Direitos autorais (Identidade Roubada)
Postado em Cinema e TV, preconceito no dia 25/02/2009 |

Hoje recebi no blog uma visita ilustre que merece registro: Thais Linhares comentou no post sobre a peça de teatro O menino e o burrinho e, com a maior discrição e finesse, comentou que foi responsável por ilustrar a nova edição do livro “Ou isto ou aquilo” de Cecília Meirelles. Já vi as ilustrações na nova edição – a que lemos é antiga, ainda da infância de meu marido – e são lindas, como, aliás, são todas as que Thaís mostra em seu blog Rumos e Letras.
Identifiquei-me de imediato com um post que encontrei no blog da Thaís que tratava dos Direitos Autorais dos Ilustradores. Deixo um trecho abaixo e o convite para conferirem o debate lá no blog:
“O ilustrador é autor das ilustrações. O escritor é autor do texto. Logo não são co-autores… No máximo poderíamos dizer que são co-autores dentro de uma obra onde se unem diversos talentos… e então precisaríamos também ressaltar o editor (direito conexo) o projetista visual do livro, o tradutor… Melhor dizer que são colaboradores, ou ainda, obra coletiva… (o que se aplicaria melhor a um álbum tipo coletânea).
Dizer que o ilustrador é menos autor do que escritor revela tanta ignorância que me assusto quando vejo algum colega criador falar tal asneira. Toda obra de arte nasce da fusão de elementos externos e internos. Os textos também vem de algum lugar, alguma inspiração, alguma memória… às vezes nascem mesmo da apreciação de outras obras de artes. Isso não os torna menores, assim como não é menor a dança de uma Botafogo, ou o cantar de Bethânia, ou os figurinos de uma peça. Além disso, diferente de outras artes, a ilustração pode funcionar de forma autônoma, uma vez desvinculada do texto, salvo raríssimas exceções. ” (continua)
Um de meus primos mais chegados é ilustrador profissional desde que me entendo por gente, o que me permitiu conhecer este mundo desde cedo. Talvez por conta dele eu tenha me habituado a contar para os meninos os nomes dos envolvidos nos livros que lemos, no mínimo do escritor e do ilustrador, assim como não levantar das cadeiras do cinema antes de ver os créditos dos envolvidos no filme. É uma questão de respeito e isso a gente tem que ensinar, não nascemos sabendo, mas aprendemos com facilidade.
P.S. Ao ler suas explicações sobre o papel do ilustrador na composição de uma obra lembrei-me de imediato do trabalho da personagem Sophie Hartley (interpretada por Susan Sarandon) em Irresistible (Identidade Roubada) e achei esta reportagem sobre o filme para quem se interessar. Ao vê-lo pensei em como a história de Juno poderia ser diferente se acontecesse em outra época.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.



