E os livros queimados…
Não, nem estou revivendo Fahrenheit 451, o filme de François Truffaut baseado na obra de Ray Bradbury.
A idéia dos livros sendo queimados veio da mesa debatedora aonde Edna O’Brien lembrou que seus livros foram queimados na Irlanda. Sim, este tipo de coisa ainda acontece e não só nos confins do Oriente Médio! A escritora irlandesa esteve na mesa 8 na Flip ontem e parte de seu discurso foi sobre o escândalo que causou o livro ‘Country girls’ nos anos 60, por causa da temática sexual da obra. Ela contou que o livro chegou a ser queimado antes de ser proibido na Irlanda.
A Irlanda foi um dos países através dos quais eu conheci um mundo diferente pelas fotos enviadas por telefone e divulgadas no Jornal Nacional (quem se lembra que a gente via imagens assim em imagens paradas na TV). Os conflitos de lá, como os da guerra Irã-Iraque, me mostravam um mundo muito diferente do que eu, menina de cidade pequena de interior, conhecia. Depois (#shameonme, I know) conheci a Irlanda de Brida de Paulo Coelho, de Christy Brown em Meu pé esquerdo, das letras de 9músicas do U2, de James Joyce – aliás, única das recomendações de Tezza na faculdade que eu não consegui gostar nem um pouquinho. Detalhe: Edna O’Brien é uma das mais respeitadas biógrafas de Joyce.)

Reprodução do telão da FLIP
E aí vem esta visão irlandesa que eu quero ler agora. O universo feminino e a realidade de ser escritora e mulher são, de certa forma, mesmo que numa realidade tão alternativa à minha, um espaço no qual eu me sinto em casa. É, digamos, a minha praia. E a escritora me foi apresentada de uma forma especial, numa mesa em que tratava dos Sentidos da Transgressão, entrevistada por ninguém menos que a presidente e fundadora da FLIP, Liz Clader – e não é o máximo a festa literária ter uma mulher neste papel?
Nesta apresentação feita por Ana Carolina Arantes
Para Edna, que foi casada apenas uma vez e teve filhos, a vida conjugal tradicional e a vida de escritora são, de certa forma, inconciliáveis. Entretanto, são os filhos, diz, a razão por que mantém sob controle a loucura e a insensatez que a fazem escritora. Perguntada sobre o papel da paixão em seus romances, brincou: “Paixão? É dela que fui acusada”, em referência à censura dos livros. Séria, em seguida, concluiu: “É a paixão na vida que alimenta a paixão nas páginas”, conquistando, como esperado, longa sessão de palmas do público.
Fica evidente que vou achar algo para apreciar – quiçá me encontrar – na obra desta escritora!
(E vale ler esta entrevista da escritora onde ela disse: Escrever é como sonhar!)







