Law & Order ou CSI?
TV April 16th, 2008
No noticiário de ontem à noite e hoje de manhã vi mais das mil repercussões do o caso Isabella Nardoni. Tenho evitado acompanhar o caso pela TV porque não queria que os meninos escutassem, ainda mais depois do episiódio do metrô com o Giorgio, mas hoje acabei vendo parte das conclusões da TV Globo. Como disse o Gui, eles estão fazendo um verdadeiro episódio de Law & Order SUV deste caso, com detalhes de CSI. Mas o furor da mídia não tira o mal estar que traz notar as evidências de que o pai e a madrasta se contradizem, vizinhos se apresentaram com testemunhos irrefutáveis e e a sensação de luto novamente por constatar que realmente o pai pode estar muito envolvido e conta com o silêncio dos avós, tios, todo mundo! Não gosto de julgamentos precipitados, mas não deixo de pensar neste caso que precisamos rever nossos conceitos, repensar se vale a pena forçar a convivência de pais e filhos arriscando as crianças a uma experiência de vida nociva! Há que se pensar e muito em como nós contribuímos com nossas cobranças sociais para a manutenção de um modelo de convivência que não é feliz nem construtivo.
P.S. O episódio do metrô: na semana passada o “circo” (a confusão que a mídia criou sobre o caso) chegou até nós. Estava no metrô com os meninos, no vagão para idosos/grávidas/etc e uma senhora me perguntou a idade o Giorgio. Ao ouvir 5 anos, soltou: “é mais ou menos a idade da menina (Isabelle), eu só queria ter uma noção do tamanho da criança para ser jogada. Então acho que não foi a madrasta, precisava mesmo da ajuda do pai!” Aguentei por 3 estações um burburinho desagradável que colocava meu filho na berlinda, como possível vítima e, confesso, foi bem desagradável. Minha defesa foi me manter neutra para não dar corda. Talvez seja a defesa da mãe da vítima (sobre a qual Lunna, psicóloga de formação, tratou num post), mas de fato deveríamos todos nos ocupar de outras coisas. Mas a turba continua animada com o espetáculo.



April 16th, 2008 at 4:18 pm
Sá,
Impressionante a falta de noção da pessoas!!! Que coisa horrível, que comentário mais absurdo (o da senhora dentro do metrô)!
Eu fico pensando o que é que se passa nas cabeças dessas pessoas, pra se acharem no direito de fazerem tais perguntas e constrangerem os outros, como se aquilo não fosse nada, como se fosse algo simples como pedir um copo d’água…
E o pior ainda, com as crianças por perto…
Será que as pessoas não conseguem se colocar no lugar umas das outras, pra saber o que o outro sentiria, ao ser interpelado com comentário tão descabido?
April 16th, 2008 at 7:12 pm
As pessoas não têm noção do que dizem. Acho que simancol deveria ter cartilha distribuída pelo governo e nos postos de saúde.
April 16th, 2008 at 7:18 pm
Que isso amiga!? “só queria ter noção do tamanho da menina?!”… totalmente sem noção mesmo! pior que esse falatório é geral, ouço pessoas discutindo e “analisando” provas no maior estilo CSI. Pena que isso vai acabar virando um “cold case” logo logo…o que me deixa mais indignada (não menos do que o assassinato brutal, seja lá quem for o culpado…) é que dezenas de vidas, não só de crianças, são perdidas todos os dias, de forma até mais brutal e burra, mas pq só dão tanto espaço para alguns casos?…Gabriela…Isabella, João Hélio…e os outros Joões e Marias por aí…são apenas mais um número?…para quem vê de fora pode acabar achando que esse tipo de crime é totalmente eventual nesse país.
April 17th, 2008 at 10:33 am
Estou impressionado com a falta de noção da senhora do metrô!!
Mas eu adorei essa parte do seu texto:
“repensar se vale a pena forçar a convivência de pais e filhos arriscando as crianças a uma experiência de vida nociva! ”
Concordo plenamente. Não é o simples fato de serem pai e filho que deve obrigar duas pessoas a conviverem. Isso devia ser natural, causado pelo amor, pelo afeto que um pai deveria ter pelo filho. Mas infelizmente há casos em que isso não existe e a convivência forçada só é ruim para todos.
April 18th, 2008 at 2:51 pm
Eu fico a cada momento mais espantada com essa história, Sam, a ponto de ter decidido não acompanhar mais nada: é uma questão privada, não me diz respeito, apesar de ser um horror. Já me bastam os horrores com que eu tenho que lidar diariamente.
E eu fiquei chocada com o episódio do metrô. Além das coisas absurdas que acontecem todos os dias, a gente tem que proteger as crianças das coisas que são projetadas. Espero que o Giorgio não tenha ficado abalado por isso.
E obrigada por ser do Grupo dos Sete. É um grupo altamente selecionado!