Dia dos avós
Crédito da foto: Vovó Ita (minha mãe, que passa uns dias conosco aqui em casa) com os netinhos Enzo e Giorgio e neste sábado, dia das avós, durante conversa com o netinho Caio pela webcam no msn. Caio, filho da minha irmã Tiffany, mora no Rio e desde recém-nascido “conversa” com a gente pelo computador. Família muito geek!
Considero que sou uma pessoa abençoada, pois não passei por dificuldades na vida. Ao me deparar com relatos das dificuldades dos meus próprios avós ou pais eu me calo, pois não me sinto apta a dizer muito, apenas ouvir. E como saber das emoções, sofrimentos, vitórias, percalços deles me faz me sentir orgulhosa da minha origem!
Meus avós japoneses, de quem falo aqui com alguma freqüência, vieram para o Brasil com cerca de 14 anos, sem os pais e num país que na época era absurdamente diferente. Meu Ditian (avô) Sadanori era orfão de mãe e o pai lhe permitiu vir com o professor que se mostrou um alcoólatra e roubou meu avô deixando-o sem nada. Minha Batian (avó) Matsuno era órfã de pai e o irmão, autoridade absoluta na família, obrigou-a a vir para cá com parentes, pois as companhias de imigração exigiam que as famílias se compusessem de um casal mais um “adulto” capaz de trabalhar. De regiões distantes no seu país de origem - ela do norte, ele do sul - aqui eles encontraram afinidades numa união planejada por seus responsáveis.
Meus avós “brasileiros” não sofreram menos. Minha avó Maria Augusta era neta de ferroviários mineiros que se estabeleceram no norte do Paraná e perdeu o pai ainda bebê, numa briga dele com o irmão por ciúmes de minha bisavó. Sofreu nas mãos do padrasto na infância e foi mandada para morar (trabalhar gratuitamente com a desculpa de que cuidavam dela) na casa de uma familia rica de Curitiba e aos 16 anos casou-se com um militar. Casamento arranjado, marido bêbado, ela largou tudo e assumiu-se separada no meio da década de 1940, indo morar com uma tia em Ponta Grossa. Foi lá que, como vendedora numa loja, encantou meu avô Juca, um jornalista (dono do segundo maior jornal do estado) solteirão que caiu de amores por aquela moça simples e analfabeta. Viveram juntos (sem casar legalmente) até a viuvez dela e fizeram uma festa de casamento que durou dias. Viveram juntos até que o Golpe Militar o depôs (era prefeito e pelo PTB de Jango) e a depressão pela situação no Brasil o levou a um derrame e posteriormente um enfarto fatal. Minha vó continuou uma pessoa aberta, de certa forma uma pessoa pública e até o final da década de 1980 convivi com os afilhados de minha avó Maria, a maioria gente simples como ela, frequentando sua casa, ampliando nossa família e nos ofertando sua amizade, com suas aventuras cotidianas que fazem as histórias do Brasil.
E você, neste dia dos avós, qual a história dos seus?
P.S. Há um ano eu publiquei um texto no Desabafo de Mãe chamado Vovó única e insubstituível no qual conto mais da vida com minhas avós.
Olá, Samantha!!
Quanto tempo… talvez nem se lembre de mim…
Acho que a gente não se vê e nem se fala há pelo menos uns 15 anos…
Lembro que tínhamos uma amiga em comum, a Viviane Kussuki… mas nem com ela tenho mais contato…
Lembro também que fui até a sua casa, levar o nosso presente de casamento para vcs, eu e Rodrigo, na época ainda apenas meu namorado e hoje meu querido marido!
Morava no Parolin, não morava?
Desejo muito sucesso e felicidade pra vc!!
Um beijo,
Regina
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Olá, conheci hoje o seu blog, por meios que só a internet pode permitir… gostei muito, vou linka-lo!
Tenho a sorte de ter meus avós vivos, conhece-los à fundo, compartilhar nossas vidas e experiências. Vivo entre os extremos, os avós por parte de pai são tradicionalíssimos, quietos, sisudos, fechados. Os por parte de mãe são ligados no 220, consumidores ávidos de tecnologia e informação. E aprendi, com todos eles, à respeitar as diferenças, a conviver em família….
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