Deus é um delírio ou será o ateísmo de Dawkins apenas outro meme? #flip2009
Postado em Consumo de Cultura no dia 02/07/2009 |[update] Entrevista com Dawkins na TV para quem quiser saber mais:

Confesso que eu quase não vim à primeira coletiva da FLIP2009 na qual Richard Dawkins, autor de O Gene Egoísta (livro que deu origem à ideia do meme, conceito que usamos tanto nas mídias sociais) e de Deus, um delírio. Mas, enfim, ouvir e conhecer o ponto de vista e os argumentos daqueles de quem discordamos é uma das premissas que um pensador tem que ter – e um dos sustentáculos (ou não!) de suas crenças. Se você teme que as ideias contrárias às suas coloquem sua fé em xeque, ela pode não ser tão real quanto você pensa.

Assim, participei – embora como ouvinte, sem utilizar os 40 minutos dedicados às perguntas de imprensa para questionar o autor estadunidense – da coletiva e ouvi-o começar sua participação se explicando: “Não digo que as pessoas que tem uma religião são fracas, afirmo que nós não precisamos delas. Coisas terríveis são feitas em nome de Deus e por isso ele digo que não estou feliz ou seguro com os acontecimentos que acontecem na minha época”.
[Neste ponto devo dizer que não acredito que há um ser humano feliz com o que tem acontecido na humanidade nas guerras motivadas pretensamente por diferenças religiosas - e todos nós sabemos que as motivações são outras, de cunho muito mais material, né? ]
Questionado sobre a mudança de nomenclatura de ateismo para bright – eufemismo para ateísmo em inglês, o escritor descreveu as dificuldades enfrentantas pelos ateístas nos EUA afirmando que ao se assumir em sua não-crença é inevitável sofrer prejuizos profissionais. Dawkins foi um dos apoiadores financeiros de uma campanha na Europa que tinha como mote algo como: “provalmente não há um deus, portanto continue vivendo”. Iniciada por uma pessoa que se sentiu incomodada com frases veiculadas em ônibus na capital inglesa que diziam “if you don’t believe in Jesus you’ll go to hell” (se você não acredita em Jesus você irá pro inferno), a campanha teve grande e surpreendente adesão – sob a forma de suporte financeiro para pagar uma campanha publicitária que foi veiculada em ônibus londrinos. Segundo o escritor, a adesão foi tão surpreendente que ele crê que demonstra novidades no posicionamento e pensamento atual.
Dawkins afirma que “se sua única razão para acreditar em Deus é a necessidade de ter uma explicação para a criação da vida, então ao conhecer a visão científica da criação da vida, ele, um darwinista famoso, crê que você vive uma God delusion, fazendo referência à sua obra Deus, um delírio. E sabem que neste ponto comecei a passar do respeito para a concordância? Continuo firme em minha fé em Deus, mas isos porque de fato eu não preciso de uma explicação para acreditar em Deus tampouco tenho um Deus pessoal, creio n’Ele como uma força superior, mas creio – e acima de tudo. Mas eu não sou uma pessoa que tem um Deus ligado a alguma religião – cristão, judeu, muçulmano -, e me identifico mais com a idéia de que fé e ciência podem conviver harmonicamente. [E espero receber de ateus como Dawkins o mesmo respeito pela minha fé.]
E neste ponto Dawkins lembrou uma frase de Einstein – God does not play dices – comentando que o cientista não acreditava num Deus pessoal, mas sim numa força maior que criou tudo. E em seguida me fez concordar novamente: “vivendo numa sociedade cristã como o Brasil, é importante que as crianças conheçam a Bíblia para entender sua história e sua cultura”.
Então, embora não ache Deus um delírio, eu pensei seriamente em ler os argumentos dele. Como falei no começo, não acho primordial conhecer tudo, mas acho bom (e importante) estar aberto e não insistir o proselitismo. Como já me disse minha mãe – ela sim uma cristã fervorosa, como conta em seu blog – a salvação é individual – e funciona como uma escolha.
Fico feliz com a chance que a nossa era, sua tecnologia e a liberdade que vivemos em países como o meu permitem que vivamos. Graças a coisas assim eu e você podemos escolher em que queremos acreditar!
P.S. Curioso: Paulo Cabral, reporter brasileiro da BBC comentou, sob a forma de pergunta, que no Brasil as explicações metafisicas são mais procuradas do que a fé estruturada das religiões, ao que Dawkins respondeu: Nem sempre a fé é substituida pela razão!
[update] @ladyrasta, minha roomate na FLIP, fez post sobre a mesma entrevista coletiva, com um enfoque muito diferente. Em determinado momento do texto ela dizia
“Ué, perguntei na hora para os meus botões: mas em uma grande síntese, não é esse o objetivo da maioria das religiões? Tentar aceitar que existe o insondável, fazer com que aceitemos aquilo que não compreendemos? Eu pelo menos não consigo imaginar outra forma de se definir religião; para mim religião é amparo para o que não suportamos ou não compreedemos (tá, podem chamar de muleta se quiserem, eu não me importo).”
O que vocês acham? Vale ler lá e opinar!
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





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Sam,
esse é o problema do meme, Dawkins tentou criar um termo para a biologia, mas ele não servia bem, pois o Gene Egoísta tem lacunas importantes como tentativa de explicar o fenômeno e foi descartado.
Aí, na busca de dar aura de científica às pesquisas da Comunicação, reapropriaram o termo, como é comum em ciências sociais tentar fazer paralelos com ciências naturais ou com a matemática.
E o conceito todo na Comunicação é meio falho, pois o meme é estudado mais como a replicação literal da mensagem, de seu enunciado, mas o que importa é a difusão do conteúdo de uma mensagem e a forma como ele é compreendido.
Como já disse antes, num tweet, “o meme é a replicação da bobagem”. E comprar a ideia dele talvez também…
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Do blog da @samegui Deus é um delírio ou será o ateísmo de Dawkins apenas outro meme? http://tinyurl.com/n6lsma
[...] Richard Dawkins, autor de O Gene Egoísta (livro que deu origem à ideia do meme, fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Estou meio atrasado mas resolvi comentar mesmo assim.
Bom, em primeiro lugar gostaria de dizer que gostei do seu post
Só duas coisas – primeiro com relação ao respeito pela fé. Se você acompanhar alguma coisa do que o Dawkins escreveu, vai ver que ele está sempre discutindo essa ideia de respeitar a religião – ele diz que as pessoas tem que ser respeitadas, mas as ideias religiosas devem ser discutidas, assim como qualquer outra ideia. Discutimos cinema, arte, política, reclamamos se alguém torce pra um time diferente, mas, se alguém diz que a religião não permite que ele coce as costas no sábado, ninguém pode falar nada? No meu ponto de vista, e no dele, qualquer tipo de ideia pode ser discutido e debatido.
Em segundo lugar,
“comentando que o cientista [Einstein] não acreditava num Deus pessoal, mas sim numa força maior que criou tudo”
…não é bem assim. Einstein não pensava assim e Dawkins não diria isso dele. Einstein era uma espécie de deísta – ele via deus nas manifestações do universo. Não é exatamente como dizer ‘uma força criadora’… ele acreditava que por trás dos fenômenos naturais existia uma verdade que só conseguimos verificar através de um reflexo distante… uma verdade profunda que nossos sentidos e inteligência só conseguem captar de forma bem branda. Para Einstein, Deus eram as leis da física – não as que conhecemos, mas as leis perfeitas, inalcancáveis que estão sob o mundo.
Bonito, não?
[...] Deus é um delíriio ou será o ateísmo de Dawkins apenas outro meme? [...]
Para mim Dawkins é muito equilibrado no que diz e escreve. Ele respeita a religiosidade alheia, mas implora por debater suas razões.
O que mais me incomoda quando se trata deste assunto é que se você diz a alguém muito religioso que cometeu algum crime ediondo, esta pessoa irá lhe dizer que se você aceitar Jesus e se arrepender estará salvo, mas se você disser que não acredita em Deus, esta pessoa irá responder que você irá ser arremessado ao fogo do inferno e lá arderá eternamente.
Então eu pergunto a você: Onde está a tolerância religiosa? Onde está o deus de infinito amor e bondade?
Será o deísmo é o caminho mais correto a se seguir?
Um grande abraço
Giba