Limites e respeito em família

Postado em Comportamento, Mãe com filhos no dia 30/04/2011 |

Nos mais de dois anos em que fui articulista no Mãe com filhos recebemos muitas perguntas sobre limites dos filhos, com pais que se dizem perdidos diante da cansativa tarefa de colocar limites no cotidiano dos filhos. Afirmações como “não me obedece a não ser por ameaça” ou “já cheguei bater nela, por de castigo, mas ela so piora” são uma demonstração que de a pessoa chegou ao seu limite. Como pais nós também temos direitos, também chegamos ao limite e cansamos de tanto repetir as mesmas ordens, sugestões, orientações sem sermos ouvidos.

Ainda tenho momentos assim com meus filhos, mas sofri mesmo quando eles estavam na “pior idade”, ou seja, a fase do reizinho, entre 2 e 4 anos. Gosto muito de ler e foi nos livros que achei soluções para nossa convivência. O livro que me ajudou muito a compreender a importância de estabelecer, manter e respeitar os limites, tanto deles quanto meus, foi Limites sem Trauma, da filósofa, mestre em Educação e professora da UFRJ Tânia Zagury (que tem um site com conteúdo muito bom aqui ). Inclusive, acabo de indicar para minha irmã, que está começando a sofrer com a manha do meu sobrinho, de pouco mais de um ano.

Tânia Zagury foi a pioneira em tratar dos limites na educação dos filhos, exatamente quando todos os profissionais da área defendiam a liberdade total para as crianças, com o propósito de não traumatizá-las.Precisamos de um pouco de história para compreender: até os anos 1960 a educação se baseava na repressão e no autoritarismo dos pais, linha que foi substituída por uma tendência à liberalização que acabou conduzindo à falta de limites. Pesquisando os resultados desta mudança nas famílias brasileiras, Tânia alertava no livro “Sem padecer no paraíso “, em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos (resultado de uma pesquisa feita em 1989 com 160 pais) acerca das conseqüências sociais da liberdade excessiva que estava sendo dada às crianças. Os pais que foram reprimidos como filhos, continuaram a ser reprimidos como pais e a liberdade se confundiu com falta de autoridade. A autora também deixa um apelo nas suas entrevistas sobre o tema, afirmando que “a coisa mais importante é redirecionar os pais para o seu verdadeiro papel, o de educadores.”

Se você está vivendo esta situação, lembre-se de que tanto você quanto seu companheiro e seu(s) filho(s) têm direitos e deveres na família e que uma condição para viverem em harmonia é respeitarem uns aos outros. Ensinar nossos filhos a respeitar as regras da boa convivência em família e tentar atender às necessidades de cada um é um dos maiores legados que deixaremos a eles como cidadãos. E com uma boa conversa, atitude firme (de quem não volta atrás porque tem certeza de estar certo) e amor vocês conseguirão passar por esta fase sem precisar cair na tentação de experimentar tapinhas ou castigos físicos para se fazer respeitar.

P.S.Um truque que eu uso quando fico em dúdiva sobre isso é me perguntar como eu reagiria se estudasse ou trabalhasse com uma pessoa como meu filho. Na hora eu percebo se o ensinamento é necessário ou não para ele ser feliz e realizado no futuro.

[Texto originalmente publicado no Mãe com filhos em 11/03/2009]

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


18 Responses to “Limites e respeito em família”

  1. sindrominha says:

    Oi Sam
    Oi Adorei o blog, convido você a conhecer o meu blog de textos. obrigado, um abraço.

  2. Mari Hart says:

    Vou repetir meu coment do FB. Acho que criança “pede” limite e a falta deles é a raiz dos nossos maiores problmeas da sociedade. Estou sentindo na pele a falta de limite que os pais não dão aos seus filhos do meu convívio social. Falta pulso, diálogo e respeito no sentido de “ouvir” mais a criança que tb é um ser humano como outro qualquer com desejos e medos.

    Acho que aprtir para agressão física mesmo que “palmadinha” inocente não é o caminho, ensinamos os filhos a resolverem seus problemas com a força física, qdo na verdade o X da questão é a força psicológica que cabe a nós pai, adultos encontrarmos este equilíbrio e passar bons exemplos aos cidadão que as crianças se tornarão. Não canso de dizer que os filhos são o reflexo ods pais. Para o bem e/ou para o mal.

    Bjks!

  3. Oi Sam,
    passamos por essas situações e os lvros ajudam muito. Eu acabei de reler Os Direito dos Pais de Tânia Zagury. A Sofia que está para fazer 6 anos está passando pela mesma fase que a Ana Luiza passou. Na época a psicológa falor que as crianças nessa idade começa as testar o nosso amor. Fazem coisas meio absurdas para verificar se nós as amamos mesmo assim. É cansativo mas temos que enteder e respeitar os nossos limites e os dos filhos,. Os nossos deveres e os deles. Os nossos direitos e os deles. E assim vamos nos conhecendo e aprendendo a cada dia.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

  4. Telma Maciel says:

    Ei, Sam. Minha irmã me deu esse livro qndo Sofia ainda era um bb. Guardei pra ler a cada ‘fase’, né? Mas acabei me esquecendo dos livros e, com trabalho e faculdade, me perdi nos limites e regras… foi mto ruim! E então, agora q saímos das asas da minha mãe (me ‘casei’), tive dificuldade com ela. Me lembraram desse livro semana passada e, claro, procurei em todos os lugares possíveis! Encontrei!
    Estou relendo mas, para me ajudar, adaptei umas idéias da SuperNanny com a nossa rotina e estamos trabalhando nisso! Tem funcionado!
    Tbm tenho o Quem Ama, Educa, do Içami Tiba. Vou reler depois q terminar o da Tania (que, aliás, é possível ler em uma só sentada, né? rs)
    Um beijo!

  5. Marisa says:

    Sam,

    Adorei o post e a dica do livro. Estou precisando, meu reizinho (que até nome de rei tem) anda impossível. Muito malcriado, só fala dando ordens, grita, bate, até xixi nas calças já fez na escola só pra “revidar” uma reprimenda da professora. Por mais que eu fale e coloque de castigo, parece não adiantar. Cansa demais!
    Ontem passei vergonha, pois deixei ele de castigo dentro de uma loja de shopping. Não comprei nada e, pior, ainda fiquei um bom tempo na loja com ele, não deixando ele sair de onde o pus sentado enquanto não me pedisse desculpas. Ele me deu um tapa na cara, é o tipo da coisa que não relevo, esteja onde estiver.
    Não cedo, pois realmente não admito que ele seja tão mal educado. Pra quem foi educada como eu fui, numa época em que simplesmente não se cogitava não respeitar os pais, a atitude dele é inconcebível. Mas tem dias em que é dureza, viu?
    Vou correndo comprar o livro e ver se me ajuda…rsrs

    beijos!

  6. Ótimo post Sam!
    “a coisa mais importante é redirecionar os pais para o seu verdadeiro papel, o de educadores.”
    Estou entrando em conflito com as crias aqui tb. A Rafa com todo o azedume da adolescência e o Italo me testando a todo momento. Quando sinto que estou perdendo o controle, que vou começar a sessão de berros, saio, respiro e volto para dialogar. É um teste de nervos para a mãe viu? Mas aos trancos e barrancos eu vou contornando situações, e tenho me saido bem. O que me preocupa são pais que não colocam limites porque nem eles os connhcessem. E as crianças estão por ai, convivendo com as nossas crianças e se achando as donas do mundo. Ai sim é difícil viu?

  7. Estou “reprisando” meus comentários do FB.

    Sam, uma coisa é certa: não é à toa que livros como “quem ama, educa”, “limites sem trauma” e “transforme seu filho até sexta” são sucesso de vendas…

    Vivemos uma época em que, a partir do que muitos educadores e profissionais da saúde confundiram com construtivismo se limitou o papel dos pais a escravos dos filhos. Me desculpe quem entrou nessa, construtivismo é permitir o desenvolvimento das potencialidades das crianças, nunca deixar de corrigir erros, nem dizer amém pra tudo. Eu tenho, sim, perrengues com minhas crianças. Educar exige paciência maior do que a que eu imaginava, envolvimento que sempre quis ter e em alguns momentos, uma certa rigidez. Porque as crianças pedem limites e quem dá são os adultos, não o contrário.

    Tem escola aqui em POA fazendo reuniões semanais que duram horas e colocando os pais cada vez mais como reféns dos filhos, uma coisa doida, como se dizer não fosse um ato criminoso… Acho isso insano!

    Uma lavagem cerebral do tipo “nada do que fazemos é suficiente”, sempre nos dedicamos pouco, as crianças cada vez preciam de mais, uma coisa doida. E essa escola já tem todo um diferencial de normalmente ter pais que buscam uma educação diferenciada e participam da vida dos filhos ativamente. Uma amiga tirou a filha de lá por esse entre outros motivos.

    Sinceramente, como professora, acho que relacionamentos se constróem e é assim que acontece, com respeito; ou sem… E quando sobrecarregamos quem é responsável pelo ensino formal coma cobrança de que faça o papel da família estamos invertendo papéis.

    Não abro mão do meu papel de mãe, mas temporariamente abri do de professora.

  8. Rogéria Thompson says:

    Ótimo post,Sam…tive uma educação mais rígida e agora vejo a diferença com meus filhos,eles fazem coisas que nunca fiz ou falei para minha mãe, procuro colocar limites para eles e tenho andado no meu limite ultimamente,cansada de falar e falar as mesmas coisas, mas como ouvi de uma psicóloga “muita gente tem costume de dizer que cria filhos,nós criamos cachorro,gato,galinha,filhos nós EDUCAMOS…” Sábado eu e meu marido conversamos muito com as crianças,foim um momento elogio falando a verdade, colocamos os defeitos e ressaltamos as qualidades.Eu contei que fico muito feliz,pois as professoras vem a mim dar parabéns pela educação deles em sala de aula,pela dedicação e por serem respeitosos,como alguém disse aqui os filhos são reflexos dos pais,então mesmo com muitos erros acho que nós estamos refletindo coisas boas…Essa discussão é muito válida e necessária,pois temos visto pequenos ditadores,e nem estão mais nesta fase de 2 a 4 anos,crianças até mesmo difíceis de se conviver,uma pena isso…

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