Jornalismo na era digital

Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 24/01/2008 |

ciranda.jpgAdoro minha profissão, mas admito que até hoje vejo aquele desânimo e sinto a “solidariedade misericordiosa” das pessoas comuns quando ficam sabendo que não trabalho na televisão. O jornalismo se tornou uma atividade basicamente televisiva para a maior parte da nossa iletrada população e eu entendo, por isso não dou bola, nem defendo outros veículos, nada, simplesmente respondo onde trabalho, confirmo que nunca trabalhei na televisão e dou um jeito de por “ponto final” no tema.

Amo TV, mas é absolutamente lazer para mim… quando trabalhamos com algo, a coisa se torna tão automática que não conseguimos mais relaxar. Há anos não leio revista alguma com isenção, estou sempre com olhar crítico e o prazer se vai, por isso fico feliz que a televisão seja minha alienação assumida.

Mas não deixei de sentir certo prazer ao ler o Bruno Rodrigues exaltar a Coragem de Fátima Bernardes que assumiu numa entrevista com Marilia Gabriela que não gosta de trabalhar com internet. Isso redime “a moça aqui” que gosta de mídia impressa – de preferência só “virtualmente” impressa. E deixa um espaço, como lembrou Bruno, para toda uma geração de profissionais de mídia que podem se especializar no que gostam ao invés de fingir que “jogam nas onze”. Tudo sem um pingo de culpa e – espero – quase sem preconceito.

Mas fazer jornalismo on line é uma tarefa árdua e exigente, porque é uma metamorfose constante, um desafio diário. Tudo muda todo dia, a atualização que se exige é imensa e somos levados por uma cyberchase sem fim, com widgets, redes sociais, tags e novos modelos para tudo surgindo diariamente. Ceila escreveu sobre o tema na terça (para a primeira edição da Ciranda de Textos do André Deak) falando do jornalismo on-line e ressaltando a diferença entre jornalista que atualiza site e o que faz jornalismo online, aquele que, nas palavras dela, “reduz a distância entre o que se quer ler e o que se escreve. E quem pode falar tão bem sobre o estreitamento de relações na blogosfera do que a Ceila, que criou uma rede de mães e pais blogueiros no Desabafo de Mãe?

P.S. Lendo a Marjorie e o “esporro” da Ana dizendo que Wikipedia não é fonte”, vejo que apesar de ser redundante, precisamos falar do jornalismo – on line ou não. Imaginem a CartaCapital dar uma notícia de capa sobre Kaká e Renascer (não li a matéria, só a repercussão) sem ouvir de fato a família, só com base nas notícias. Puxa, precisamos melhorar.

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


0 Responses to “Jornalismo na era digital”

  1. ceila santos says:

    oi sam, muito legal sua participação. avisou o Deak que está participando? seria legal para ele te linkar no guia de hoje…adorei as colocações!

  2. [...] vida como a vida quer Samantha Shiraishi fala sobre fazer jornalismo online sem culpa ou preconceito -  “uma metamorfose constante, [...]

  3. Sam, precisamos de falar sim. Em Portugal fala-se muito pouco do jornalismo on-line, que (confesso) só conheci nesta maior dimensão através de ti e do teu blog. Por cá é ainda muito encarado como um “passatempo” ou extra para um “jornalista normal”. lol
    bj

  4. Lunna says:

    Por essas e outras que aviso a todos que sou formada em jornalismo, mas sou escritora. Escrevo o que desejo – as vezes gosto de ir a campo como agora que irei escrever sobre FEIRA LIVRE em São Paulo – um assunto abordado por ti em outra ocasião.
    Mas tem momentos que prefiro me ausentar da linguagem comum do jornalismo, porque hoje em dia virou salada e são poucos os que se destacam.
    Quanto a matéria do Kaka – ainda acho que o desejo final é o que se conquistou com a matéria. Repercurssão. É só o que se busca e para tal deixa-se de lado a verdade, a lealdade para com a profissão.
    Eu escrevo, invento e não sou jornalista, embora tenha um diploma (que aliás, não faço idéia de onde esteja).
    Abraços meus a você!

  5. Ana says:

    admito que até hoje vejo aquele desânimo e sinto a “solidariedade misericordiosa” das pessoas comuns quando ficam sabendo que não trabalho na televisão.
    Eu já ouvia isso mesmo antes de entrar na faculdade, há mais de 10 anos atrás… engraçado como as pessoas acham que jornalista só trabalha na televisão, né.

  6. [...] >> leia o texto na integra aqui [...]

  7. Acho o jornalismo na Internet tão mais ágil que o televisivo. Quando vejo os jornais na televisão já conheço as notícias do dia que eles estão veiculando, pois já os vi na Internet. O problema é que ainda não é levado a sério, e a Internet ainda não é acessível a todos, mas acredito que isto vá evoluir. Um beijo aquariano.

  8. [...] >> leia o texto na integra aqui [...]

  9. [...] para fazerem isso… Alguém aí se habilita? Já sabia a resposta, então indico a Letícia, a Sam (só porque ontem foi aniversário dela) = presente de grego. E o Oscar! [...]

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