo, que atualmente cursa o sétimo ano (antiga 6a série) do ensino fundamental. Chama-se Mano descobre o @mor e narra de forma muito descontraída e com linguagem atual uma amizade virtual que se torna uma referência importante na vida de um pré-adolescente, exatamente nesta fase em que a família começa a perder a importância em detrimento do grupo.
Outro dia fomos passear no shopping (sábado de chuva é convite para o shopping) e passamos na livraria antes de ir embora. Sempre vamos lá, adoramos ver nossos filhos soltos, vasculhando livros na companhia de outras crianças no setor infantil, onde há pufes e tapete para nos entregarmos ao prazer de descobrir coisas novas. Quando finalmente nos preparávamos para ir embora, eis que encontramos o melhor amigo de meu filho Enzo, o Matheus, com os pais e a irmãzinha (que tem a idade do meu caçula Giorgio). Este menino tem muitas afinidades com o Enzo e ao vê-los naquele ambiente eu entendi exatamente o porquê… a cultura é um legado que passamos aos nossos filhos, do mesmo jeito que o time de futebol do coração. Uso este exemplo porque ambos os pais, que se conheceram naquele dia, torcem ostensivamente para o mesmo time.
As afinidades pesam muito, tanto quanto as amizades. Por isso desde já, além de livros, eu costumo comprar revistas em quadrinhos (sou fã da Turma da Mônica) e a revista Recreio, enfim, revistas do interesse dos meus filhos (que quando forem adolescentes podem ser de informática, de esportes, de arqueologia, de games, de tecnologia, de carros) e procuro ler também, para ter sobre o que conversar e eles perceberem que a leitura de seu interesse faz deles pessoas interessantes, inclusive para os pais. As revistas, por terem uma linguagem mais sucinta e tratarem de temas específicos, são uma excelente alternativa para começar a gostar de ler. O mais importante é que seja por prazer, em busca de algo que seja do seu interesse e que demonstre sua opção, ainda mais quando se trata do público juvenil.
Esta linguagem entrecortada e o apelo visual das revistas são também trunfos do livro Mano descobre o @mor. A estória pode causar mais empatia em alguns, mas creio que sempre traga alguma identificação, pois me lembrei de minha própria adolescência. Mano e seu irmão são jovens que não se identificam com a mãe, com quem moram, nem com o pai, a quem visitam. Suas referências são colegas de escola, amigos de bairro, o porteiro do edifício, a empregada e seu namorado, e, claro, os amigos virtuais. Mas, como na história, se os amigos virtuais não respondem e-mail, não sabemos como encontrá-los, ter notícias, ajudar. Eu mesma, depois de ler o livro, tomei a decisão de atualizar minha agenda de e-mails e incluir telefones e endereços de pessoas que se tornaram importantes, bem como omitir minhas informações pessoais dos ambientes “públicos” demais -como orkut. Creio que a mensagem para os jovens leitores seja esta, de que devemos também nos relacionar com quem está perto, como a nova amiga dos protagonistas, que é uma vizinha “viciada em LEGOS”. Um bom vício que ela ensina ao irmão problemático de Mano e acaba servindo de terapia familiar.
Enfim, as soluções estão próximas, tanto para ensinar nossos filhos a ler, quanto para torná-los nossos amigos.
Uma referência para mães de adolescentes é a “mãe coruja” Andréia, que tem quatro filhos homens nesta faixa etária e chegou a fazer curso de manutenção de computadores para se aproximar da linguagem dos filhos, como ela conta aqui.