Pão e circo no caso Isabella
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 06/04/2008 |
Nem ia tocar neste tema aqui, apesar de ter sido a história da semana na mídia, como bem escreveu Najda: o caso de Isabella Nardoni, vítima de um crime ainda sem explicação plausível e que, por isso mesmo, foi explorado ao extremo pela mídia. Tudo no crime assusta: a pouca idade da mãe (23), do pai (29, já com 3 filhos), da madrasta (24), a sucessão de histórias mal-contadas, a decisão da polícia de assumir suas dúvidas sobre a história (que deveria ser sigilosa, para evitar pré-julgamentos, mas serve para trampolim e promove imagens pessoais de muitos envolvidos na repercussão) e a impossibilidade de se conter uma comoção coletiva em casos como este. Quem lembrou do menino João Hélio? Eu lembrei imediatamente e pensei na família, que conseguiu me surpreender dia a dia com atitudes como a de liberar imagens da menina via orkut.
Estudante de comunicação, Nadja, no blog Quase Tudo, relembrou a gravidade dos julgamentos precipitados que a mídia tem feito e nos faz pensar no quão importante é termos uma postura isenta diante dos casos.
Lembram do caso da escola Base em São Paulo?Em que a mídia julgou previamente o fato, e depois da descoberta da inocência dos seus diretores, nenhum deles tem uma vida normal hoje. E o pior é uma ferida que a própria mídia não curou, e não aprendeu.(A mídia no caso Isabela)
A comparação com a Escola-Base foi feita em dois textos que o Observatório de Imprensa destacou: A leviandade também é crime (de Clovis Rossi na Folha de S. Paulo) e O caso Isabella Nardoni é uma nova Escola Base (de Luiz Antonio Magalhães, no Diário de S. Paulo).
Ruth de Aquino, redatora-chefe da revista Época, levanta o mesmo caso (e como não?) na sua coluna Nossa Antena, comentando como o Brasil esqueceu da dengue, do dossiê contra Dilma e de tudo o mais para vasculhar o orkut da família da vítima.
O sorriso de Isabella, os olhos castanhos de Isabella, as fotos no Orkut de Isabella abraçada à mãe e no colo do pai, o corpo de Isabella com marcas de asfixia, as cartas de despedida a Isabella escritas pelo pai e pela madrasta em papel com coraçãozinho. Só mesmo um crime pavoroso de classe média para derrubar das manchetes Lula e os fantasmas que rondam o país: o terceiro mandato, a farra dos sindicatos entregues a Deus e a ministra que sonhava ser dama de ferro, mas derrete no primeiro escândalo chinfrim. Dilma quem? A morte covarde da menina de 5 anos, arremessada como um traste inútil pelo buraco tosco recortado na tela, hipnotizou o Brasil. Depois de assistir, na televisão, a mais detalhes sobre o crime, Brasília fica parecendo cenário de Casseta & Planeta, uma capital desconectada da realidade. (Um corpo que cai)
Como a sociedade pode mudar tão radicalmente de foco? Pão e circo, infelizmente, o povo reage com paixão e a miséria alheia serve como cortina de fumaça para os problemas da nação. Não minimizo a gravidade do caso, nem tampouco deixo de entender a curiosidade acerca do trabalho da polícia forense neste caso, mas não estamos vendo o filme Gladiador ou um episiódio do CSI.
Max reverberou o tema ontem no Nossa Via, levantando o ponto que devemos focar e que eu lembro bem de outros casos. Lembram da morte do Senna? Eu estava na faculdade e lembro bem das discussões na aula de sociologia da comunicação. Quantas vezes mataram Airton naquele ano? Quantas vezes o faremos com Isabella?
A espetacularização da violência, o julgamento em praça pública, os desvarios de uma mídia que faz tudo pela audiência têm que acabar. Temos que entender que a mídia influi na consciência da população e que isso, em minha opinião, até agora tem sido feito de uma maneira bastante equivocada! (Basta de espetacularização do sofrimento alheio!)![]()
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





Ah, mas eles adoram ser os CSIs. Você por acaso está assistindo à reportagem “exclusiva” da Record? É uma “reportagem investigativa”. Faça-me o favor, né…
Zé
vc vai rir, mas quem me deixa por dentro de tudo na Record nesta semana é a empregada, que quer me contar as ultimas quando chega. Até ela me disse que “a mídia está exagerando” e foi quem me contou do orkut da mãe da menina.
Abraço e obrigado por ser uma visita tão constante.
Sam
Pois é, Sam!
E a gente parece que vai sendo obrigado a tocar nesses assuntos… talvez para tentar esgotá-los logo e deixar que outras coisas apareçam!
Sobre o comentário do Zé: a única diferença dos CSIs é que estes são “realmente” ficção e servem para que a gente repense e intelectualize as “raízes do mal”!!! Já com a realidade….
Nossa, Sam, concordo com tudo: não aguento mais chegar em casa e a TV requentar a mesma história triste e frente à qual somos impotentes…
Sabe o que eu descobri? Estávamos na faculdade na mesma época: tenho clara a imagem na minha cabeça, discutindo a repercussão do acidente no “S do Senna”, nas escadarias da TV Gazeta…
[...] o caso Isabella Nardoni aumentaram as preocupações das mães sobre a cobrança de pensão alimentícia ou o direito de [...]
LINDA A GAROTINHA ISA QUE FOI MORTA POR ALGUEM QUE DIZIA SER SEU PAI MAS VOCE AGORA ESTAR COM O PAPAI DO CEU.CRIANCAS COM VC VIRA UM LINDO ANJO QUE TERA A VIDA ETERNA.EU TENHO 17 ANOS MAIS VOU FAZER JUSTISA ,VOU ESTUDAR PARA QUE OUTRAS CRIANCAS NAO PASSE POR ISSO POIS VOCE NAO PODERIA SER MORTA DESSA MANEIRA E PELA PESSOA QUE ERA DE CONFIANCA(SEU PAI).ASS:AYANE LOPES