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28

Eu me rendo: o retorno

collage7.jpgHoje aconteceu uma coisa engraçada no blog. Chegou um comentário que valia um post. Convido para que leiam lá o texto integral de Lila Fonseca. A frase final diz:

“É a isso que eu me rendo! A fazer tudo aquilo a que tenho competência!”

Foi sobre o texto Eu me rendo, da Danuza Leão, que eu postei em 01/09/2007 e que quem quiser pode conferir aqui. Se você não se convenceu, vou deixar o primeiro parágrafo para decidir se clica no link ou não:

“Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.
Uma das mentiras: É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos. “

Postei o texto não exatamente porque concordo com todas as palavras (não mesmo), mas porque gostei da crítica ao ideal de mulher que as revistas femininas defendem, ainda que subliminarmente. Este ideal que já discuti no Nossa Via em “Que padrão de beleza é este?” e a exigência de ser super mulher que ainda pesa sobre todas nós. Eu tenho amigas que conseguem dar conta de tudo, aliás, hoje mesmo falei com uma delas no fone: executiva (administradora), mãe de dois filhos educados e inteligentes, que mora muito bem, dá atenção ao marido toda noite (não estou entrando em detalhes sobre o tipo de atenção, considero todas formas de convivência conjugal importantes), chega em casa tarde e ainda prepara o jantar pessoalmente, pouco antes de ler um livro para cada filho antes de irem para cama. Outro dia conversávamos sobre cansaços e alegrias de ter dois filhos e ela me contou que planeja ter mais um. Quer mais? Ela não tem um grama de peso extra, é magrinha na medida. Na verdade, é tão atenciosa que lembra aquelas personagens “Helena” das novelas do Manoel Carlos, com exceção de que ela tem um ótimo casamento - e as personagens dele não.

Bem, eu não sou assim, deve ser por isso que eu me rendi. Adoro a comida que a empregada faz, fico chateada quando não vou à manicure toda semana, adoro meus guarda-costas mas não me culpo por gostar de ficar sem eles, sou uma bagunceira com tudo menos com meu mundo virtual-eletrônico. Mas, acima de tudo, sou uma crítica das exigências que a sociedade faz à mulher atual. Com a mesma veemência eu defendo os homens atuais. Exige-se que sejam sensíveis, bons cozinheiros, massagistas, atletas, amantes incríveis, profissionais super bem sucedidos (como hoje trabalhamos, eles precisam “gastar” muito mais para nos impressionar), pais de propaganda de gelol, filhos e genros dedicados e tolerantes, homens cultos, tudo sem deixar de ser muito másculos. Eu me rendo à minha incapacidade de não ser capaz de ser tudo e de ser feliz assim mesmo, a despeito da minha negação ao modelo pré-estabelecido.

E você? Faça como a Lila e me deixe contente me mostrando um novo ângulo sobre o mesmo tema! (E se por acaso resolver postar no seu blog, me mande o link ou faça trackback. ;) )

P.S. A imagem é de duas figuras de super mulher que eu tinha na infância: Mulher Maravilha e Supermãe (que vinha em quadrinhos da revista Claudia, eu acho) : universos que não se encontram, mesmo que desejemos. Será?

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3 Responses to “Eu me rendo: o retorno”

  1. Kaka BRAZIL Says: March 1st, 2008 at 6:28 pm

    Sam!!!

    Eu critico padrões de beleza. Primeiro: eu sou gordinha, mas eu sou feliz assim, mesmo estando fora dos padrões. E se estou feliz me sinto no direito/dever de criticar. Mas como sou “mulherzinha”, eu fico injuriada quando uma calça não fecha e fecho a boca - principalmente porque “gordinha” em excesso prejudica a minha saúde…

    Ok, agora vem a parte feminista do negócio. Sam, por que ainda tem empresas que pagam menos para mulheres do que para homens?! Os cargos são os mesmos, mas as mulheres ganham menos… Acho isso uma forma de discirminação sabia? Falam tanto do preconceito, mas como um país conseguirá livrar-se desse mal se nem dão o valor merecido às mulheres, independente de cor, religião, etc?

    Esse papinho de “sexo frágil” não cola mais e para mim mulheres são muito mais “super” que qualquer homem: ter a disposição de sair da cama logo cedo prá trabalhar, cuidar do marido e dos filhos, cozinhar, lavar, passar, ler e ainda por cima, tudo isso com batom e salto alto…

    Eu defendo mais justiça social para as mulheres, que são tão ou mais inteligentes que alguns homens e que merecem muito mais.

    Pronto, falei.

    Beijão!

  2. myla BRAZIL Says: March 1st, 2008 at 9:32 pm

    exige-se demais, super-mulheres e super-homens. nessa exigência toda, a correria a q entramos, o contato - uma pessoa ao lado da outra - é o q mais sai perdendo.

    ou seja, a gente passa a deixar d fazer justamente o que viemos aqui fazer.

    já pra momentos d desabafo, principalmente p o desabafo feminino, esse textinho aqui da Colassanti é impecável:

    http://mylafonseca.googlepages.com/

  3. E o dia do homem? | Nossa Via: O conteúdo passa por aqui! UNITED STATES WordPress 2.5.1 Says: June 2nd, 2008 at 7:29 pm

    [...] injusta, à qual nós nos forçamos, nos exigimos e nos condicionamos atualmente (se bem que eu já me rendi e não estou mais nesta maratona). Neste sentido, eu também não entendo o Dia da Mulher sem seu [...]

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