Epifania de Budapeste

Postado em Consumo de Cultura no dia 01/06/2009 |

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Lembro de quando eu li Budapeste. Fui com uma má-vontade que só minha irmã Tiffany, que me emprestou o livro – acho que li antes dela, pois foi uma leva de bons livros que ganhou num aniversário – percebeu. Tive uma professora de Literatura na faculdade que “azucrinou” a turma com a leitura de um livro do Chico e ele ficou com aquele gosto de Estorvo para mim. Mas, por outro lado, embora eu  não o considere um bom intérprete – nisso combina com seu ex-cunhado João Gilberto -, sempre gostei das músicas dele. Sem falar que eu adoro Gota D’Água e O Grande Circo Místico. 

Então li Budapeste, que agora estréia no cinema já com muitos elogios. A leitura foi uma viagem, um sonho húngaro, a sensação de identidade de ser estrangeira e por conta disso poder ser você, porque não há amarras quando as pessoas não te entendem nem tem premissas ou expectativas sobre seu comportamento. 

Mas para o filme, como acontece no romance, ator Leonado Medeiros, que vive o protagonista Léo Costa no cinema, teve que  estudar o idioma e a pronúncia.Segundo o ator, que diz que não chegou nem perto de dominar o idioma, “o húngaro é meio lírico, parece que você está dizendo poesia.” Quero muito ver e ouvir esta poesia. 

A poesia deve estar também na fotografia, pois o filme é dirigido por Walter Carvalho, um dos maiores fotógrafos do cinema brasileiro – e responsável por Lavoura Arcaica e Carandiru, dois filmes que vergonhosamente não vi. 

Na história, o “ghost writer” Costa, passeando por Budapeste, conhece Kriska ( Gabriella Hámori) ao cogitar comprar um livro para aprender húngaro. Ela diz: “Húngaro não se aprende nos livros”. E se dispõe a colocar o idioma –“o único que o Diabo respeita”– “na cabeça” do protagonista. Os dois vivem uma história de amor, interrompida quando Costa tem que voltar ao Rio de Janeiro, para sua mulher (Giovanna Antonelli) e seu trabalho.

Ao lançar um livro que vira best-seller, e cujo autor parece seduzir sua esposa, Costa se sente traído e ressentido. Decide abandonar tudo e retorna para Budapeste, onde, apesar de não entender perfeitamente o idioma, se sente em casa. Ele retoma sua ligação com o idioma, estudando, se aprofundando e escrevendo muito, ao mesmo tempo em que, pouco a pouco, consegue reconstruir também seus laços com Kriska.

Curiosidade: Chico Buarque participou do filme, numa ponta em que pede um autógrafo ao protagonista da história. E Chico tem outros dois livros recentemente transpostos para o cinema: Benjamim e  Estorvo.

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


3 Responses to “Epifania de Budapeste”

  1. pessoal, quem já foi ver Budapeste http://bit.ly/19oj4Q me conta se vale mesmo? #tv

  2. marcia ovando says:

    Oi Sam! Adoro Chico Buarque,mas não como escritor.Ainda, não encontrei ninguém que tenha gostado de Estorvo e do Leite derramado e olha que trabalho numa locdora de livros!
    Agora livro fabuloso: “O filho eterno” de Cristovão Tezza, ah esse vale a pena!
    bjs

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