Estudo mostra qual o comportamento do brasileiro atual ao se alimentar
Postado em Conversas de Cozinha no dia 21/05/2010 |
Na terça-feira um encontro na FIESP reuniu os interessados em alimentação no Brasil. Eu não pude ir, mas @gnsbrasil, que se interessa em prospectar novos mercados e escreve no Conversas de Cozinha comigo, foi e voltou animadíssimo do encontro onde ouviu para onde o setor alimentício brasileiro vai nos próximos 10 anos.
O que ele ouviu? Vozes importantes do setor alimentício brasileiro comentando a pesquisa (feita pelo Departamento do Agronegócio, Deagro, da Fiesp junto com o Ibope) que revela o perfil do consumo brasileiro de alimentos e bebidas, numa avalção multidisciplinar das características do consumidor brasileiro – e um parecer sobre sua posição acerca das tendências mundiais do setor.
Ele está alinhado, mas não deixa de valorizar suas raízes: arroz e o feijão, café e leite, enfim, os alimentos tradicionais ainda são a prioridade nacional e na hora da escolha os brasileiros ainda optam por marcas mais conhecidas por aqui. Mas os brasileiros – especialmente a classe C, em franca ascenção e que se imagina corresponderá a 50% dos consumidores em dez anos – se interessa pelo lançamento de iogurtes; bolachas e biscoitos e sucos prontos.
Isso é reflexo de uma mudança de comportamento, segundo enfatizou Marlene Bregman, Vice Presidente de Negócios Corporativos da Leo Burnett Brasil. Ela relembrou a mudança do papel feminino na sociedade desde a década de 1960, enfatizando que a mulher que está atualmente no mercado de trabalho é a filha daquela que viveu o feminismo de 1970 e a emancipação feminina e que esta “filha” que hoje tem família própria tende a voltar a valorizar os papéis femininos.
E que o feminismo tem a ver com a indústria de alimentos? As mudanças na rotina e na expectativa das famílias, motivadas pela inserção feminina no mercado de trabalho (dados mostram que a participação da mulher no mercado de trabalho cresceu de 42% em 1998 para 47,2% em 2008) levam o mercado de alimentos a grandes mudanças, com mais gente se alimentando fora ou optando por alimentos semiprontos ou prontos para o consumo. Graças às mulheres o Brasil se sofisticou em alguns aspectos – bons e ruins, mas isso é tema para um outro debate, sobre nutrição.
Socialmente falando, foram vários pontos interessantes levantados sobre nosso consumo e a evolução em áreas como educação, cultura e finanças no Brasil. O Brasil Food Trends 2020 mostrou que atualmente a maior parte das pessoas, 34% do total de entrevistados, prioriza a conveniência e a praticidade dos alimentos, em resposta às necessidades do cotidiano apressado e ao pouco tempo que dispõem – exatamente o público que trabalha em tempo integral e, por isso, adere a pratos congelados e semiprontos.
Este grupo tem um ponto forte em comum com quem não passa o dia fora, como as donas de casa com crianças menores de 12 anos: a confiança na qualidade que veem nos alimentos. O estudo indica que 23% da população é composta por consumidores fiéis às suas escolhas por marcas, produtos ou empresas, pessoas que preferem marcas que conhecem e confiam, mesmo que tenham que pagar mais caro por elas, num comportamento ainda mais forte na classe C.
Além de confiável, a comida tem que ser “gostosa e atraente”, segundo 23% dos entrevistados, os que priorizam a sensorialidade e o prazer nos alimentos. Eles têm um estilo mais impulsivo para comer e seu lema é “prazer sem culpa”, mas são também os responsáveis pelo crescimento de roteiros gastronômicos e a valorização do encontro para se alimentar como uma celebração.
Mas nem tudo é despreocupado quando se trata de alimentação no Brasil. Ponto para nós em outro ponto: diferentemente da disposição geral do resto do mundo, saúde e bem-estar e sustentabilidade e ética convergem no momento de escolha por produtos alimentícios. A mesma qualidade que o brasileiro espera dos produtos, quer ver na responsabilidade que eles possuem com a sociedade e com causas ambientais.
Tem tanta coisa mais que não cabe num só post, mas prometo continuar a contar aqui conforme eu leia o livro Brasil Food Trends 2020: tendências internacionais que influenciarão o setor de alimentos no Brasil, que foi lançado no evento e serve como guia para quem se interessa pelo tema, servindo como uma agenda estratégica do setor de alimentos, com enfoque nos desejos dos consumidores, mais informados e convictos dos produtos que adquirem.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.




No blog: Estudo mostra qual o comportamento do brasileiro atual ao se alimentar http://ht.ly/17sbzr
RT @samegui: No blog: Estudo mostra qual o comportamento do brasileiro atual ao se alimentar http://ht.ly/17sbzr
RT: @samegui: No blog: Estudo mostra qual o comportamento do brasileiro atual ao se alimentar http://ht.ly/17sbzr
RT @samegui: No blog: Estudo mostra qual o comportamento do brasileiro atual ao se alimentar http://ht.ly/17sbzr