A Vida Como A Vida Quer @samegui

Dia Sem Tabaco

saude August 29th, 2008

Cigarros

Estava na editora Globo na terça-feira e vários avisos faziam contagem regressiva para o Dia Sem Tabaco. Os colegas me contaram que a partir do dia 29 seria completamente proibido fumar por lá e mesmo os “fumódromos” seriam extintos. Fiquei imaginando o desespero de alguns e o alívio de outros.

Há alguns meses eu contei minha saga de filha de fumantes.

Não sou fumante por exclusiva opção que eu não propago por aí – apesar de ser contra o tabagismo, não gosto de me meter na vida dos outros. Mas admito com naturalidade e sinceridade: mesmo sem nunca ter fumado, já fui dependente do cigarro.
É isso que acontece com quem força outras pessoas a conviverem com sua opção de fumar: o outro se vicia, inevitavelmente, sem estar de fato escolhendo. Leia tudo aqui

Considerando meu pai, que tem uma dificuldade imensa de parar de fumar, acredito que esta decisão precisa de grande apoio. Mas é possível, tenho amigos, familiares (minha mãe, meu sogro, minha prima) que deixaram de fumar mesmo sendo um imenso sacrifício.

Recebi um release de um livro no qual o psicanalista Flávio Gikovate parte da sua própria experiência como ex-fumante (e usa o vasto conhecimento na área da psicologia) para dizer que é possível largar o cigarro. Cigarro: um adeus possível (208 pp., R$ 39,60, MG Editores) afirma aquilo que meus filhos já sabem e não cansam de repetir ao avô: a dependência do cigarro é tão terrível quanto a que decorre do uso de drogas ilícitas. Embora nas últimas décadas os malefícios do fumo tenham sido comprovados cientificamente, são poucos os que conseguem largar o vício com facilidade. E os que, à custa de muito sacrifício, conseguem fazê-lo vêem-se a todo momento na iminência de voltar a fumar. O que, de fato, aconteceu algumas vezes com meu pai – ele me diz que o cigarro é sua melhor companhia! Exatamente como explica Gikovate:

“Muito mais que adição química, o cigarro provoca dependência psicológica. A pessoa que fuma, ao ver-se sem seu “companheiro”, não sabe como agir, onde colocar as mãos, o que fazer com a boca. Sente falta do aconchego que o cigarro provoca, de seu efeito calmante ou estimulante. Nem a dependência química nem a psicológica podem ser superadas sem dor. Qualquer tratamento para abandonar o vício impõe uma boa dose sofrimento. Por isso, é tão importante se conscientizar de que se trata de uma empreitada difícil, que requer muita determinação”, explica.

Enfim, ele prejudica o organismo (aumenta as chances de desenvolver doenças respiratórias, cardiovasculares e doenças como câncer), mas o dano psicológico é o pior.

“O cigarro acaba se tornando uma muleta, sem a qual o indivíduo não parece ter forças para viver. E o maior problema na fase inicial do tratamento é a “fissura”, relacionada à dependência química. De tempos em tempos vem um desejo lancinante de pegar o cigarro e inspirar a fumaça bem profundamente. É fato que o desejo passa de forma espontânea quando não se inala a fumaça com nicotina, mas a impressão é a de que o desconforto só passa fumando um cigarro”, diz Gikovate.

No livro, ele desvenda o ciclo de dependência em relação ao cigarro e mostra como é difícil parar de fumar. Porém, partindo de sua experiência pessoal e clínica, mostra que é possível largar o cigarro usando a racionalidade e o bom senso, por mais dolorido que seja o processo. É preciso estar disposto a mergulhar nos verdadeiros motivos que levam alguém a viciar-se em qualquer objeto externo. Neste Dia Sem Tabaco, torço para que meu pai tome esta decisão e saiba que pode contar comigo. :)

Crédito das imagens: Stock.Xchng

[update] Dica da @anarina do De primeira no Twitter: motivos para parar de fumar.

[update 2] Danilo Gentili fala sobre o cigarro.

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Comments

  1. 2
    leninha
    August 30th, 2008 at 8:12 am

    Sam, meu pai parou de fumar e minha mae també, o Marco parou e a Nani está parando por causa da diabetes! Só falta a Lucy lá em casa!! Sinceramente se meus pais nao tivessem parado de fumar eles jamais teriam sobrevivido aos problemas de saúde que tiveram há alguns anos atrás, eu sou muito feliz por ser uma ex fumante, foi a melhor coisa que fiz por mim e por aqueles que me amam.
    Beijos

  2. 3
    Anny
    August 31st, 2008 at 1:07 am

    Ol Sam:
    Fui uma fumante inveterada. Bem sei o mal que ele faz. Parei de fumar porque achei estava ficando uma pessoa que só sabia uma resposta a minhas nessecidades.
    Gostei muito seu texto e me diverti bastante com o Danilo Gentili
    Beijos

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