E o tempo para brincar?
Postado em livros, Mãe com filhos no dia 03/09/2009 |Ontem eu passei parte da manhã tentando conciliar trabalho e a tarefa inglória – que por momentos parece fadada ao insucesso – de convencer meu filho caçula da importância de se fazer o dever de casa.
A tarefa dele consistia da produção de um texto livre sobre um amigo, com o qual ele inicialmente não tinha afinidades, contando da sua aproximação, das diferenças entre eles e como ao final eles descobriram que gostavam de brincar da mesma coisa. Complexo, não é mesmo? Se for para narrar, não é não, sei que meu filho (tagarela como a mãe) o faria com prazer, mas escrever é uma tarefa que ele não curte ainda.

Aos seis para sete anos (faz aniversário em dois meses) ele já lê bem, mas o processo de escrita não segue o mesmo ritmo. Estou tentando relembrar como eu fiz para ele gostar de ler… gibis, histórias sobre temas que ele goste, estímulo me vendo ler, conversas entre os leitores da família sobre coisas que lemos, coisas que fizessem ele desejar fazer parte deste mundo.
Mas como eu faço para convencer um menino tão jovem de que é bom ficar em casa escrevendo uma história sobre brincadeira e amigos ao invés de ir para o parquinho aproveitar uma manhã maravilhosa de sol e calor? Não tenho a resposta, embora eu saiba que como ele já é um aluno do segundo ano do ensino fundamental (antiga primeira série), ele tem que assumir as responsabilidades de estar onde está. Não amoleci, concluimos a tarefa (como está na imagem e na minha opinião a contento, mas vamos ver o que a professora diz), só que eu fiquei com caraminholas na cabeça. E a pulguinha atrás da orelha tem sido frequentemente o livro Einstein teve tempo para brincar – como nossos filhos realmente aprendem e por que eles precisam brincar, das psicólogas Kathy Hirsh-Pasek e Diane Eyer e da pedagoga Roberta Golinkoff. Tive contato com ele há dois anos e com muita frequência ele ainda me faz rever o cotidiano dos meus filhos.
[Eu adoro o nome do livro em inglês: Einstein Never Used Flashcards: : How Our Children Really Learn--and Why They Need to Play More and Memorize Less]
As autoras parecem conversar conosco na obra. E esta conversa de mãe para mãe, mesmo sendo as três especialistas em educação e comportamento, nos faz pensar no desenvolvimento das habilidades intelectuais mais importantes e lembrar que este desenvolvimento depende muito do tempo que as crianças dedicam a brincar. Este é o ponto que eu penso alto e coletivamente aqui: ao contrário do que muitos crêem, o excesso de atividades dirigidas para o aprendizado de conteúdos pode atrapalhar, e muito. No livro eu aprendi como estimular as brincadeiras para torná-las mais produtivas, coisa que eu até repensei quando me aprofundei no Brincar Desestruturado (a base da ideia do Dirty is Good – porque se sujar faz bem), mas que no final tem como mote o mesmo processo de aprendizagem em cada área-chave do desenvolvimento infantil, abordando inclusive os aspectos fisiológicos envolvidos.
P.S. Para quem se interessou, as autoras participaram juntas da série Human Language (Linguagem Humana), produzida pela emissora de televisão PBS, e também são autoras do livro How Babies Talk (Como os Bebês Falam).
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





no blog: E o tempo para brincar? http://tinyurl.com/nqdjaw #familia
Legal! RT @samegui: no blog: E o tempo para brincar? http://tinyurl.com/nqdjaw #familia
Sam, e a nota que ele vai receber pelo trabalho não serve de estímulo? Pergunto porque passei algo semelhante com o Duarte, este ano lectivo. Então, impliquei-me na produção das composições, dando directrizes, mostrando como ele poderia contar sobre os assuntos e desde o 1º Excelente que a atitude dele mudou a 100%.
E ainda sobra muito tempo para brincar!
Beijinhos.
E o tempo para brincar?? http://bit.ly/2xGdhy
Sam, eu fiquei pensando sobre o assunto desde que vc comentou no twitter, depois recebi update seu daquele site de livros e pensei mais ainda. Meu filho tem somente dois anos mas já me preocupo muito sobre isso. Na minha infancia não me lembro de ter sofrio por conta dos deveres de casa. Não quero que o Ernesto sofra também. Eu não fui criada num mindo tão competitivo quanto ele. Estamos pensando em matriculá-lo num colégio com periodo integral que adota a regra de não mandar tarefa de casa. Comprovadamente a tese da escola é bem sucedida, pois é a melhor no ranking nacional. Ainda pensarei muito sobre o assunto, mas talvez eu opte por isso para ele, tempo integral na escola e depois das 15:30, vida pra viver. Ainda temos muito chão pela frente e muita gente para ouvir livros para ler antes de tomar a decisão e que Deus nos ajude a todos. Abraço e desculpe, no outro comentário enviei sem querer o formulario incompleto.
Sam Shiraishi Reply:
September 4th, 2009 at 11:39 am
@Vanessa, eu entendo sua preocupação. Uma sugestão que te dou é conhecer esta obra que citei, ela mudou muito minha forma de ver as coisas. E o tempo como embaixadora do Porque se sujar faz bem, da OMO, tb me fez aprender muito, porque eu me senti instigada a pensar no brincar desestruturado dos meus filhos durante meses e isso foi um exercício e tanto!
As escolas nem sempre tem esta visão – salvo as que tem uma metodologia realmente voltada para isso, como as Waldorf, por ex. – mas o fato é que, como reflexiona um filme do Almodovar, a vida e a sociedade que nossos filhos encararão (e onde se inserirão) depois não é alternativa, é a sociedade construída em cima dos valores da maioria mesmo.
É tema para pensar e refletir coletivamente.
beijos!
Sá, o Gio vai se encontrar a respeito da escrita, assim como fez com a leitura e como faz, tão bem, em relação a comunicar-se com as pessoas, respeitar suas próprias vontades, gostos e defender sua opinião. O CJ ainda está pequeno, mas pelo que me lembro do nosso irmão, com quem vivi mais próxima a vida toda e tb pelo que vejo dos filhos homens de amigas, a grande maioria dos meninos não prioriza tanto assim as lições de casa e nem costumam ser tão dedicados com cadernos, textos, livros e compromissos escolares. Dê tempo ao tempo, pois os melhores exemplos ele tem em casa, devagar passará a segui-los.
Boa sorte. Melhoras com a gripe familiar!! Ti
Obrigada pela dica do livro!!!
O Sam a producao de texto do seu filho, esta muito bem elaborada, para a idade dele, parabens!
Talvez a melhor forma dele comecar a gostar mais de escrever seja dando significado para a escrita (que ela tenha uma funcao maior, alem de ser usada na escola, em licao de casa). De repente escrevendo pequenos textos para os tios e os avos nos outros estados. Ou trocando cartas com algum amigo (e ai precisa ser escrita a mao, nao serve ser digitada).
Isso o ajudara a escrever mais, fazer com prazer e ainda se comprometer (ele nao vai querer receber uma carta e nao responde-la vai?).
Espero colaborar para que o gosto pela escrita aflore assim como aconteceu com a leitura.
Abracos