Está chegando o dia da Festa Junina na escola #arraia

Este post é parte de uma brincadeira junina. A partir de hoje até o final de junho vamos postar sobre suas visões, lembranças e dicas relacionadas às festas juninas. Se você quiser, junte-se a nós e conte também como é a sua festa junina – mas não esqueça de depois linkar o post para eu rececer o trackback pois vou listar aqui os participantes.;)

bandeiras festa junina

Sabem aqueles filmes onde as mães passam as horas livres costurando roupa de beterraba para a peça de teatro sobre o Dia de Ação de Graças? Eu – que, diga-se de passagem, tenho na costura um hobby, amo musica e artesanato – me sinto assim, nonsense, quanto às festas juninas de escola.

E eis que há algumas semanas meus meninos só falam da festa junina da escola e me esforço sobremaneira para não deixar transparecer minha má vontade com este tradicional evento escolar – e o cansaço com todas as implicações que ele traz. Antes que me atirem pedras – e não sei se tem como eu deixar de ser apedrejada neste assunto – deixem que eu dê minha visão!

festa junina da escola casorio por você.

Como meu querido Giorgio (noivo da escola no ano passado), eu também já vivi esta glória junina! (O vestido da noiva era da professora, que o usou quando era criança!)

Quando eu era menina, confesso, adorava as festas de interior. Morei numa cidade pequena, então, além da festas juninas, participava orgulhosa de apresentações nas festas locais, como a do padroeiro (o Bom Jesus da Cana Verde) e já fui noivinha e sinházinha. Tive meus momentos de glória caipira, admito, e eles foram bem felizes. Mas nunca vi o lado da mãe, que eu vivo agora – e para eu ser sinhazinha com um luxuoso vestido de velulo rosa-antigo minha mãe deve ter se incomodado muito. Os pais se sacrificam muito para as crianças brilharem nestes eventos e sob este enfoque que eu tenho minhas reclamações sobre as festas juninas nas escolas.

Por que? Perde-se tempo e consome-se material em demasia para realizar estas festas na escola. Aqui alguns hão de concordar comigo, é triste ver a competição que se cria para ver quem leva mais prendas para a escola! As prendas quase sempre são um atentado à sustentabilidade. Justo elas, que deveriam ser um retrato do que significava a arte regional, a simplicidade das trocas e das brincadeiras que reuniam comunidades nas quermesses de interior, são hoje um festival de brinquedos chineses descartáveis  (e de procedência duvidosa) que, com sorte, servirão apenas para aumentar o lixo reciclável. Quem não é pai não sabe, mas a gente gasta comprando as prendas e não raro temos que comprar ingressos e tiquetes para as crianças brincarem na festa e “pescarem” estas mesmas prendas. Será que não podemos criar um formato menos consumista para manter esta festa tradicional e ensinar nosso folclore e nossa cultura interiorana, compartilhando estes momentos de confraternização com menos desperdício?

O outro ponto que me incomodava era o fato de as crianças passarem um mês perdendo uma aula por dia para ensaiar. Mas aí, ao abrir meu coração para os blogueiros da rede MdeMulher quando combinávamos o “Arraiá do MdeMulher” e acabei tendo uma lição de dois professores de lá. O Pablo Biglia, que é professor de educação infantil, foi o mais enfático. Segundo ele

“A dança, o ritmo, a concentração, tudo traz disciplina para o aluno. A expressão corporal, a noção do equilíbrio e o controle sobre o próprio corpo, expressar a arte através de uma quadrilha não é, jamais, uma perda de tempo.”

Eis que nos dias que seguiram nosso papo, meus filhos ficaram ainda mais empolgados com a festa e a dança junina. Notar Enzo cantorolando “ela só quer, só pensa em namorar” e falando de Luiz Gonzaga, Giorgio repetindo o tempo todo a coreografia foi mais do que suficiente para eu me convencer de que não é perda de tempo!

festa junina da escola enzo e tamara por você.

Quadrilha da turma do Enzo no ano passado. Fiquei bem feliz por ele ter dançado e aproveitado a festa.

Minha irmã, que tem um menino-bebê louco por música (aos 18 meses ele assiste compenetrado a DVDs de shows, até do Renato Borghetti), me deu um puxão de orelhas virtual também:

“O que há de errado em aprender, treinar e se divertir com algumas aulas a menos substituídas por música? Eu sempre gostei. Depois a criançada compensa a falta desses horários, vc vai ver…”

E aí, a Michele Roças, que geralmente é autora das melhores fotos de caipirinhas da blogosfera (mas este ano pode perder para a Lu Brasil, que já postou sobre o tema), me chamou à razão, sabem:

“E vou além dessa parte do estudo, penso também na integração, não só entre os amiguinhos da sala como os de outra turma! Se a escola tem um foco muito grande em prenda, competição, etc, etc é uma falha dela, e não do evento em si! ;)  ”

Já tivemos uma escola menos competitiva, outra que preferiu não fazer festa junina aberta aos pais (e foi a primeira do Giorgio, com 1 ano e meio), mas no geral é fato que as escolas lidam de forma parecida com isso tudo e o jeito é não entrar no jogo competitivo e tentar focar em outras coisas. E aprender, sempre aprender, como eu pude fazer com este assunto graças ao Arraiá do MdeMulher.

;)

Se você quiser ver umas receitas de guloseimas juninas, o portal MdeMulher tem um especial sobre o tema que é de dar água na boca!

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14 Comentários

  1. Nubibella » Blog Archive » Cozinha Maravilhosa da Nubi-bella! #arraia Disse:

    [...] parte de uma blogagem coletiva, em que também participaram: @lilianeferrari, @claudiamidorie e a @samegui;     Read More    Post a [...]

  2. Tiffany Disse:

    Samantha, valeu por ter escutado o conselho de todos, inclusive o meu mesmo sendo menos experiente do que você, querida.

    Sobre a competição que a arrecadação de prendas envolve, claro que você está certa, é exagerada e equivocada sob o aspecto de cultura coletiva e familiar a que as festas de São João nos remetem… erros e devaneios de escolas e seus gestores, mas a idéia da iteração, do carinho, do entretenimento, da mistura de crianças e aprendizado através da música, da dança, como eu e nossos companheiros blogueiros defendemos serve para engrandecer a festa e ensinar nossos filhos. Não tem coisa melhor.
    Vou postar sobre e volto aqui para avisar o link. Um grande abraço. Ah… adorei rever as fotos dos meus sobrinhos lindos de caipira.
    Ti

  3. Arraiá Do M de Mulher | Porque minhas opiniões não cabiam na telinha da TV Disse:

    [...] a nós e conte também como é a sua festa junina – mas não se esqueça de depois linkar o post original, este aqui, para podemos listar os [...]

  4. camilla Disse:

    Oi, queria ter visto sua fala sobre mulheres e redes sociais. Você podia publicar, né? Obrigada :) abraços

    Sam Shiraishi Reply:

    @camila infelizmente, como não era 2.0 (eu fui lá para falar do tema) não teve streaming ou gravação. Uma pena! Mas pretendo fazer um post com minhas impressões! Obrigado pela visita, o comentário e o interesse. ;)

  5. Junho. Um show de cultura caipira | Bem vindo ao Blog da Ti Disse:

    [...] em caráter competitivo estimulado pelos professores sim, tema criticado por minha irmã no post “está chegando o dia da festa junina na escola”, cujo trechinho citei acima, mas que fazia parte das metas educacionais da escola, vai [...]

  6. Lu Ivanike Disse:

    Sam, Nunca havia pensado por esse lado, porque a Dani só participou no ano passado e foi deixada de lado.
    Mas nesse ano, aprendi o que é uma festa junina (ou Joanina, como aprendi na escolinha da Dani. Os brindes das brincadeiras foram feitos pelas professoras (pipas, bolas de tricot, peões – feitos pelo diretor, e bonecas de pano), são quatro brindes para cada criança. Os professores fizeram os cálculos e produziram brindes para os irmãos de alunos também. Isso acabou me deixando orgulhosa porque ali o desperdício será zero! As comidas típicas são levadas pelos pais, quentão feito pela diretora, e cada um deve levar sua caneca ou copo de casa para não ter copos descartáveis. Os pais dançarão quadrilha e as crianças farão uma trilha noturna depois do teatro da “menina da lanterna” com o objetivo de procurar a animalzinho perdido dela. A lanterna foi feita de papel manteiga pelos pais e depois pode ser utilizada como abajour, já que foi pintada com aquarela pelas próprias crianças. Acho que a Escolinha da Dani está colaborando muito com o futuro das nossas crianças. Depois escrevo um post sobre isso, mas acho que seu pensamento não é de todo equivocado! Ah, e as crianças e os pais aprenderam tudo sobre São João, achei o máximo.
    Beijos

  7. Cybele Meyer :: Falando Sobre... Delicias Juninas #arraia Disse:

    [...] Sam Shiraishi [...]

  8. cybelemeyer Disse:

    Olá Sam, a escola em que estou coordenando promoveu gincana com os alunos do 1º ao 9ano para trazerem agasalhos e alimentos para serem doados para uma entidade assistencial.
    Precisa ver a quantidade de coisas que foi arrecadada.O empenho dos alunos foi grande. Isto já foi feito na ocasião da Páscoa também.
    Acho importante despertar o espírito de solidariedade em toda e qualquer ocasião.
    Quanto a festa junina as barracas são todas de entidades assistenciais. A escola só cedeu o espaço e todo mundo vai participar, mas ninguém teve que contribuir com nada.
    beijinhos

  9. Claudia Giane Disse:

    Tão interessante como nos envolvemos com as festas juninas, em qualquer idade. Aqui em Pernambuco, como se sabe, há muitas festas gigantescas, mas as festas menores e, principalmente, as de colégio é que são mais tradicionais. Gosto muitíssimo.
    Apenas nunca vi nada disso de “levar prendas” por aqui (e só há poucos anos, infelizmente seguindo o exemplo das quadrilhas de outras regiões foi que colocaram roupas mais luxuosas).

  10. São João, Natal ou ambos? | From Lady Rasta Disse:

    [...] Do blog da Sam Shiraishi: [...]

  11. jar.io • ECOLOGIA Disse:

    Copos plásticos descartáveis: DIGA NÃO!…

    Copo descartável não é legal. Os órgãos públicos e hospitais usam copos descartáveis de forma inrresponsável e desmedida, MANIFESTE-SE contra esta barbaridade com o dinheiro público e mau exemplo.
    ……

  12. Kakah Disse:

    Sam,
    eu sempre adorava as Festas Juninas da escola. Na minha época (nem faz muito tempo), a gente não tinha que levar prenda, os alunos mais velhos (quinta, sexta série) iam com os professores pela cidade para arrecadar essas prendas – em troca, o nome do comércio que ajudava era colocado numa faixa enorme na frente da escola. Na parte de comida e bebida, o pessoal de oitava série e terceiro colegial que levavam tudo – todo o dinheiro arrecadado era pra ajudar na formatura ou na viagem de formatura. Ou seja, eu, criança, só tinha que me preocupar em ir lá e dançar. Aliás, eles podiam ficar com as barracas de pescaria e etc., caso tivessem arrecadado as prendas.

    O que eu vejo que se perdeu um pouco é a “caipiresa” do negócio. Mas sabe, eu sempre tive a ideia (e isso é bem coisa da minha cabeça) de que existem os boiadeiros, tipo Pirilampo e Saracura (desenterrei!) e os caipiras, tipo Chico Bento. Na minha infância, eram os caipiras que reinavam, de chapéu de palha, camisa xadrez, botina… E as caipirinhas de maria-chiquinha, chapéu, bochecha rosadinha com pintinhas e vestido com aquelas calçolas por baixo… Aparentemente, as músicas também mudaram… Antes era cai-cai-balão e agora é Luan Santana… Festa Junina era uma coisa tão bacana, tão “comunidade” e, infelizmente, se tornou algo muito comercial…

  13. Santo Antônio, São João, São Pedro e as quadrilhas juninas no Brasil | Mãe com Filhos Disse:

    [...] e xote fizeram com que todos vissem as festas com novos olhos. Eu, que adoro ser surpreendida, passei de crítica das festas a uma sincera admiradora do esforço em tornar as danças uma chance de aprofundamento na cultura, geografia e história do [...]

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