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Divinização do leite materno
Acho que todo mundo sabe que eu sou uma entusiasta do aleitamento materno. O que nem todo mundo sabe é que sou com ressalvas. Por que? Bem, eu tive uma experiência maravilhosa amamentando meus filhos por um bom tempo - 1 ano e 9 meses o mais velho, 1 ano e 4 meses o caçula - mas na mesma época vi outras mães e bebês próximos a nós não viverem da mesma forma. E notei que estas mulheres, maravilhosas à sua maneira, se sentiam frustradas, inferiores, menos capazes até de amar porque não alcançavam esta “glória”. Neste sentido eu me considero uma militante do aleitamento materno (especialmente o exclusivo, até os 6 meses, como eu fiz) mas sou totalmente contra a divinização do leite materno.
Sábado eu estava no salão de beleza e tive uma conversa muito interessante e esclarecedora com uma médica obstetra, Viviane Vargas. As mulheres atuais são assim: uma fazendo pedicure, outra se arrumando para uma festa e dá-lhe conversa séria no salão. Rolou praticamente uma entrevista e o papo foi tão bom que já deixei uma ping pong combinada com ela. Breve eu posto aqui. Mas, por enquanto, deixo-os com alguns detalhes da conversa: Viviane trabalha na maior maternidade do estado de São Paulo, a Casa Maternal Leonor Mendes de Barros e me contava de uma pesquisa (pedi a pesquisa, leio e discutiremos os números aqui depois) feita com as mães de lá. Uma minoria estava em condições de amamentar. A grande maioria, segundo ela (que é mãe de um bebê fofucho de 3 meses), têm dificuldades com o aleitamento e uma boa parte não tem condições físicas de amamentar, porque tem o bico do seio ou o ducto lácteo inadequado, porque não se alimenta bem para produzir leite bom (aquele papo do “leite fraco” pode ser verdade em alguns casos) ou não tem boas condições de vida. Viviane me fez pensar na realidade das pobres moças a quem eu orgulhosamente afirmo que estimulei a aleitar no peito quando era voluntária de um programa em Curitiba (perto de minha residência tinha uma favela e o posto de saúde atendia a elas no projeto “mãe curitibana“). Morando sem conforto algum, “em casebres insalubres, trabalhando demais (em casa, fora de casa ou em ambos), com outros filhos para criar e com um marido que é mais um filho, porque se nega a ajudar porque paga as contas e é homem”. Realmente, as condições são tão diversas das minhas que tive que me calar e admitir que estava militando no caminho errado.
Amamentar é ótimo (eu recomendo), mas não devemos divinizar este ato, porque algumas mães simplesmente não conseguem aleitar e se sentem muito frustradas desnecessariamente.
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4 Responses to “Divinização do leite materno”
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Rodolfo Sikora
Says:
February 28th, 2008 at 8:02 am
Sendo um entusiasta da psicologia, eu li muito a respeito de psico-patologias que são ligadas a falta da amamentação.
Mas vc tem razão, existem casos que essa divinização acaba frustrando algumas mães, e elas quem acabam ficando psicologicamente abaladas.
Nestas situações, o que você acha dos bancos de leite?
[]ao
Sikora
você chegou no Desabafo logo na minha saída e acho que não lia antes. Eu fui doadora de leite materno duas vezes, ao mesmo tempo em que amamentava meus filhos. Foi ótimo e na blogagem coletiva do SMAM de 2007 foi este o tema que escolhi para escrever no blog em nome do Desabafo. É tão simples juntar o leite e doar que, se houvesse maior conscientização, creio que mais mulheres adeririam.
Sobre as pesquisas do desenvolvimento da criança aleitada pela mãe, eu também li muitas. Não tenho como comprovar, não fizemos parte de nenhum estudo. Mas vejo meus filhos como crianças emocionalmente muito saudáveis, afetuosas e seguras de seu direito de receber amor e respeito. Enzo, o mais velho, que faz 8 anos em maio, tem diagnóstico de inteligência acima da média desde 2006. Mas nem esta “esquisitice” nerd tirou dele a infância e credito isto à segurança afetiva deles. Além do mais, o vínculo com a figura materna se fortalece, porque qualquer um dá mamadeira, mas só a mãe (ou uma doadora muito próxima) dá o peito.
Vou te indicar a leitura do blog da Karyne Lira, ela é estudante de psicologia e tem publicado de modo leigo leituras relacionadas às crianças - ela tem uma enteada de 7 anos.
Um abraço e volte sempre.
Sam
renata
Says:
February 29th, 2008 at 12:38 am
Mas concordo com vc quanto ao que vc chama de divinização. E vou além: isso não pode ser negativo apenas para mulheres nas condições mais precárias a que vc se refere, mas tb para muitas mulheres com condições semelhates à sua e à minha que, por questões emocionais, por motivos dos quais elas não tem consciênica, encontram muitas dificuldades com a maternidade no começo, como depressão pós-parto, dificuldade em estabelecer o vínculo (mãe-bebê) ou mesmo com a amamentação - e muitas vezes tudo isso ao mesmo tempo. Minha mãe não me amamentou. Disse que eu chorava muito, que ela não tinha jeito e ficava nervosa, daí eu chorava mais, daí ela ficava mais nervosa…uma bola de neve. Aí já viu, né? Não durou nem um mês. E isso é muito comum até hoje, com toda a campanha. E a campanha pode ser over nesses casos, pode ser uma pressão a mais - a gente no começo fica muito fragilizada, até imagina coisas (já ouvi relatos de mulheres incomodadas com os “olhares” de outras mães ao dizer que não estão amamentando) e acaba ficando muito na defensiva. E mais essa pressão de tantas campanhas pode trazer aind amais dificuldade pra quem já está enfrentando dificuldades…
O pediatra da minha filha que disse pra mim, ao justificar ser contra as listinhas de alimentos proibidos para nutrizes: nosso consciente é mínimo em comparação com nosso inconsciente. Qualquer coisnha pode ser motivo pra uma mulher acabar não amamentando. Ele só proibia álcool e cafeína. E at’epimenta eu comia minha filha nunca teve uma cólica. Foi amamentada exclusivamente até os 7 meses.
Bem, era esse meu recado. Achei seu post super-pertinente.
beijos,
Renata
Amamentação « { Outras Freqüências }
Says:
August 3rd, 2008 at 11:53 am
Ceila santos
Says:
September 4th, 2008 at 11:48 am