Descaso e desperdício
E começou nosso inverno.
Meu corpo sulista ainda sente falta do frio, apesar de ser meu terceiro inverno paulistano. Fico sempre numa expectativa meio contraditória de que esfrie, apesar de apreciar tanto este inverninho que tem tardes de 25 graus e céu limpinho. Deve ser meio orgânico, pois o Gui, nascido e criado nos invernos com neve de Lages, SC, sempre fica contente quando está uma noite fria e tem aquele “cheiro” familiar, do ar gelado e do céu lindo. Aliás, no Japão tínhamos ambas as coisas: o céu limpo e tempo seco e o frio delicioso. Saudades.
No entanto, por mil fenômenos ambientais (que já estamos cansados de ouvir, mas fingimos não escutar) o inverno será seco demais e já se discute o racionamento de água na Grande São Paulo, que sofre com desperdício e falta de investimentos. Incrível a diferença de consciência que vejo aqui e que tinha em Curitiba (nem vou comentar do Japão, mas escrevi sobre o lixo de lá em fiscalização do lixo é uma prática enraizada). Simone comentou do lixo que não é lixo , programa curitibano no desabafo onde seu filho joga o lixo?
Percebo aqui um descaso, egoísmo, inconseqüência e ignorância neste assunto. A questão ecológica nem entra na pauta, aqui é a falta de noção do outro, de perceber que se você gasta muita água vai faltar para o outro, de que se entope (já vi gente socando) lixo nos bueiros outras pessoas serão prejudicadas com enchentes, de que uns podem ter umidificador de ar e esterilair, mas todos merecem qualidade no ar que respiram.
E o lixo, gente? Que tristeza! Eu separo, é natural, minha família separa há pelo menos duas décadas lá em Curitiba. E vejo que aqui, apesar de a coleta seletiva ser inexpressiva, há alternativas. Perto de minha casa tem um Batalhão de Bombeiros e lá tem um local para coleta seletiva de lixo. Acostumar-se a levar o lixo reciclável até algum lugar é um exercício exigente, mas logo que se começa é como praticar esporte ou fazer academia, a preguiça logo perde para a satisfação. Às vezes vejo carros muito chiques parando lá e as mulheres abrindo os porta-malas com os sacos de lixo separados e penso: esta pessoa morou fora do Brasil. Desejo sinceramente que chegue o dia em que este pensamento não me venha à mente e sejamos todos moradores
melhores do Planeta Terra.
Não fui muito amena, não é mesmo? Não há mais tempo para sermos.
Mas deixo aqui link para fotos lindas das Jóias de René Lalique para compensar!
Links:
Gosto do inverno, mas no passado, em São Paulo, passei muito frio. Acho que nem fora do país, com neve, senti tanto frio.
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Sam Querida,
Você já viveu aqui e conhece nossa realidade quanto a educação dos japoneses em relação ao lixo.
Certa vez aí, na minha última viagem, comprei uma briga no ponto de ônibus com um rapaz que mesmo estando ao lado da lixeira, jogou um palito de picolé no chão. A indignação foi tanta, que tive que falar e ouvi: ” Se esta incomodada, recolha você!”.
É vergonhoso, as pessoas se queixam quando há enchentes, quando falta água e não percebem que a culpa é delas. Ainda se lamentam, querendo que o governo tome uma providencia rápida.
Esses dias vi uma reportagem na TV japonesa, que mostrava como o lixo é jogado no Brasil, e algumas ONGS que fazem coisas maravilhosas com lixo reciclado.
Espero que a mentalidade brasileira mude, senão em pouco tempo teremos um País que mais parecerá um depósito de lixo.
Excelente post!
Beijos
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Ah…
Esqueci de comentar sobre Lalique!
Você e a Maria Augusta me deixaram seca com esses posts! hehehehehe
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Sam, você gosta de frio! Quando estava em São Paulo não gostava do frio, mas sempre gostei do ambiente dos meses de inverno. Você, sempre uma cidadã exemplar, apontando problemas. Este do lixo é um caso sério, mas sabe já vi em muitos condomínios aí de Sampa os containers para o lixo seletivo, e parece que funciona. Mas, claro, ainda falta muito para que isto se torne um hábito. Obrigada pelo link para “As Jóias do Lalique”. Um beijo.
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Olá Sam,
obrigada pela vista lá no “Mãe e muito mais; gostei muito do seu comentário, assim como gostei muito do seu espaço. Realmente senti-me na sua cozinha, muito aconchegante!
Aqui entrou o Verão, mas o dia está fresco e temos tido muita chuva, nada normal para esta época do ano. Ainda hoje o meu filho me perguntava porque a mãe Natureza continua mandando chuva e eu expliquei-lhe que ela estava zangada connosco, por poluirmos o planeta. Aqui em casa separamos e reciclamos o lixo; fazemos uma utilização racional da água e fazemos as compras com o nosso próprio saco(a fim de evitar sacos de plástico), entre outras coisas, no entanto isto não tem nada de extraordinário, deveria ser o mínimo, feito por todos! Infelizmente em Portugal, só agora as pessoas começama a acordar para as questões ambientais.Acontece porém que já não há tempo de mudar mentalidades, só mesmo por imposição, por decreto e com multas! Só assim o povo aprende!
Beijos!
P.S. fui lá no Desabafo de mãe e não encontrei o seu último texto; pode dar-me o link directo?
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Olá Sam, obrigada por seu carinho lá no DD, seja sempre muito bemvinda. E que bom q vc foi lá, assim tive a oportunidade de conhecer seu cantinho que tb é muito legal.
Quanto ao frio, sim é biológico, no nosso corpo nossas células carregam memórias emocionais e é por isso que quando chega o frio você sente essa familiaridade…
bjos e bom fim de semana
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Fernanda, obrigado pela visita.
O post de que falei no seu blog, “Carreira e filhos são incompatíveis?” está em http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2007/06/ carreira-e-filhos-so-incompatveis.html
Gostei muito (sinceramente) do seu enfoque no Mae e Muito Mais e estou deixando o link aqui como indicação!
http://fernanda-e-filhos.blogspot.com
Abraços.
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Maria Augusta, eu gosto mesmo do frio, mas em alguns meses do ano. Na verdade, uma coisa que aprecio é a mudança das estações, esta definição, que temos (um pouco) lá no sul e que eu vivi plenamente no Japão.
Nestas condições conseguimos apreciar o ciclo da natureza através da contemplação do esforço das plantas por se renovar e dar continuidade à sua vida a despeito de todas as adversidades que frio ou calor lhe impingem.
Infelizmente, com a mentalidade de descuido com o lixo e a falta de verde em algumas cidades como São Paulo, esta beleza fica perdida.
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Lina, você não imagina as discussões que eu tinha com os brasileiros dekasseguis sobre separar o lixo… eu era (e sou) uma eco-chata.
Vamos tentar reunir aqui a lista de ONGs que trabalham com lixo reciclado?
P.S. AS jóias do Jardim da Maria Augista me encantaram tanto que não resisti a colocar um linkzinho aqui! (risos)
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Sam… A vantagem é que aqui em Curitiba a proposta do lixo que não é lixo foi tão bem divulgada que o povo aceitou. Lembro da musiquinha: “Lixo que não é lixo não vai pro lixo. Se-Pa-Re!” e da “família folha”. A prefeitura foi muito feliz naquela época com esse slogan. O problema é que a atual gestão deixou morrer a “família folha” e as crianças hoje não sabem o quanto era bacana juntar lixo reciclavel e trocar por brinquedos. Lembro que o caminhão parava na porta da minha escola (que era municipal) e trocava o lixo que trazíamos de casa por miniaturas do caminhão do lixo. Era um estímulo para as crianças que não deixavam em hipotese alguma qualquer integrante da casa jogar lixo reciclavel no lixo comum. Talvez falte isso em São Paulo… É complicado! O povo vê nos jornais, revistas, out doors o mal que está fazendo ao ambiente mas não tem consciencia de que se cada um fizer sua parte a mudança será fácil. E a história que a “Lina” contou de quando esteve aqui é tão comum que não me chocou. Já tive alguns desentendimentos deste tipo aqui na “capital ecológica” e não pense que adiantou muito. Acho que a solução era a volta da campanha do lixo que não é lixo e sua exportação para outros estados. Aqui em casa é proibido jogar lixo reciclavel no lixo comum, e o legal é qua a Daniela vai crescer vendo isso e será uma adulta consciente!
Amei o post!
Beijos
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Oi moça…
Fui para a França, dei uma passada na cozinha e agora estou em Sampa. Estive até dias atrás…
Sinceramente acho incrivel o desperdício que ocorre na capital paulistana. Deixa qualquer um atordoado.
O lixo pelas ruas e eu lembro que ouvi um cara dizendo: “não é minha cidade mesmo e tem quem limpe” e fiquei olhando pra ele com aquela cara descrente.
Sou italiana e vive no Brasil durante alguns anos e hoje vivo indo e vindo. Adoro SP mas sinceramente, não gosto muito do estilo de vida das pessoas que literalmente “cospem” nessa cidade.
A maioria vem de fora (como nós) mas apenas uma minoria (como nós) valoriza essa metrópole que poderia muito mais do que é…
Bem, um dia irão se arrepender, só espero que não seja tarde demais.
Aqui, a nossa água é caríssima e sofremos com a falta de água mesmo enquanto aí se joga fora como se nada fosse.
Credo! Acabo de conhecer seu blog e já saiu reclamando. Quer horror.
Abraços
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