Eleições americanas

Posted by Sam Shiraishi on Feb 8, 2008 in comportamento, cotidiano e sociedade, política |

ligeirinho1.jpgNão tenho conseguido seguir noticiário algum nos últimos dias. 2008 chegou arrasando, este ano do rato, que segundo o calendário lunar chinês começou no dia 06, vai ser dos ratinhos como o Ligeirinho (aquele ratinho mexicano do Looney Tunes, que aliás, está no Mclanche Feliz deste mês).

Os hispânicos, teoricamente homenageados (há controvérsias, eu sei) no personagem Ligeirinho, podem ser o diferencial na principal eleição de 2008, a que define o novo presidente americano. Pelo menos é o que mostram os resultados das prévias. Ter uma mulher ou um negro neste cargo é uma idéia que me parece incrível quando vejo os seriadinhos que mostram como a realidade daquele país é cheia de ícones e de preconceitos, onde todos carregam tags and labels.

Meus filhos têm um livro adorável do Max Lucado (Você é especial) que retrata um mundo fictício no qual os moradores, chamados de xulingos, trocam estrelinhas ou bolas escuras entre si, definindo o que são pelas etiquetas que os outros lhes impõem. Ao receber as primeiras avaliações, os pobres xulingos passavam a receber sempre as mesmas, porque uns repetiam os outros sem se dar ao trabalho de conhecer o outro, acatando a opinião da maioria. Publicado originalmente nos EUA, considero o livro a cara daquela sociedade.

Na minha falta de tempo para ver notícias, faço-o fora de hora e na madrugada de quinta-feira vi um levantamento do CNN World News sobre a divisão entre Hillary Clinton e Barack Obama. Forçar um acordo, para mim, significa que o jogo está mesmo arriscado. Entre uma mulher branca bem sucedida e um negro nascido no Hawaí e filho de um queniano, quem eles escolherão? A lógica (que daria diretrizes nos palpites) não conta porque além dos preconceitos, é preciso vencer o complicado sistema eleitoral norte-americano, que, todos lembram, deu a vitória a George W. Bush quando Al Gore tinha tudo para ser o novo presidente. Ainda assim, como dizem nos filmes e gritam em protestos, eles são a maior democracia do mundo, com direito a fazer guerras pela democracia (façam-me rir) em lugares distantes de sua própria pátria.

Estava conversando com Gui ontem e relembramos como funciona este sistema eleitoral deles. Meu marido sempre insiste que não tem nada de democrático e, sim, parece estranho, mas ser casado com jornalista é discutir alguns abusos que parecem reuniões de pauta no jantar. (risos)

Dica: Se você tem interesse nas eleições americanas, o Blog Casa Branca, mantido pelo jornalista brasileiro Jefferson Guedes Oliveira. promete fazer uma cobertura sem igual no Brasil. Nele há, claro, uma explicação do complicado sistema eleitoral. Soube no Imezzo. ;)

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Fábio Max
Feb 8, 2008 at 9:47 pm

Eu já acho o sistema americano muito mais democrático e confiável que, óbvio, o mambembe sistema brasileiro e até mais que outros países de verdade como a França (este sim, caótico, onde o poder é dividido entre 3 poderes e ao mesmo tempo exercido opoder executivo pelo próprio executivo e pelo legislativo, visto que há um presidente e um primeiro ministro, ambos com fortes poderes administrativos).

Lá nos EUA, quem elege o presidente são delegados dos estados, porque o país é uma federação de verdade, onde os estados tem voz ativa.

Mais que isso, para ser candidato, deve ser eleito a tanto pelo partido, e não indicado a dedo pela cacicagem, como aqui no grotão. Isso depura o processo político e torna os partidos (e consequentemente, suas idéias) fortes e representativos dos anseios da maior parte da população.

Bush foi um tropeço histórico, como já havia acontecido em 3 ocasiões antes dele. Mas não custa lembrar que eles elegem e reelegem um presidente e ninguém fica especulando terceiro mandato, desde que, pelo medo de criar uma oligarquia federal a partir da experiência com Roosevelt, eles extinguiram a possibilidade de mais de 2 mandatos.

E mais do que isso, o sistema eleitoral faz com que haja representatividade do país inteiro no Congresso, o que~não acontece aqui, onde o voto proporcional elege indivíduos que jamais passaram por cidades onde conseguiram votos e não tem a menor intenção de fazê-lo.

Fora isso, existe uma preocupação verdadeira entre analistas políticos dos |EUA em relação a alguns fatos, coisa que passaria lotada aqui, mas é grave: desde 1970, os Bush estiveram na presidência ou vicê presidência por 22 anos. Ganhando Hillary, os Clinton ficariam por 12, com possibilidade de 16. Os Dole, apesar de não terem eleito ninguém, se apresentaram em varias eleições presidenciais. Ou seja, os americanos estão preocupados com a concentração de poder em poucos nomes, coisa que no Brasil é a regra.

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Veridiana Serpa
Feb 12, 2008 at 4:34 pm

concordo com o Fábio, ainda mais tendo vivido algum tempo por aquelas bandas. Lá é muito mais democrático do que aqui, apesar de não ser 100% , após o 11/09 a democracia em algumas áreas ficou mais abalada, como por exemplo alguns locais dependendo do que ocorre, nem mesmo jornalistas e fotógrafos com crachá de imprensa podem ficar na área, muito menos fotografar.
Apesar de dar a má impressão de ser um país onde as pessoas tem tags e labels, acho que justamente por terem, assumirem e não se importarem, as pessoas acabam se respeitando ou pelo menos se suportando/aturando de forma bem melhor do que aqui.
Lá não é visto de forma negativa as pessoas terem orgulho das suas origens, em NY durante o ano você pode ver “parades” comemorando diversos povos, em suas datas específicas, tem dos Porto Riquenhos, dos Mexicanos, dos Brasileiros, dos Irlandeses, etc…
bjs

Veri
eu falo sobre o tema com receio, pois não gosto de dar opinião sobre o que não entendo a fundo. Nunca morei lá, só estive a passeio, por isso não tenho noção da realidade. Mas tenho vários amigos norte-americanos (por nascimento ou por opção) e é do convívio com eles (alguns são meus amigos há 20 anos) que eu tiro algumas conclusões. É o tipo do levantamento empírico e que não vale nada… risos.
Mas você tem razão, em muitos aspectos esta características deles de assumir despudoradamente que classificam as pessoas e as separam não deixa espaço para a falsa democracia racial que temos aqui. Não sei se é mais avançada que a nossa forma de viver, mas é diferente e eu procuro, sempre que possível, respeitar o que é diferente.
A Ana, do Colorida Vida, também cita estas festas populares no Canadá. Aqui, de certa forma, vejo que temos isto, mas sempre dissolvido imbroglio brasileiro.
Beijos
Sam

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Veridiana Serpa
Feb 12, 2008 at 4:35 pm

ah e se eu fosse americana e pudesse votar, com certeza seria Obama!

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[...] candidato” democrata Barak Obama. Interessante, confesso que me identifiquei com ele. Vejam, não sou eleitora norte-americana e nem me aprofundei no programa de governo dele, me identifiquei com ele mesmo, a pessoa que é. [...]


 
Fábio Max
Feb 26, 2008 at 5:44 am

Eu sempre ouço brasileiros falando que os EUA são racistas e lembrando dos problemas que o Martin Luther King enfrentou, e Kennedy, etc…

Mas hoje estava lendo um site militar, relatando as baixas norte-americanas nos governos desde Reagan e constatei que apenas 10% delas são de negros. E mais que isso, as estatísticas penitenciárias dos EUA informam que a população carcerária é de 10 a 12% de negros, que é, justamente, a proporção da raça na composição etnica do país.

No Brasil, tão multi racial, pelo menos 70% dos presos são negros e pardos…

EU preferiria o Brasil rotulando as pessoas não pela sua beleza, mas como nos EUA… seríamos muito menos hipócritas.

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[...] Já escrevi sobre as eleições americanas aqui: Eleições americanas , McCain, Obama, Hillary ,A Mulher é o negro do mundo , Direitos para um mundo mestiço [...]


 
yonne
Oct 12, 2008 at 3:15 am

não desejo a vitoria de obama.
tem muita fraude nele.
e não dá pra comparar nossas eleiçoes com a americana que é muito mais confiavel.
aqui nem da pra recontar votos.
e voce sabe,tá num HD,é passivel de programar não é verdade ?
quem me garante que quando aqui na terra da corrupção eu voto no “A”,mas a urna marca em segredo “B! ? e asim por diante ?

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