A Vida Como A Vida Quer por @samegui

O post está agendado, pois na verdade já estou no Newscamp, desconferência que reune jornalistas, estudantes de comunicação e blogueiros no Gafanhoto, mas deixo uma reflexão aqui que deve pautar minha participação lá:

A ética está na pauta da blogosfera nas últimas semanas, trazida pelo amadurecimento desta nova mídia, pelo enfrentamento – encontros e desencontros de idéias – que os encontros offline estão promovendo. As pedras no sapato começam a surgir e vejo nelas mais do que uma luz no fim do túnel, vejo várias janelas de oportunidades se abrindo. A blogosfera, como mídia social, ainda é um terreno no qual não se definiram regras de sobrevivência e por isso parece uma terra sem xerife – ou no máximo na qual cada condado tem um xerife e leis próprias. Isto é liberdade de expressão, dirão alguns, e eu concordo plenamente. Mas um pouco de ética não faz mal a ninguém.

Navegando encontrei uma idéia interessante na womma, uma associação de Marketing que se propõe colocar algumas boas práticas e limites éticos para esse tipo de comunicação. Eles têm uma sugestão interessante, são 20 questões que podemos nos fazer antes de assumir qualquer campanha de marketing e acho que poderia ser uma medida para os blogueiros neste começo de monetização da mídia social no Brasil – até porque a monetização é inevitável e cada vez mais os blogs serão vistos como meios de comunicação nos quais valerá a pena investir em publicidade.

Aqui estão as questões, numa tradução absolutamente livre – mas você pode ler o original (em inglês) aqui.

Antes de começar qualquer ação de marketing faça algumas perguntas a si mesmo e obtenha respostas também de seus parceiros, pensando nos riscos para sua reputação. Acima de tudo lembre: leitores/consumidores vêem primeiro, honestidade não é uma opção e o “engano” acaba sempre vindo à tona.
As observações a se fazer são: ser honesto na relação com o interlocutor, na opinião que apresenta, na identidade que assume, assumir a responsabilidade sobre seus atos, respeitar as regras, observar a conjuntura quando defender uma idéia, pessoa, agência, empresa.
Acima de tudo use uma medida extra de segurança perguntando-se: eu me sentiria confortável com esta campanha ou há algo nela que me deixaria envergonhado se assumisse em público?

Não é porque optamos por um modelo de jornalismo gonzo que precisamos sair por aí cambaleantes e sem rumo, dando tiros para todo o lado – alguns podem acabar sendo tiros no próprio pé.

P.S. No ano passado, Conrado Navarro, do Dinheirama e Guilherme Valadares, do Papo de Homem, lançaram a “Campanha pela Transparência On Line“. Segundo Cabianca, que aderiu imediatamente à campanha, “a proposta tem duas frentes. A primeira é o respeito ao público leitor pela responsabilidade do que se escreve e sendo transparente com ele, mostrando exatamente a opinião da pessoa\profissional a frente do blog, apresentando argumentos que sirvam de base para a formação da opinião de quem lê. A segunda, é voltada para as empresas anunciantes e as agências de comunicação, pois o canal blog é muito novo e ainda não se tem idéia da melhor maneira de utilizá-lo como tal.”

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