Gravuras Poty no Museu Oscar Niemeyer
Postado em Artes no dia 26/09/2009 |
Meu marido (mezzo catarinense, mezzo paulista) diz que Poty Lazzarotto (um Bicho do Paraná) só pintava araucárias, pinhões e cenas curitibanas… talvez seja verdade, mas Degas não é conhecido por suas bailarinas, Rembrant por seus auto retratos, Di Cavalcanti por suas mulatas, Klimt por suas lindas ruivas e Gaugin por cenas da Polinésia?
Eu sou fã deste meu conterrâneo, conhecido no Brasil e no exterior pela execução de grandes murais e painéis, mas que tinha também uma produção excepcional de gravuras. Poty Lazzarotto (1924-1998) deixou sob os cuidados da Fundação Cultural de Curitiba uma seleção de 97 dessas obras a partir de hoje (até 22/11) estão em exibição no Museu Oscar Niemeyer (rua Mal. Hermes, 999, Curitiba, PR).
Li hoje um relato sobre ele e nem vou tentar escrever o meu, copio e colo abaixo:
O Vagão do Armistício, um restaurante frequentado por políticos e intelectuais, instalado no quintal da casa da família Lazzarotto, no bairro Capanema, foi um marco decisivo para a bem sucedida trajetória do artista. Foi lá que o interventor Manoel Ribas conheceu o talento do jovem Poty, que ganhou uma bolsa de estudos. Na Escola Nacional de Belas Artes, Poty recebeu sua primeira premiação, a Medalha de Bronze em Pintura no Salão Nacional, em 1942. Logo despertou o interesse pela gravura e não parou mais.
Ele ilustrou contos e crônicas. Entre 1946 e 1948 fez ilustrações para a revista paranaense Joaquim, editada por Dalton Trevisan, para jornais e publicações paulistas, cariocas e para obras de escritores consagrados, como Guimarães Rosa, Dinah Silveira de Queiroz, Jorge Amado, Euclides da Cunha e José de Alencar. Como bolsista do governo francês, na École de Beaux Arts, de Paris, estudou litografia e viajou pela França, Espanha e Itália, absorvendo influências europeias.
De volta ao Brasil, já consagrado como um dos pioneiros da gravura brasileira, Poty organizou um curso de gravura em São Paulo, Salvador e Recife, realizando um grande trabalho de divulgação e aperfeiçoamento dessa técnica. E foi com a gravura que o curitibano participou das três primeiras Bienais de Arte Moderna de São Paulo, de 1951 a 1955.
A partir de 1950, ele começou a se especializar na execução de murais, utilizando temáticas universais, como o registro de fatos cívicos, nacionais, acontecimentos da vida política, econômica, social e do cotidiano das cidades. Poty criou um verdadeiro arquivo visual da história e da evolução tecnológica do homem, afirma a crítica de arte Nilza Procopiak. São de sua autoria inúmeros painéis e murais em edifícios públicos e particulares do país e até na França, onde ele executou, em madeira gravada, o mural para a Casa do Brasil.
Por sorte eu vivi numa cidade cujos espaços públicos foram privilegiados pelas obras deixadas por Poty, como o Monumento Comemorativo ao 1o. Centenário da Emancipação Política de Estado do Paraná, São Francisco e Paraná, Assembleia e Símbolos do Paraná, o Trabalho Humano e a Evolução Tecnológica e Desenvolvimento de Curitiba. Não sei se vou para Curitiba em tempo, mas se você estiver na cidade, visite por mim!
Belo post!
lindo