A Vida Como A Vida Quer por @samegui

Há alguns dias, li uma matéria sobre um educador que defende separação de meninos e meninas na escola. Lancei o tema no Twitter e a opinião dos meus seguidores foi unânime: retrógrado e equivocado. Mas em Curitiba, onde o tema foi debatido no V Seminário de Família e Educação, o assunto foi pauta importante e a proposta de separar meninos e meninas em escolas diferentes mostrou-se defendida por educadores de renome que fizeram eco ao médico e professor de Psicologia Cultural Leo nardo Amaya.

Organizado pelo Instituto de Ensino e Fomento (IEF) e pela Associação de Educação Personalizada (AEP), o evento tratava de uma tendência (a educação diferenciada) que está crescendo em todo o mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos e reúne cerca de 40 milhões de alunos e mais de 200 mil instituições.

Amaya, que vive na Colômbia onde está à frente de pesquisas de campo relacionadas a adolescentes, palestrou sobre as vantagens da educação diferenciada (ou separada por gêneros) e eu conheci um pouco da sua visão numa entrevista para o jornal paranaense Gazeta do Povo. Transcrevo abaixo alguns trechos para reflexionarmos coletivamente:

Por que ensinar em escolas separadas por gênero?

Não vou fazer comparações de que colégios mistos ou personalizados são melhores. O que posso afirmar é que formamos com pouca eficiência no tempo certo. Os colégios personalizados têm menos desafios porque não perdem tempo com diferenças de maturidade sexual, por exemplo. O cérebro masculino é diferente do feminino. A capacidade intelectual é a mesma. Mas as mulheres têm uma proximidade maior com a comunicação, conseguem retomar atividades exatamente do ponto onde pararam, tudo porque há diferença no córtex pré-frontal (área do cérebro que se acredita estar envolvida na tomada de decisões).

Como essas diferenças influenciam no aprendizado?

As meninas de 14 anos têm mais capacidade de desenvolvimento intelectual e de socialização se conviverem com meninas de 14 anos. Os colégios devem ficar atentos. Assim elas terão um desenvolvimento mais centrado, melhor do que se estiverem convivendo num mesmo colégios com os meninos, que têm o desenvolvimento mais lento. Não quero dizer que os colégios mistos são ruins. Mas chamar a atenção para esta questão.

Não seria uma visão machista?

Não pode ser confundido com machismo. Não estou dizendo que os homens são melhores, mas que as mulheres são melhores. Na verdade existem características biológicas cerebrais diferenciadas. Não quer dizer que isso é bom ou ruim, mas que existem diferenças cognitivas na mesma etapa, na mesma fase da adolescência. Isso não é uma visão machista.

Você disse que não é contra as escolas mistas. Como conciliar essas diferenças de gêneros numa escola neste modelo?

Nas escolas personalizadas seria muito mais fácil fazer currículos adaptados para turmas somente com homens ou somente com mulheres. Não precisa ser uma escola totalmente separada, mas as escolas mistas precisam responder sobre essa diferença. A polêmica está na questão cultural, mas não tem suporte científico. Não se fala também que a diferença da largura do córtex pré-frontal dará mais ou menos inteligência para homens ou mulheres, mas que a diferença está nos interesses.

Quais as vantagens de se estudar em colégios separados por gênero?

Em conteúdos não há diferenças. A diferença está nos momentos em que são dados estes conteúdos antes de o aluno ter maturidade emocional para saber o que significam. É uma discussão complexa. Mas não no sentido de mostrar para a mulher que o homem é melhor. As mulheres têm condições de competir entre iguais. Não podemos dizer que os colégios mistos não prestam, ou são ruins. Mas não precisamos forçar um menino, que ainda não tem maturidade suficiente, a receber pressões sociais também dentro da escola. A sociabilidade pode ocorrer apenas no ambiente externo ao colégio.

Não seria uma maneira de promover segregação?

Não. Segregação é coisa do século passado. As escolas eram diferentes, com outros currículos e ma chistas. Falo do ponto de vista de encontrar melhores resultados acadêmicos. No Brasil temos um exemplo concreto. O Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, que esteve entre os melhores resultados obtidos no Enem. Não se trata de uma visão machista, nem de achar que a mulher tem uma capacidade inferior. Estou falando que há condições especiais.

Vivemos uma época onde se prega a diversidade e inclusão nas escolas. Não seria um contrassenso propor separação por gêneros?

São dois temas distintos e complexos. Colocar pessoas juntas nas escolas, que necessitam de apoio, gera um desafio social muito forte. E as formas de violência são maiores. O problema é social. É um erro pensar que a escola vai responder a todos esses interesses tão distintos.

Há alguns anos, quando meu segundo filho nasceu, ganhei de presente o livro Criando Meninos, de Steve Biddulph, e desde então tenho pensado muito sobre as diferenças entre a maturidade dos meninos e meninas. Mas, confesso, ainda não me convenci de que seria pertinente separar as crianças, pois sinto que são estas diferenças (hoje vividas em todas as esferas, da pré-escola ao mercado de trabalho) que nos permitem evoluir e aprender a conviver com a diferença. E você leitor, qual sua opinião?

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Comments

  1. 2
    MaxReinert
    October 25th, 2009 at 11:27 am

    Sinceramente?
    Tento ver isso com uma boa notícia… mas não consigo.
    Não sei como qualquer forma de “separação” possa ser interessante!
    Diversidade, meu povo. Vamos educar para a diversidade!

    Sam Shiraishi Reply:

    @MaxReinert, pois é, querido, eu não separaria. Meus filhos são meigos, querem ser artistas, são falantes e envolvidos, ou seja, são homens com qualidades femininas em desenvolvimento. Conviver só com meninos embotaria isso neles. Diversidade sempre!

  2. 4
    luciane
    October 25th, 2009 at 8:30 pm

    O discurso da diversidade e da inclusão é belíssimo, mas deve ser pensado com responsabilidade sob pena de causarmos dor a quem queremos proteger.
    Quanto aos meninos e meninas, eu tenho 4 filhos, 2 meninas e 2 meninos, e a imaturidade dos meninos frente às meninas da mesma idade é gritante! Assim como o comportamento retraído que esta constatação causa nos meninos. Tenho certeza que a separação de gêneros na escola traria apenas benefícios aos meninos que estariam livres para aprender em seu ritimo, que não é o das meninas.
    E isso não é machismo ou feminismo, é apenas uma constatação.
    Lu

    Sam Shiraishi Reply:

    @luciane, bom, eu só tenho dois garotos, tenho dificuldade para fazer este paralelo. Mas no geral vejo que as meninas se dão bem com ambos, mesmo achando-os meio bobinhos às vezes (o meu mais velho compete com duas meninas pelo primeiro lugar na classe). Acho que a separação de classes seria uma boa mas afetaria os futuros relacionamentos dos meninos com as meninas, entende? O mundo não é mais separado, como cria-los numa realidade irreal?

  3. 5
    MaxReinert
    October 26th, 2009 at 1:56 am

    @luciane

    Eu sempre acho engraçado o discurso de “poupar a dor” de quem amamos.
    A “dor” faz parte da vida… assim como todas as outras sensações/sentimentos/descobertas.
    Negar às crianças o contato com essas pequenas desilusões e diferenças é que com certeza vai “adiar” o processo deles…
    Ou seja, teremos crianças com 30 anos morando na casa da mãe e sem “coragem” de se relacionar com mulheres… ops.. peraí, esse perfil nós já temos!!!!

    Acho importantíssimo pensarmos a educação das crianças da melhor maneira… mas colocá-los em um mundo muito distante do real eu não acho que seja a saída.

    E o mundo real é dificil… cheio de coisas diversas e feito de homens, mulheres, gays, negros, brancos, asiáticos, gente que mente, gente que mata, gente que rouba… gente que ama também tem, ainda bem!

  4. 6
    Luciane
    October 26th, 2009 at 8:07 am

    Eu não sou educadora, então minha opinião é apenas um sentir diante da realidade que tenho em casa. E não acho que meninos e meninas tenham qualquer diferença quanto à inteligência ou capacidade de aprendizado, longe disso. Apenas constato que há uma distância enorme na maturidade e este ponto influencia o momento em que a criança será capaz de dominar certos conteúdos.
    Nunca pensei na separação de gêneros antes de ler este post, mas achei pertinente as razões expostas pelo educador em sua entrevista.
    Eu estudei em uma escola apenas de meninas, eu sou de Curitiba e Sam você deve lembrar do Sagrado Coração que foi um dos últimos colégios a aceitar meninos no Brasil. E não acho que a separação de meninas e meninos tenha criado qualquer tipo de entrave na minha educação, pelo contrário, foi excelente. Mas não posso opinar sobre os meninos que naquela época estudavam no Paranaense, por exemplo.
    Ao ler a entrevista me pareceu que o educador levantou questões pertinentes e reais para justificar uma posição que rapidamente é tachada de retrógrada.
    Mas é sempre bom refletir sobre o que está posto e aquilo que nossa sociedade entende como “certo”, na exata medida em que esta sociedade anda perdida e os resultados de suas certezas não são lá muito animadores.
    Apenas como mãe preocupada com a educação dos filhos, entendo que é nossa obrigação, em casa, preparar as crianças para o mundo, para a diversidade e os problemas que irão enfrentar na vida adulta. Não me parece que esta seja uma obrigação da escola e me preocupa ver que os pais delegam à escola funções que evidentemente são suas.
    Me preocupo principalmente com a educação dos meninos, porque vejo uma geração exatamente como foi dito acima, homens de 30 anos que não saem da casa da mãe e têm dificuldade de relacionamento. Mas isso é uma questão maior, já que há uma evidente crise no papel dos homens em nossa sociedade.
    E cabe aos pais de meninos (como tento aqui em casa) fazê-los entender que não existem mais papéis fixos a serem desempenhados por gênero e que a eles não cabe a figura “dominadora” perpetuada no imaginário coletivo e exposta inclusive nos desenhos e livros.
    Bem prepará-los para compreender o papel que irão desempenhar na vida é função dos pais. De nada adianta uma escola com discurso igualitário se o que vemos dentro de casa ainda é a mãe cozinhando e o pai assistindo jogo, ainda que a mãe trabalhe tanto quanto o pai e por vezes seja a provedora efetiva da casa, como tantas vezes vejo por aí.
    Beijos
    Lu

    Sam Shiraishi Reply:

    @Luciane, nossa, concordo plenamente com vc!
    “De nada adianta uma escola com discurso igualitário se o que vemos dentro de casa ainda é a mãe cozinhando e o pai assistindo jogo, ainda que a mãe trabalhe tanto quanto o pai e por vezes seja a provedora efetiva da casa”
    Mas por outro lado, como dizia o autor de Criando Meninos, não é bom ter só “mulheres no poder”, como acontece hoje nas escolas, porque os meninos crescem subjugados pela figura feminina… temos que nós mesmos encontrar um meio termo que seja saudável, não?

    Sam Shiraishi Reply:

    @Luciane, eu morei do lado do Sagrado Coração! A escola era ótima, mas ele ficou ainda melhor quando abriu para os meninos, não? Meu caçula quase estudou lá.

  5. 7
    modelos cortinas
    October 26th, 2009 at 2:56 pm

    Eu acho que conviver com o que nos é diferente é uma forma de aprendizado. Acho esta nova idéia bem estranha!

    Sam Shiraishi Reply:

    @modelos cortinas, tb não concordo com ela, por isso achei importante abrir o diálogo aqui.

  6. 8
    Eugenio, OFS
    October 26th, 2009 at 6:07 pm

    Paz e bem!

    Salvo engano
    Leonardo Amayaé ligado à opus dei
    e daí já podemos saber
    quais seus fundamentos “científicos”.

    Sam Shiraishi Reply:

    @Eugenio, OFS, se você encontrar evidências comprovadas desta relação do educador com a Opus Dei poderia informar links aqui para os leitores?

  7. 9
    luciane
    October 27th, 2009 at 10:55 am

    Sam, Curitiba é um ovo mesmo! kkkk
    Eu saí do Sagrado em 1985 (entregando a idade), mas pelo que sei continua um excelente colégio.
    O problema da educação dos meninos me parece uma questão séria e delicada. Mudamos o modelo de educação para meninas e hoje desde muito pequenas elas sabem que devem se preparar para os diferentes papéis que lhes são reservados, porque este é o modelo materno. Brincam de bonecas como sempre, mas sabem que precisam estudar e se preparar para o mercado de trabalho competitivo.
    Mas o modelo de educação dos meninos continua o mesmo! As expectativas continuam as mesmas e eles não são criados para um mundo em que a mulher ocupa espaços antes reservados exclusivamente aos homens.Eles não são preparados para a competição feminina, seja no âmbito privado ou público de suas relações.
    O que me deixa pasma é ver mães que trabalham fora e continuam a repetir o modelo pratiarcal vigente em 1950!!! Educando os meninos para um mundo que não existe mais!
    E esta educação equivocada se refete em outro problema de nossa cultura e que afeta a nós mulheres: ver a mulher como objeto, que sempre está pronta a servir, ser consumida e descartada.
    Todos estes problemas poderiam ser superados em uma geração se as mães de meninos mudassem sua postura em casa.
    Eu posso estar enganada, mas desconheço estudos e educadores que tratem deste assunto.
    Beijos
    Lu

    Sam Shiraishi Reply:

    @luciane, já li vários estudos, vou tentar relembrar e te enviar, tá?

  8. 10
    luciane
    October 27th, 2009 at 11:35 am

    Vou adorar receber algum material sobre o assunto.
    Obrigada
    Lu

  9. 11
    Eugenio, OFS
    October 27th, 2009 at 12:45 pm

    Paz e bem!

    1
    “Leonardo Amaya. Doctor en Teología de la Universidad de la Santa Cruz (Roma). Candidato a magíster en Psicología Cultural de la Universidad del Valle. Miembro del seminario permanente de Psicología Cultural de la Universidad del Valle.”
    Extraído de http://www.opusdei.org.co/art.php?p=24815 acesso em 27 out. 2009.

    Nota:
    Sobre a Universidade de Santa Cruz, cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pontif%C3%ADcia_Universidade_da_Santa_Cruz e http://en.wikipedia.org/wiki/Pontifical_University_of_the_Holy_Cross

    2
    “Ingará es una residencia universitaria masculina abierta a estudiantes de diferentes procedencias, razas y religiones, donde encuentran un ambiente apropiado para desarrollar – durante su estancia en Bogotá [ . . . ]
    “La Prelatura del Opus Dei asume la responsabilidad de la orientación doctrinal y espiritual de este centro. Para ello ha nombrado al p. Lope Carvajal, capellán de Ingará.

    La residencia universitaria cuenta con una Junta Directiva, formada por tres personas. Entre sus obligaciones principales está la de velar por que en Ingará se viva el ideario de la residencia. Actualmente pertenecen a esta Junta:

    “Pablo Álamo
    “Director

    “Leonardo Amaya
    “Subdirector
    [ . . . ]”
    Extraído de http://www.ingara.com/system/navNuestResid.htm acesso em 27 out. 2009.

  10. 13
    Lisandro Gaertner
    October 28th, 2009 at 8:21 pm

    Trabalho com educação corporativa e ainda tive a oportunidade de estudar no Colégio de São Bento no ensino fundamental e médio.

    Não tenho opinião formada sobre os benefícios ou malefícios de uma educação separada por gêneros, mas uma coisa eu posso afirmar: a separação imposta pelo São Bento estimula uma postura diferente em seus ex-alunos no que se refere ao relacionamento com o trabalho.

    A grande maioria dos meus colegas de colégio, além de bem-sucedidos profissionalmente, são extremamente objetivos em suas atividades. Em alguns casos, chega-se a notar que surge uma separação bastante forte entre o mundo de trabalho e o dito mundo social. Como não encarávamos o colégio como um ambiente realmente social, dentro das expectativas de adolescentes do sexo masculino, víamos o “trabalho” escolar como a atividade principal na escola e não as suas possibilidades de interação social.

    Isso acaba refletindo em como lidamos com o trabalho. Criamos laços e relações de amizade com as pessoas com que trabalhamos (ou estudamos)? Sim, mas não vemos o local, ambiente de trabalho como adequado para tal. O famoso “cafezinho”do expediente se torna algo distante e desnecessário pois prejudica o cumprimento das atividades propostas.

    Isso cria um certo distanciamento e estimula a participação em atividades de criação, desenvolvimento e pesquisa onde a capacidade analítica é mais necessária que os relacionamentos políticos que muitas vezes o trabalho requisita. Não é por acaso que temos ex-alunos em posições de destaque e propensos a polêmicas (Armínio Fraga e Paulo Francis, por exemplo), mas nunca em atividades de simples articulação (nunca tivemos um presidente da república, senado ou câmara beneditino).

  11. 14
    MaxReinert
    October 28th, 2009 at 8:37 pm

    Nossa!
    Que debate bacana esse aqui!
    Já estou quase mudando de opinião!

  12. 15
    Sabrina Mix
    February 10th, 2010 at 9:12 am

    Oi, Sam!

    Adorei o post! Já linkei lá no meu blog. Depois passa lá para dar uma olhadinha.

    Beijos e sucesso!!!

  13. 16
    Ayda Lucia Marins de Oliveira
    March 5th, 2010 at 12:44 pm

    Hoje vi uma reportagem onde comentavam sobre uma escola de Educação Infantil em Curitiba que já esta optando pela separação dos meninos e meninas…fiquei chocada…
    Os meninos só tem aulas com homens e as meninas só com mulheres, durante os intervalos para refeições e recreação é tudo separado, educadores e assistentes masculinos para meninos e femininos para as meninas. Meu Deus, fico imaginando os resultados, as consequencias dessa segregação, como fica a cabecinha dessas crianças…isso me parece mais doutrinar e não educar.

  14. 17
    Manuela
    March 10th, 2010 at 8:06 pm

    Não seria um jeito de excluir o aluno por ele ser garoto ou ela ser uma garota. Por ela gostar de futebol e ele gostar de boneca.?. Por vários meios estamos discultindo a questão da inclusão social, e na escola onde tem que promover e internalizar na mente e na alma de nossos pequenos a importância de um processo tão mágico, que é a inclusão, a interação de nossas crianças com o outro e com ele mesmo.
    Para meu trabalho Monografico, li o livro Menino brinca de boneca? de Marcos Ribeiro
    que conversa e reflete sobre o que é ser menino e menina, e nesse livro há uma discussão sobre ambos se interagirem e conviverem em plena harmonia, e eu não consigo entender como podemos ainda promover a separação de gêneros.

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