Ídolo de uma geração

Postado em Mãe com filhos no dia 31/01/2010 |

Quando eu tinha 11 anos passei a ter um quarto só meu. Finalmente dormir sem meus irmãos pareceu a glória e eu, me sentindo plenamente adolescente, enchi a parede de coisas minhas. Dentre elas duas capas de disco (é sim, de vinil) e uma delas era do Fábio Júnior, outra do Michael Jackson. Hoje lembro disso e rio. Primeiro porque no fundo eu morria de saudade da minha ex-estante de bonecas (para as quais eu dava boa noite com beijinhos antes de dormir) e segundo porque não era uma fã de verdade do FJ ou do MJ. Mas todo mundo era – e como eu podia não ser?

Ele foi o ídolo de uma geração, creio, assim como seu filho Fiuk parece estar se tornando com sua participação na Malhação. As gerações mudam, mas algumas coisas que são intrinsecamente humanas permanecem. Há um tempo li uma reportagem de Cecília Negrão que dizia que

“No passado, as gerações se definiam pelos ícones que as representavam, James Dean era o inspirador da “juventude transviada” dos anos 50. Os Beatles e os Rolling Stones, da turma do “sexo, drogas e rock’n'roll”. Madonna, com suas canções e sua atitude, liderava a juventude “com licença, eu vou à luta”, da década de 80.”

A geração atual não cola um pôster na parede, cola vários e é infiel por natureza. Eles são substituíveis, podem ser trocados na vida e no coração – se é que chegam lá de fato. Se o seu filho está nesta fase, os especialistas aconselham a permitir esta fase, mas observar tudo de perto e sentir se esta identificação com o ídolo afeta seu cotidiano ou sua personalidade.

De acordo com psicólogos, a tendência de se ter ídolos durante o início da adolescência vem da necessidade de se criarem grupos de “iguais”. Ou seja, para se sentirem “parte”, os pré-adolescentes precisam ter turmas de amigos com algo em comum. Em muitos casos, essa identificação é, exatamente, o ídolo. Essa figura pública e inatingível (normalmente personificada em um ator, cantor ou esportista) será o motivo para que aquele grupinho desenvolva laços. Além disso, os especialistas destacam que, ao “adorar” esses ídolos, os jovens estão alimentando fantasias, o que é extremamente saudável e representa uma evolução do comportamento infantil, quando os pequenos fantasiam por meio de brinquedos e contos de fadas.

E mesmo que você ache que o Fiuk um tanto bobinho ou menos bonito do que o pai dele era (risos), cuide-se ao se referir a eles de forma negativa ou pejorativa. Mesmo que não concorde e ache toda essa admiração bobagem, não se pode ridicularizar os sentimentos do garoto ou da garota. A opinião do pai e da mãe é extremamente relevante para qualquer pessoa, especialmente nessa fase.

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


5 Responses to “Ídolo de uma geração”

  1. Fábio Mayer says:

    Tpda garota de 13/15 anos tem um ataque histérico por conta de alguma “boy band” e todo garoto da mesma idade tem fissura por algum grupo de rock ou personagem de cinema… acho que isso não mudou muito, a questão é que no nosso tempo, não havia internet, as imagens de nossos ídolos precisavam estar nas paredes do quarto mesmo…

    …eu é que fui diferente naquela época, a única coisa que me fazia perder a sanidade era o Coxa, não tive super-idolos no mundo da música, gostava de um pouco de tudo.

  2. Eu ADORAVA o protagonista do filme “De volta para o futuro”….. AHHHHH! Bons tempos!

  3. [...] Pop, o artista que, como diz o video, foi a escolha de uma geração – há um ano eu falava Ídolo de uma geração. É um comercial sim, mas baseado numa das minhas músicas favoritas dele e tem a doçura que MJ [...]

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