Divinização do normal

Postado em Comportamento, Cotidiano e sociedade, preconceito no dia 11/06/2009 |

“A própria pessoa decide o seu certo e o seu errado, agindo com bom senso. Ela decide o seu bem.”
Erasmo Carlos (na Trip)

Há alguns meses escrevi sobre meu entusiasmo com o aleitamento materno (fui até doadora de leite humano) e minha recusa à divinização do leite materno.  Há alguns meses vivenciei uma triste discussão sobre a divinização do parto natural, assunto, aliás, que me deixa cansada (e não sou a única), mas que frequentemente é tema de controvérsia quando se fala em gestação. Mas não precisa temer, leitor, este post não é sobre gestação ou parto. É sobre o debate acerca da normalidade e o empenho exagerado que vejo nas pessoas em busca desta condição.

Como hoje é feriado cristão (não sou muito ligada a eles, mas o Gui sempre me ensina um pouco quando os explica para as crianças) pudemos conversar sobre as diferentes normalidades que a humanidade já professou e defendeu! São tantas que rendem uma vida de conversas, mas que felizmente podemos resumir na frase que abriu este post. Basta bom senso para acharmos um certo e um errado que seja bom para cada um de nós.

Deixo o convite para quem quiser pensar sobre a validade do conceito de normalidade quando visto sob a única ótica que interessa: o amor. E como seres amorosos somos sempre anormais, porque, felizmente, nisso não há margem ou medida de comparação!

Para ajudá-los, deixo algumas dicas de textos que me tocaram especialmente nos últimos tempos:

  • @maxreinert contou no texto Elas são gays sim… por quê não? que se partiu do meu texto sobre transexuais para repensar sua própria militância e a normalidade em sua vida. Fiquei profundamente lisongeada e quem o ler me entenderá.
  • @ladyrasta tratou em “Uma boa hora” da discussão acerca do parto normal versus cesárea com uma propriedade que eu não teria porque me sinto emocionalmente envolvida demais para debatê-lo. como os presentes no Brunch de lançamento da linha para gestantes Mamie Bella (do Boticário) puderam ver em abril.
  • @alessandro_M me levou às lágrimas em Minha irmã não é normal.  Neste caso, a única coisa “normal” no sentido de recorrente é o Ale conseguir, através de seus textos, tocar fundo a alma e o coração do leitor. Sou fã dele, quase tanto quanto do nosso antigo professor de faculdade, Cristóvão Tezza (autor de O Filho Eterno), citado no final do texto que relembra uma atitude de profundo mau gosto (ou vazio) que marcou a blogosfera na época.
  • @kakah e @giseleramos compartilharam comigo o mesmo texto da revista Nova Escola (que assino e aprecio imensamente), uma matéria encantadora intitulada Vale mais que um trocado. O repórter Rodrigo Ratier fez uma experiência: colocou livros usados numa caixa de papelão no banco do carona de seu carro e ofereceu-os a ambulantes, pedintes e moradores de rua de São Paulo. Ele descobriu dezenas de leitores (alguns qualificados) em pessoas que, segundo o que se consideraria normal, deveriam ser analfabetas e incapazes de se sensibilizar ou aproveitar um livro. E você, ainda se sensiliza com as crianças no semáforo?

(Sobre a divinização do normal: graças a Deus que não somos divinos e estamos aqui para evoluir! :) Apesar de tanta coisa politicamente incorreta (ou explicita e orgulhosamente incorreta), ainda me encanto com o ser humano.)

;)

P.S. Para deixar bem claro: eu gosto da controvérsia, ela nos dá oportunidade de sermos melhores, de evoluirmos, de aprendermos. Só que não suporto rótulos, regras vazias de significado e menos ainda a patrulha.

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


6 Responses to “Divinização do normal”

  1. Tiffany says:

    Sa, adorei a abordagem sensível e delicada para um leque de temas, posts e reflexões acerca da vida, não apenas da normalidade. Bom final de semana. Vamos ler, aqui em casa, as indicações. abraços. Ti

  2. Que palavras generosas. É muito bom lê-las e ter o nome colocado ao lado de um cara como o Cristóvão. Sua generosidade excede o meu mérito. Fez-me imensamente feliz nesta sexta-feira. Feliz dia dos namorados!

  3. Flavia says:

    Hummm…faltou dizer se você é sujeito ou objeto, dona Sam!! (tá rindo né?)

    Patrulha é um negócio muito chato mesmo…

    beijos!!

  4. [...] além de um ano de idade e que foi doadora de leite humano, mas entende que cada caso é um e que em tudo é preciso bom senso. Nesta fase costumamos negligenciar de nossa própria saúde e uma mãe descansada, bem nutrida e [...]

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